Palmeiras fecha plano da janela e segura aposta em Nino para o futuro
O Palmeiras define o plano para a janela de transferências de 2026, mantém Nino no radar e descarta ir ao mercado por laterais em meio ao foco total na Libertadores.
Janela sob controle e prioridade clara
O desenho da próxima janela no Allianz Parque nasce menos barulhento e mais estratégico. A direção já sinaliza que não pretende abrir novas frentes nas laterais, mesmo após uma sequência de lesões e oscilações no setor. O esforço financeiro e político se concentra em manter o elenco competitivo, administrar a valorização da moeda estrangeira e escolher com cuidado onde vale gastar.
Leila Pereira coloca a Libertadores no centro do projeto. Em entrevistas recentes, a presidente classifica como “inconcebível” a ideia de o time não avançar de fase no torneio continental em 2026. O recado interno é direto: a janela serve para ajustar o time de Abel Ferreira ao nível de exigência da competição, não para entrar em leilões ou responder a cada oferta que surge no mercado.
Danilo no radar, sem leilão; Barboza já garantido
O caso de Danilo expõe o grau de cautela da cúpula alviverde. Publicamente, Leila nega qualquer negociação em andamento com o Botafogo, mas admite que o volante, formado na Academia, segue monitorado. “O Danilo é um atleta que não só o Palmeiras, mas vários clubes, eu não tenho dúvida nenhuma, têm interesse. É um grande atleta, é um jogador que foi criado por nós, no Palmeiras. Eu gostaria, claro que sim, ele só viria a fortalecer ainda mais o nosso elenco, mas não tem nenhuma conversa ainda”, afirma a dirigente.
Nos bastidores, o clube já buscou informações sobre a situação do jogador, hoje afastado pela diretoria alvinegra. A hesitação não é técnica, e sim financeira. A participação do atleta no Mundial tende a inflar o preço em euro e dólar, num cenário em que cada R$ 0,10 de oscilação da moeda muda a conta. A posição interna é clara: se Botafogo e representantes mirarem o mercado externo, o Palmeiras não acompanha a escalada. A ordem é não repetir disputas que levaram negócios recentes a patamares acima de R$ 80 milhões.
Enquanto observa Danilo, o Palmeiras age com mais firmeza na defesa. A contratação de Alexander Barboza, do Botafogo, já está sacramentada para o segundo semestre. O zagueiro, que custou cerca de R$ 20 milhões aos cofres alviverdes na operação com a SAF carioca, chega para disputar titularidade direta com Murilo e dividir responsabilidades com Gustavo Gómez. A direção admite que o movimento antecipa uma renovação gradual do sistema defensivo, sem ruptura brusca.
Nino volta à pauta, mas sem urgência
A chegada de Barboza não encerra o capítulo da zaga. Nino, hoje no Zenit, continua como alvo de médio prazo. O nome perde prioridade imediata depois da operação com o Botafogo, porém os contatos são retomados com a iminente abertura da janela internacional. O Palmeiras prefere manter a porta aberta, medir o apetite do clube russo e entender até onde a concorrência europeia pode inflar a negociação.
Abel Ferreira hoje trabalha com Gustavo Gómez e Murilo como dupla titular, Bruno Fuchs como primeira opção no banco e os jovens Benedetti e Koné na fila seguinte. Barboza passa a integrar esse grupo apenas na segunda metade da temporada, após o reabrir formal da janela. A leitura da comissão técnica é que o elenco suporta a maratona até lá, desde que não haja uma sequência de lesões em série.
Laterais blindadas e confiança nas pratas da casa
O desenho nas laterais segue outro roteiro. Mesmo com o desgaste recente nas duas faixas do campo, a diretoria descarta investir na posição. No lado direito, o clube já promoveu uma reformulação profunda, com as saídas de Marcos Rocha e Mayke e a chegada de Khellven, visto internamente como solução de médio prazo. No lado esquerdo, Joaquín Piquerez mantém o status de titular absoluto, amparado por desempenho consolidado em mata-matas e convocações para a seleção uruguaia.
O reserva imediato, Jefté, volta do futebol escocês e encontra um cenário de maior competição interna. Arthur, revelado nas categorias de base e promovido ao profissional no início do ano, ganha espaço e assume a vaga durante a lesão de Piquerez. A confiança no garoto, somada à recuperação do uruguaio em tempo para a Copa do Mundo, sustenta a decisão de não buscar mais um nome no mercado. O recado para a base é direto: há caminho real até o time principal.
Mercado em reação e pressão por resultados
A postura do Palmeiras mexe com o tabuleiro nacional. Ao sinalizar que não entra em leilão por Danilo e não corre atrás de laterais, o clube empurra outros candidatos a gastar mais para preencher essas lacunas. Rivais que miram os mesmos atletas perdem o referencial de preço que o Palmeiras costuma oferecer pela força de caixa e pela regularidade de conquistas desde 2015.
O efeito se espalha pelo vestiário. Jogadores hoje no elenco entendem que a diretoria não planeja uma ruptura imediata. A mensagem para Abel Ferreira é de continuidade, mas acompanhada de cobrança. Em 2026, o treinador encara, segundo avaliação interna, o maior desafio desde que chegou ao clube: manter o time competitivo após seguidas temporadas de calendário cheio, com decisões de Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.
Libertadores no horizonte e margem de manobra
O plano traçado para a janela se ancora na Libertadores. A prioridade declarada por Leila, que fala em ser “inconcebível” não avançar, condiciona cada passo. A escolha por não multiplicar contratações preserva espaço na folha salarial, abre margem para uma eventual investida pontual por Nino e deixa em aberto uma última cartada por Danilo, caso o mercado internacional recue.
As próximas semanas definem até onde o Palmeiras está disposto a ir. A condução da janela dirá se o clube consegue equilibrar ambição esportiva, disciplina financeira e a pressão de uma torcida que se acostuma a disputar títulos ano após ano. A dúvida que fica é se a aposta na estabilidade, em vez de uma grande revolução no elenco, será suficiente para manter o clube no topo da América.
