PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime financeiro
Ex-ministro da Economia prestou consultoria à empresa de criptoativos, que enfrenta ações de investidores com dificuldades para recuperar valores aplicados. Inquérito tramita sob sigilo no Paraná.

A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da empresa OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito foi aberto em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná.
A apuração envolve a relação de Guedes com a empresa, que atua no mercado de ativos digitais e enfrenta processos judiciais movidos por investidores que relatam dificuldades para recuperar o dinheiro aplicado. A investigação é conduzida pela PF no Paraná, com participação do Ministério Público Federal (MPF).
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Até o momento, as informações divulgadas não detalham publicamente quais condutas específicas são atribuídas a cada investigado. A inclusão no inquérito não representa, por si só, comprovação de irregularidade ou culpa.
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Relação de Paulo Guedes com a OnilX
Segundo fontes, Guedes prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas e de eventos voltados a investidores. A empresa também utilizou a imagem do ex-ministro em materiais de divulgação.
Em uma publicação da própria companhia, Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em um encontro apresentado como estratégico para os negócios. O ex-ministro também participou de uma palestra para investidores e assessores, ocasião em que fez comentários favoráveis à atuação da empresa no mercado digital.
Segundo a reportagem, a OnilX divulgava produtos relacionados a criptomoedas com promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. A associação com uma figura que comandou a equipe econômica do governo federal entre 2019 e 2022 também foi mencionada em processos judiciais envolvendo clientes da companhia.

Investidores relatam dificuldade para resgatar valores
Um casal que cobra R$ 876,5 mil da OnilX afirmou à Justiça que decidiu manter e ampliar os investimentos após participar de uma reunião com Guedes na sede da empresa, em abril. Conforme o relato dos investidores, meses depois houve uma tentativa frustrada de resgatar os valores.
Em outro processo, uma mensagem atribuída a uma assessora da empresa mencionava Guedes ao tentar atrair um potencial cliente. O material citado na reportagem indicava a possibilidade de uma reunião para discutir estratégias de investimento com pessoas que dispusessem de milhões de reais para aplicar.
Esses relatos fazem parte de documentos e alegações apresentados em processos judiciais. Eles não comprovam, isoladamente, que Guedes tivesse conhecimento de eventuais irregularidades ou que tenha participado de alguma prática criminosa.
CVM determinou restrições a ofertas do grupo
A OnilX também passou a enfrentar questionamentos regulatórios. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou, em janeiro de 2026, a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, a decisão foi mantida, com esclarecimento sobre o alcance da medida em relação à simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
A reportagem informou ainda ter identificado 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Entre as queixas estão dificuldades para recuperar valores aplicados em produtos associados a criptomoedas e stablecoins.
A existência de processos e de medidas regulatórias, contudo, não equivale a uma condenação criminal. As responsabilidades de cada envolvido dependem da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.

Inquérito segue sob sigilo
O inquérito foi registrado em 10 de fevereiro de 2026 na 9ª Vara Federal de Curitiba. O caso está relacionado a possíveis crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Conforme a reportagem, houve movimentações processuais em setembro e outubro, incluindo diligências policiais. Como o procedimento corre sob sigilo, os detalhes da investigação não estão integralmente disponíveis ao público.
A defesa de Paulo Guedes não se pronunciou. A OnilX nega as acusações e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. O caso segue em investigação, sem que a suspeita divulgada possa ser tratada como culpa comprovada.

