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São Paulo empata com Millonarios e mantém liderança na Sul-Americana

São Paulo e Millonarios empatam em 0 a 0 nesta terça-feira (28), no El Campín, em Bogotá, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. O resultado mantém o Tricolor na liderança, com 7 pontos, e deixa os colombianos ainda na briga, com 4.

Jogo equilibrado, domínio alternado e pressão no fim

O São Paulo inicia a noite com personalidade na altitude de Bogotá. Roger Machado adianta as linhas, valoriza a posse e controla o ritmo nos primeiros 20 minutos. A estratégia quase funciona aos 19, quando André Silva aparece na área, finaliza e supera o goleiro De Amores, mas vê Sarabia tirar a bola em cima da linha e silenciar o primeiro grito de gol brasileiro.

O Millonarios demora a encontrar o jogo, mas cresce a partir da metade do primeiro tempo. A equipe colombiana ajusta a marcação sobre o meio-campo tricolor e passa a explorar as bolas cruzadas. Aos 31, David Silva levanta na pequena área e o zagueiro Llinás sobe mais que a defesa são-paulina. A cabeçada sai forte e raspa o travessão de Carlos Coronel, em resposta imediata ao domínio inicial do visitante.

O São Paulo tenta retomar o controle, com Luan na base da jogada e Djhordney se aproximando de Cauly e Tapia, mas esbarra na falta de aproximação entre setores. As linhas ficam alongadas, e o Tricolor perde fluidez na troca de passes. O Millonarios percebe o momento e empurra o jogo para o campo de ataque, ainda que sem transformar a pressão em finalizações claras.

A volta do intervalo muda o cenário. O time de Fábian Bustos passa a ditar o ritmo. Em poucos minutos, os colombianos somam duas finalizações perigosas e forçam o recuo do São Paulo. Roger Machado responde com Damián Bobadilla, que entra no lugar de Djhordney para dar mais presença ofensiva e chegada de segunda linha. O paraguaio, em boa fase e de olho em vaga na Copa do Mundo, arrisca chutes de média distância e tenta acelerar o time.

Bobadilla fica perto de decidir aos 21 minutos. Tapia aplica uma meia-lua na marcação, avança em velocidade e cruza para a área. Novoa se estica e corta, evitando que a bola sobre limpa para o meia finalizar. O lance sintetiza a noite tricolor: boas construções até a entrada da área, mas dificuldade para transformar volume em chances claras.

O Millonarios volta a crescer nos minutos finais. Empurrado pela torcida, o time colombiano se instala no campo ofensivo e testa o sistema defensivo são-paulino com bolas levantadas e chutes de fora. Nos acréscimos, Angulo recebe pela esquerda, corta para dentro e finaliza com perigo. Carlos Coronel se estica e faz a defesa mais importante da partida, segurando o 0 a 0 e, com ele, a liderança do grupo.

Liderança preservada, meio travado e arbitragem contestada

O empate sem gols confirma o São Paulo como força do grupo nesta Sul-Americana. Com 7 pontos em três rodadas, o time de Roger Machado mantém vantagem sobre os rivais diretos e preserva o controle do próprio destino na luta pela vaga na fase mata-mata. O Millonarios, agora com 4 pontos e em terceiro lugar, segue vivo e transforma cada jogo em decisão.

O desempenho, porém, expõe problemas claros na criação tricolor. O meio-campo não encontra a melhor engrenagem. Falta sintonia entre jogadores como Luan, mais preso à proteção da zaga, e Gonzalo Tapia, acionado muitas vezes de costas e distante da área. As jogadas se quebram entre a intermediária e a zona de definição, o que limita o número de finalizações claras mesmo em momentos de domínio.

Bobadilla se destaca como exceção. O paraguaio entra, organiza, chega à área e assume o papel de jogador que busca a decisão. Vem de boa sequência e reforça a imagem de peça confiável em jogos grandes. Sua atuação alimenta a expectativa de convocação para a seleção de seu país e abre discussão interna sobre seu espaço entre os titulares.

A arbitragem do paraguaio Juan Benítez vira outro foco da noite. Só no primeiro tempo, três jogadores do São Paulo recebem cartão amarelo: André Silva, Nícolas e Carlos Coronel. Em alguns lances, o critério parece oscilar. Em uma entrada forte sobre Djhordney, a equipe médica do Tricolor sequer é autorizada a entrar em campo. Perto do intervalo, Coronel é advertido por “cera” em reposição de bola, decisão que revolta jogadores e comissão. A queixa, nos bastidores, é de falta de padrão nas marcações.

O Millonarios também sente o peso do resultado. Jogando em casa, com estádio cheio e chance de encostar na liderança, o time colombiano deixa o campo com a sensação de oportunidade perdida. A equipe cria volume na segunda etapa, mas para em Coronel e na própria ansiedade na hora de finalizar.

Grupo embolado e cobranças por evolução ofensiva

A tabela do grupo ganha contornos de decisão a cada rodada. O São Paulo, com 7 pontos, ainda conduz a chave e reforça a condição de favorito à classificação. O Millonarios, em terceiro com 4, depende de uma reação imediata para não se complicar na disputa com o vice-líder. A diferença de três pontos entre líder e perseguidor mantém o torneio aberto e transforma os confrontos diretos em finais antecipadas.

No Morumbi, a análise é pragmática. O empate fora de casa, na altitude e diante de rival tradicional, é visto como resultado aceitável. A atuação, no entanto, alimenta cobranças por mais agressividade. A comissão técnica reconhece que o time precisa produzir mais ofensivamente, aproximar meio e ataque e aproveitar melhor momentos de controle, como os 20 minutos iniciais em Bogotá.

Para o torcedor colombiano, o 0 a 0 representa ao mesmo tempo frustração e alívio. Frustração pela chance desperdiçada de vencer o líder dentro de casa. Alívio por manter vivas as chances de classificação, sustentadas pelos 4 pontos e pelo desempenho competitivo diante de um adversário mais rico e com elenco mais profundo.

As próximas rodadas prometem elevar a temperatura do grupo. O São Paulo volta a campo pressionado a transformar controle em gols e a reduzir a dependência de lampejos individuais, como os de Bobadilla. O Millonarios joga cada partida como decisão, sem margem para tropeços. A arbitragem desta terça, contestada de forma aberta no gramado, também entra no radar e tende a alimentar o debate sobre critérios e preparo em torneios continentais.

O 0 a 0 em Bogotá preserva a liderança tricolor, mas não encerra as dúvidas. A pergunta que fica para as próximas semanas é simples e incômoda: o São Paulo consegue manter o topo do grupo jogando tão pouco perto do gol adversário?

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