Impressões digitais de 2,2 mil anos revelam quem pode ter construído o Exército de Terracota
Estudo identificou marcas que podem ter sido deixadas por homens, mulheres e crianças durante a fabricação das famosas estátuas chinesas.

Impressões digitais preservadas por mais de 2,2 mil anos nas estátuas do Exército de Terracota, na China, estão ajudando pesquisadores a descobrir quem participou da construção do monumento. Uma nova pesquisa identificou marcas que podem ter sido deixadas por homens adultos, mulheres e crianças durante a produção das esculturas.
O estudo, publicado no periódico científico Journal of Cultural Heritage em outubro de 2026, desafia a ideia de que o trabalho teria sido realizado exclusivamente por homens adultos. Os resultados indicam que as oficinas da antiga dinastia Qin podem ter reunido pessoas de diferentes idades e sexos.
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O que as impressões digitais revelaram
Os pesquisadores analisaram 79 impressões digitais preservadas em 36 estátuas de guerreiros encontradas em uma mesma área de escavação. As marcas foram deixadas acidentalmente enquanto os trabalhadores moldavam, ajustavam e decoravam as figuras de argila.
Por meio de um modelo estatístico que considera características das linhas das impressões digitais, a equipe estimou que cerca de 45% das marcas seriam de homens adultos, 32,7% de mulheres adultas e 22,3% de menores de 15 anos.
Esses números, porém, não representam a proporção exata de trabalhadores. Uma mesma pessoa pode ter deixado diversas impressões, enquanto outras podem não ter deixado nenhuma marca identificável. Por isso, os percentuais indicam a distribuição estimada das impressões analisadas, e não a quantidade de indivíduos envolvidos na obra.
Crianças podem ter atuado como aprendizes
A presença de impressões atribuídas a jovens levanta a possibilidade de que crianças e adolescentes tenham participado da produção das esculturas como ajudantes ou aprendizes. Registros históricos da dinastia Qin descrevem sistemas de aprendizagem artesanal, nos quais pessoas mais jovens recebiam treinamento para exercer determinadas atividades.
Os pesquisadores consideram que aprendizes poderiam ter ficado responsáveis por tarefas mais simples, como a aplicação de detalhes decorativos nas armaduras, enquanto artesãos experientes executavam etapas mais complexas.
A participação feminina também encontra possíveis paralelos em registros históricos que documentam mulheres trabalhando em oficinas supervisionadas pelo Estado durante a dinastia Qin. Ainda assim, as impressões digitais, sozinhas, não permitem reconstruir com precisão a divisão de tarefas entre os trabalhadores.
Por que a descoberta é importante?
Durante muito tempo, a produção do Exército de Terracota foi associada principalmente ao trabalho de homens adultos. A nova pesquisa apresenta evidências biológicas que apontam para uma força de trabalho potencialmente mais diversa, ampliando o conhecimento sobre a organização das oficinas responsáveis pelo monumento.
Os autores ressaltam, no entanto, que a análise tem limitações. As marcas estudadas vieram de apenas uma área do sítio arqueológico, e as características das impressões de adolescentes podem se parecer com as de mulheres adultas. O encolhimento da argila durante a secagem e a queima também dificulta as estimativas.
O que é o Exército de Terracota?
O Exército de Terracota é um conjunto de milhares de esculturas de argila em tamanho real, criado para acompanhar o imperador Qin Shi Huang após sua morte. O governante unificou territórios chineses e se tornou o primeiro imperador da China, em 221 a.C.
O complexo arqueológico foi descoberto em 1974, quando agricultores escavavam um poço na província de Shaanxi. Desde então, pesquisadores encontraram cerca de 8 mil figuras de soldados, além de cavalos, carros de guerra e outras esculturas. O local foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1987.
As pequenas marcas deixadas na argila há mais de dois milênios oferecem, assim, novas pistas sobre as pessoas que ajudaram a criar um dos conjuntos arqueológicos mais conhecidos do mundo.


