PF investiga se Flávio Bolsonaro fugiu à Argentina antes do STF
Apuração da PF busca esclarecer se senador tentou deixar o país após decisão do STF sobre seus passaportes.

A Polícia Federal investiga, nesta terça-feira (27/10), se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina para tentar embarcar em um jato particular rumo a Miami, depois de ser intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a entregar todos os seus passaportes em 24 horas. Aliados negam a fuga, autoridades argentinas dizem não ter registro de sua entrada e, por enquanto, não há confirmação oficial de que ele tenha saído do país.
PF rastreia fronteira após relato de voo a Miami
A checagem da PF começou na madrugada e na manhã de hoje, depois que o site argentino Infobae publicou que Flávio Bolsonaro teria cruzado a fronteira para a Argentina usando documento de identidade e seguiria de Puerto Iguazú, na província de Misiones, para os Estados Unidos em um voo privado.
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Segundo integrantes da cúpula da PF, não há registro recente do senador em pontos regulares de migração brasileira. Internamente, investigadores admitem a possibilidade de travessia por rota não fiscalizada na fronteira, hipótese que está sendo analisada com imagens, registros locais e dados de deslocamento na região.
O caso estoura dois dias após a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial e no momento em que ele é pressionado a cumprir a ordem de Moraes para entregar passaportes brasileiros e de outras nacionalidades à PF.
Autoridades argentinas negam entrada de Flávio
Diante da repercussão, a PF pediu informações oficiais a órgãos de controle migratório da Argentina e passou a acompanhar os relatos sobre um jato executivo no aeroporto de Puerto Iguazú.
Em nota conjunta divulgada no fim da manhã, a Direção Nacional de Imigração e a Casa Rosada afirmaram não ter encontrado qualquer registro de entrada do senador no país. Os órgãos disseram ainda que, após a polêmica, fiscalizaram a aeronave e a tripulação ligadas ao caso.
“Por fim, constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro”, diz o comunicado das autoridades argentinas.
A nota confirma que o jato da empresa Baires Fly SA, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, foi alvo de inspeção. A companhia havia solicitado liberação alfandegária e de imigração para 4 passageiros e 3 tripulantes em um voo internacional que partiria de Puerto Iguazú às 2h da manhã, no horário local.
Voo privado foi cancelado e avião ficou retido
Relatos da imprensa regional em Misiones indicam que a Administração Nacional de Aviação Civil da Argentina negou, inicialmente, a autorização técnica de decolagem, o que teria gerado discussões entre o comandante da aeronave e inspetores. A ordem foi manter o jato em solo até o cumprimento de todas as exigências para o trajeto internacional.
Fontes ligadas à Polícia de Segurança Aeroportuária informaram que a decolagem prevista para as 2h acabou cancelada. Uma das versões é que um dos passageiros não se apresentou e que a lista de viajantes nunca chegou formalmente ao serviço de Imigração e Alfândega.
Até o fim da manhã, o avião continuava em Puerto Iguazú, com pilotos argentinos, sem confirmação pública de novo plano de voo. A empresa Baires Fly SA não divulgou, até agora, quem seriam os passageiros esperados para o trecho rumo a Miami.
Aliados negam saída e Flávio segue em silêncio
Enquanto a PF cruza dados com a Argentina, aliados tentam localizar o senador. Pessoas próximas dizem que ele não atendeu a telefonemas de integrantes da campanha nem de advogados desde a noite de ontem.
Questionado se Flávio Bolsonaro deixou o país, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha, foi categórico. “Não saiu”, afirmou pela manhã, reforçando que o parlamentar permanece em território brasileiro.
Na noite de segunda-feira, por volta de 20h, um comboio deixou a casa de Flávio no Lago Sul, em Brasília. Não há confirmação se o senador ou familiares estavam em algum dos veículos, e a assessoria do parlamentar não respondeu aos contatos da imprensa ao longo do dia.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não se manifestou em redes sociais nem por meio de nota oficial sobre a suspeita de fuga, a investigação da PF ou o cumprimento da ordem de entrega dos passaportes.
Entenda o contexto
A apuração sobre a possível saída de Flávio ocorre em meio a dois inquéritos abertos contra ele no Supremo Tribunal Federal. Em um, o senador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas, ao lado do advogado Willer Tomaz. Em outro, é alvo de investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse todos os seus passaportes à PF em 24 horas, como medida cautelar nesses procedimentos. A defesa combinou que faria a entrega nesta manhã, mas, até agora, os documentos não foram apresentados, segundo relatos internos.
A suspeita de que o senador pudesse tentar deixar o país após a derrota eleitoral e a determinação do STF levou a uma corrida de órgãos de investigação e controle de fronteiras para confirmar sua localização. O episódio ganhou destaque em veículos internacionais que acompanharam a eleição brasileira e a situação da família Bolsonaro.
Impacto político e próximos passos da investigação
A possibilidade de que um senador sob investigação tenha tentado driblar o controle migratório aumenta a pressão sobre o Supremo e a PF para dar uma resposta rápida. Se a tentativa de saída clandestina for comprovada, Moraes pode endurecer as medidas cautelares, o que incluiria desde novas restrições de movimentação até pedidos mais duros no âmbito dos inquéritos.
Internamente, o caso preocupa lideranças do PL, que veem risco de desgaste prolongado para o partido e para o campo bolsonarista, já fragilizado pela derrota nas urnas. A suspeita de fuga tende a alimentar discursos de adversários e a dificultar a reorganização da sigla no Congresso.
Na fronteira e na aviação privada, o episódio acende alerta para eventuais brechas em inspeções de jatos executivos e controle de passageiros, especialmente em rotas usadas por brasileiros rumo aos Estados Unidos. A repercussão pode levar a reforço temporário de fiscalização em aeroportos regionais e pontos sensíveis entre Brasil e Argentina.
A PF mantém a investigação aberta e, nas próximas horas, deve consolidar informações de registros migratórios, imagens de câmeras, dados de radar e respostas formais da Argentina. A partir desse material, o relatório inicial será encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, que decidirá sobre novas medidas no processo que cerca o senador Flávio Bolsonaro.

