Santos enfrenta Bahia em Salvador sem Neymar, Gabigol e Brazão
Mergulhado em crise, o Santos enfrenta o Bahia neste sábado (25), na Arena Fonte Nova, em Salvador, sem Neymar, Gabigol e o goleiro Gabriel Brazão. A partida é válida pelo Campeonato Brasileiro e abre uma série de quatro compromissos como visitante.
Santos chega desfalcado e sob pressão
O time desembarca em Salvador pressionado por resultados ruins no Brasileirão e na Copa Sul-Americana. A equipe ainda sente o empate em casa com o Coritiba, na quarta-feira (22), que expôs fragilidades técnicas e psicológicas do elenco. A zona de rebaixamento volta a aparecer no retrovisor e transforma a partida com o Bahia em teste imediato de sobrevivência.
O técnico Cuca precisa remontar praticamente meio time. A comissão técnica preserva Neymar para reduzir o desgaste físico em meio ao calendário apertado, enquanto Gabigol cumpre suspensão. Sem seus dois principais nomes de ataque, o Santos perde referência técnica, poder de decisão e capacidade de segurar a bola no campo ofensivo. O treinador admite, nos bastidores, que o plano de jogo precisa mudar para evitar uma equipe exposta e previsível.
Ausências em série mudam a escalação
A situação de Brazão pesa por um motivo diferente. O goleiro segue fora após a morte do pai, na segunda-feira (20). Mesmo liberado para treinar, ele ouviu de Cuca que teria mais tempo antes de voltar. “É um momento delicado, o lado humano vem primeiro”, diz um membro da comissão técnica, em conversa reservada no CT Rei Pelé. O clube compreende o impacto emocional e evita transformar o retorno em pressão adicional.
Na prática, Diógenes e João Pedro ficam como opções no gol em Salvador. No meio, Willian Arão, substituído no intervalo contra o Coritiba, também é poupado para não agravar o desgaste físico. A lista de ausências cresce com Igor Vinícius e Gustavinho, suspensos pelo terceiro cartão amarelo, além de Vinícius Lira e Gabriel Menino, que seguem em tratamento no departamento médico.
Cuca tenta organizar o time com o que tem à disposição. Entre os defensores, aparecem Mayke, Escobar e Rafael Gonzaga nas laterais, além de Lucas Veríssimo, Luan Peres, João Ananias e Adonis Frías na zaga. No meio-campo, o treinador trabalha com João Schmidt, Tomás Rincón, Christian Oliva, Gabriel Bontempo, Miguelito e Rollheiser para encontrar um equilíbrio entre marcação e criação.
No ataque, a boa notícia é o retorno de Rony, recuperado de torção no tornozelo direito. Ele volta a ser opção ao lado de Robinho Jr., Thaciano, Lautaro Díaz, Moisés, Barreal e Mateus Xavier. A tendência é de um time mais reativo, com linhas compactas e saída rápida em velocidade pelos lados. A ausência de Neymar e Gabigol obriga Cuca a distribuir a responsabilidade pelos gols, em vez de esperar um lance individual que resolva a partida.
Crise, tabela apertada e risco esportivo
O confronto na Arena Fonte Nova inaugura uma sequência de quatro jogos fora de casa. Serão duas partidas pelo Campeonato Brasileiro e duas pela Copa Sul-Americana, todas com impacto direto no futuro imediato do clube. A diretoria considera essa série como um divisor de águas na temporada, em um momento em que o orçamento já sente a queda de receitas de bilheteria e premiações.
Hoje, o Santos ainda luta para se afastar da zona de rebaixamento. A pontuação curta deixa o time vulnerável a qualquer sequência negativa. Uma derrota em Salvador, somada a tropeços nos jogos seguintes, pode recolocar o clube entre os últimos colocados e aumentar o clima de desconfiança na Vila Belmiro. A Sul-Americana também está em risco: um resultado ruim fora de casa pode aproximar o time de uma eliminação precoce na fase de grupos.
O elenco sente o ambiente pesado. Jogadores mais jovens convivem com vaias, cobrança diária nas redes sociais e questionamentos internos sobre a montagem do grupo. Integrantes da comissão técnica admitem que a palavra “rebaixamento” volta às conversas. O histórico recente, com o trauma da queda em temporadas anteriores, ainda paira sobre o vestiário e influencia o humor da torcida.
No campo político, dirigentes acompanham de perto cada passo. A sequência negativa pode acelerar mudanças na comissão técnica e em cargos do futebol. Uma reação, por outro lado, tende a dar fôlego ao trabalho atual e reforçar o discurso de reconstrução gradual. A partida contra o Bahia funciona, assim, como termômetro da relação entre campo e arquibancada.
Sequência decisiva e futuro em aberto
O Santos treina a portas fechadas e tenta blindar o grupo antes da viagem. A ideia é reduzir o barulho externo e transformar o incômodo em motivação. Lideranças do elenco cobram concentração máxima nos primeiros minutos em Salvador, justamente para evitar o cenário recente de gols sofridos cedo e necessidade de correr atrás do placar.
A Série A ainda está no início, mas o próximo mês parece maior do que o calendário indica. Os quatro duelos como visitante podem reposicionar o clube na tabela ou aprofundar a crise esportiva e financeira. Em campo, um Santos sem Neymar, Gabigol e Brazão tenta descobrir novas referências. Fora dele, a torcida observa à distância e espera a resposta básica que sustenta qualquer grande clube: ainda é possível confiar neste time?
