Polícia Civil cumpre mandado na casa de Maria do Carmo após Justiça autorizar buscas no Amazonas
Ex-candidata ao governo é investigada por suposta divulgação de conteúdo envolvendo a filha adolescente de Omar Aziz; defesa apresentou habeas corpus para evitar eventual prisão.

A Polícia Civil do Amazonas cumpre, nesta sexta-feira (6), um mandado de busca e apreensão na residência da empresária Maria do Carmo Seffair (PL), ex-candidata ao Governo do Estado. A diligência ocorre no âmbito de uma investigação sobre a divulgação de vídeos durante a campanha eleitoral de 2026 que utilizaram imagens da filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD). A ação foi informada pela equipe de reportagem do NC News, que acompanha a movimentação policial.
A operação acontece depois que o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) derrubou uma decisão que havia suspendido as buscas contra a empresária. Na terça-feira (3), o desembargador Paulo Feitoza restabeleceu a autorização para apreensão de equipamentos eletrônicos e acesso a dados telemáticos relacionados à investigação.
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Na quarta-feira (4), a defesa de Maria do Carmo apresentou um novo habeas corpus preventivo para tentar impedir uma eventual prisão. Os advogados afirmam temer que uma medida dessa natureza seja solicitada, mas não apresentaram comprovação da existência de um mandado de prisão expedido contra a empresária.
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A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), responsável por apurar possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O procedimento começou após uma denúncia apresentada por Omar Aziz sobre a circulação de conteúdos digitais durante a reta final do segundo turno das eleições estaduais.
Segundo as informações reunidas na investigação, um dos vídeos utilizava imagens da filha adolescente do político e associava o então candidato a acusações de natureza sexual.
A Polícia Civil busca identificar quem participou da produção, manipulação e divulgação dos materiais.
Os investigadores apuram possíveis infrações previstas nos artigos 241-A e 241-C do ECA, relacionados à divulgação de material de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes e à simulação de participação de menores em cenas de conteúdo sexual.
A existência da investigação não significa que Maria do Carmo tenha cometido esses crimes. A eventual responsabilidade da empresária dependerá da análise das provas.
Decisão anterior havia suspendido operação
Em 30 de outubro, a desembargadora Onilza Abreu Gerth concedeu uma liminar que suspendeu temporariamente o mandado de busca e apreensão contra Maria do Carmo.
A decisão foi tomada durante o plantão judiciário de segundo grau, após a defesa questionar a necessidade das diligências.
Os advogados argumentaram que a empresária havia comparecido espontaneamente à delegacia em 29 de outubro e se colocado à disposição para fornecer aparelhos eletrônicos que pudessem contribuir com a investigação.
A defesa também alegou que não havia recebido acesso suficiente aos fundamentos da decisão judicial e questionou a competência da Justiça estadual para analisar fatos ocorridos durante a campanha eleitoral.
Entretanto, na terça-feira (3), o desembargador Paulo Feitoza reavaliou o caso e revogou a liminar.
O magistrado considerou que não havia elementos suficientes para reconhecer ilegalidade ou abuso de poder na autorização original das buscas.
Na avaliação do relator, a entrega voluntária de aparelhos escolhidos pela própria investigada não substitui uma diligência mais ampla, especialmente quando há necessidade de preservar possíveis provas digitais.
A decisão também destacou que mensagens, arquivos e outros registros eletrônicos podem ser apagados ou alterados, justificando medidas destinadas à preservação dos dados.
Defesa tenta impedir eventual prisão da empresária
Depois que a Justiça restabeleceu a autorização das buscas, os advogados de Maria do Carmo apresentaram outro pedido de habeas corpus ao TJAM.
Dessa vez, a solicitação tem como objetivo evitar uma eventual prisão preventiva ou temporária no decorrer da investigação.
Segundo a defesa, surgiram informações sobre a possibilidade de uma medida judicial contra a liberdade da ex-candidata.
Os advogados pediram que a Justiça conceda um salvo-conduto e solicite esclarecimentos às autoridades sobre a existência de eventual ordem de prisão.
O pedido, entretanto, não apresentou comprovação de que a prisão tenha sido formalmente requerida ou decretada.
A defesa também argumenta que Maria do Carmo tem colaborado com as investigações e que sua decisão de não comparecer a um interrogatório não pode ser interpretada como resistência à atuação policial.
Os advogados sustentam que a investigada possui o direito constitucional de permanecer em silêncio e de não produzir provas contra si mesma.
Maria do Carmo disse que aguardava policiais em casa
Na quinta-feira (5), Maria do Carmo publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que estava em sua residência, aguardando o cumprimento da ordem de busca e apreensão.
Na gravação, a empresária também declarou confiar na Justiça.
“Eu estou aqui na minha casa, no meu escritório, aguardando a busca e a apreensão que foi anunciada por todos os portais e blogs.”
A manifestação ocorreu em meio à repercussão das decisões judiciais e ao novo pedido apresentado por seus advogados.
A defesa afirma que Maria do Carmo não participou da produção dos conteúdos investigados e que não compactua com ataques envolvendo crianças ou adolescentes.
Os representantes jurídicos também questionaram a divulgação de informações de um procedimento que tramita sob sigilo.
Segundo os advogados, a exposição de elementos da investigação pode prejudicar a apuração e provocar julgamentos antecipados sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Outros integrantes da campanha também foram alvo de buscas
A investigação já havia resultado em diligências contra profissionais que participaram da campanha de Maria do Carmo ao Governo do Amazonas.
Entre os envolvidos estão o jornalista Jefferson Coronel e o publicitário George Wilde, que trabalharam na estrutura de comunicação da candidatura.
Em outubro, a Polícia Civil realizou buscas em endereços de Manaus e São Paulo para reunir informações sobre a origem e a divulgação dos conteúdos investigados.
Jefferson Coronel negou participação na produção dos vídeos e afirmou que sua atuação na campanha estava relacionada à assessoria de imprensa e à preparação da candidata para debates eleitorais.
A inclusão dos profissionais na investigação não comprova envolvimento em eventuais crimes. A Polícia Civil deverá esclarecer a participação individual de cada pessoa.
Próximos passos
Com a autorização judicial restabelecida, a Polícia Civil poderá analisar os equipamentos e documentos obtidos nas diligências, respeitando os limites estabelecidos pela Justiça.
Até a última atualização, não havia confirmação independente sobre quais materiais foram apreendidos na residência de Maria do Carmo nesta sexta-feira.
O Tribunal de Justiça do Amazonas também deverá analisar o habeas corpus preventivo apresentado pela defesa para impedir uma eventual prisão.
A investigação continua sob sigilo por envolver uma adolescente e busca esclarecer a autoria, a produção e a divulgação dos vídeos que motivaram a denúncia.
Maria do Carmo permanece na condição de investigada. Até o momento, não há decisão judicial definitiva que estabeleça sua responsabilidade criminal.


