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Polícia do RJ apreende 200 mil figurinhas falsas do álbum da Copa

A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreende, na noite desta quinta-feira (21), cerca de 200 mil figurinhas falsificadas do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A operação também recolhe milhares de camisetas e bonés piratas da seleção brasileira que seriam distribuídos para outras cidades do estado.

Operação mira rede que abastece comércio informal

A ação ocorre em meio à corrida dos torcedores pelo álbum da Copa, que volta a movimentar bancas e lojas de brinquedos. Investigadores da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial monitoram há semanas o fluxo de mercadorias suspeitas que saem da Baixada rumo à capital e a outros municípios. Nesta quinta, a equipe intercepta um coletivo que deixa Nova Iguaçu carregado de caixas com figurinhas, camisetas e bonés sem qualquer nota fiscal.

Dentro do veículo, os agentes encontram pacotes empilhados do chão ao teto. Em vídeo divulgado nas redes sociais da corporação, o delegado responsável aponta diferenças visíveis entre o produto oficial e o falsificado. Ele destaca que as figurinhas originais têm preço tabelado pela editora e alerta: “se o consumidor encontrar pacote muito mais barato, é sinal de alerta”. A recomendação é que a compra seja feita em pontos autorizados, como bancas credenciadas e grandes redes varejistas.

Além do preço, a Polícia Civil orienta pais e colecionadores a observar a qualidade da impressão e da embalagem. As falsificadas, segundo o delegado, são mais opacas e perdem brilho já no primeiro manuseio. O papel que envolve os envelopes é mais grosso e poroso, diferente do material liso usado nas versões originais. “A diferença salta aos olhos quando colocamos lado a lado”, afirma o investigador no vídeo.

Cresce pressão sobre mercado paralelo da Copa

A apreensão de 200 mil figurinhas expõe a dimensão do mercado paralelo que tenta se aproveitar da Copa do Mundo para lucrar em cima do entusiasmo do torcedor. Órgãos de defesa do consumidor registram aumento de reclamações sobre álbuns e pacotes irregulares desde o início da pré-venda. Em levantamento recente, o Procon aponta salto de 220% nas queixas relacionadas ao produto oficial, que vão de dificuldades de entrega à suspeita de falsificação.

A falsificação atinge principalmente famílias que veem no álbum uma experiência coletiva com crianças e adolescentes. Muitos compram grandes quantidades de pacotes ao longo de semanas, sem perceber que parte do material não é original. O prejuízo não é só financeiro. Figurinhas piratas costumam ter menor durabilidade, podem descolar com facilidade e muitas vezes nem encaixam direito na moldura do álbum, o que frustra o colecionador.

Os itens falsos também pressionam o comércio regular, que segue preços e regras de distribuição definidos pela editora. Vendedores formais relatam concorrência desleal de ambulantes e pontos improvisados, onde os pacotes aparecem com descontos agressivos. Investigações como a desta quinta miram justamente esse corredor clandestino de distribuição, que usa ônibus, vans e até carros de aplicativo para pulverizar o produto em diferentes cidades.

As camisetas e bonés da seleção brasileira apreendidos no coletivo seguem a mesma lógica. Produzidos sem controle de qualidade e fora das normas de segurança, esses itens podem usar tintas e tecidos de origem desconhecida. A Polícia Civil lembra que, além de crime contra a propriedade intelectual, a comercialização desses produtos coloca o consumidor em risco e dribla a arrecadação de impostos.

Investigação mira fabricantes e novos alvos

O material apreendido passa por perícia e, depois, será inutilizado, de acordo com a corporação. A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial concentra agora esforços em identificar quem fabrica e quem financia a distribuição das figurinhas e dos artigos de vestuário. A expectativa é chegar a depósitos e gráficas que atuam em larga escala, abastecendo camelôs e vendedores informais em diferentes regiões do estado.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que a carga interceptada em Nova Iguaçu seria apenas uma fração do que já circula no mercado paralelo às vésperas da Copa. A tendência é de que novas operações ocorram nas próximas semanas, em terminais rodoviários, centros de distribuição clandestinos e áreas de grande movimento comercial. Ao consumidor, a mensagem é direta: desconfiar de preços muito abaixo da média, examinar a qualidade do produto e, em caso de suspeita, acionar a polícia ou órgãos de defesa do consumidor.

O avanço das investigações deve definir se o esquema tem ramificações nacionais e se há participação de quadrilhas especializadas em falsificação de produtos esportivos. Com a Copa de 2026 no horizonte e a demanda por itens oficiais em alta, a disputa entre o mercado regular e o comércio pirata entra em nova fase. Resta saber se a repressão conseguirá acompanhar o ritmo do entusiasmo do torcedor brasileiro diante do principal evento do futebol mundial.

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