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Obras de Aleijadinho deixam Minas pela primeira vez e serão expostas no Vaticano

Três esculturas sacras de igrejas de Ouro Preto, Raposos e Caeté integrarão exposição nos Museus Vaticanos em comemoração aos 200 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé.

Obras de Aleijadinho deixam Minas pela primeira vez e serão expostas no Vaticano

Três esculturas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, deixarão Minas Gerais pela primeira vez para integrar uma exposição nos Museus Vaticanos, na Cidade do Vaticano. As peças, que pertencem a comunidades religiosas de Ouro Preto, Raposos e Caeté, serão apresentadas ao público internacional entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, em uma mostra dedicada ao mestre do Barroco brasileiro.

As obras escolhidas são Sant’Ana Mestra, São Joaquim e São Manuel, todas produzidas em madeira policromada e restauradas em 2021 pela Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte. As esculturas serão exibidas no percurso de visitação dos Museus Vaticanos que conduz à Capela Sistina, um dos espaços artísticos mais conhecidos do mundo.

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Intitulada Antonio Francisco Lisboa, detto Aleijadinho – il Maestro del Barocco Brasiliano, a exposição integra as comemorações dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A iniciativa é realizada pela APPA – Cultura & Patrimônio, em parceria com instituições brasileiras e italianas.

Conheça as três obras de Aleijadinho que serão expostas no Vaticano

As esculturas selecionadas pertencem a igrejas históricas de Minas Gerais e representam personagens da tradição católica. Cada uma apresenta características da produção artística de Aleijadinho, reconhecido pelo trabalho com imagens religiosas, retábulos e elementos decorativos de templos coloniais.

Sant’Ana Mestra

A escultura representa Sant’Ana, mãe da Virgem Maria, sentada em uma cadeira enquanto ensina a filha a ler um livro apoiado sobre o colo.

A obra pertence à Capela de Sant’Ana, na comunidade de Chapada, em Ouro Preto, e é atribuída à passagem do século XVIII para o XIX.

Durante o processo de restauração realizado em Belo Horizonte, os especialistas identificaram detalhes dos olhos, cabelos e sobrancelhas que estavam encobertos por intervenções posteriores. A recuperação permitiu revelar características associadas ao estilo do escultor.

São Joaquim

A imagem de São Joaquim, pai de Maria e avô de Jesus, pertence à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no município de Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A escultura apresenta o santo como um homem idoso, de barba e cabelos grisalhos, apoiado em um cajado.

Durante os estudos de conservação, os restauradores descobriram que a pintura original da peça havia sido removida e substituída por uma nova camada em 1921. A identificação dessa intervenção ajudou a compreender as modificações sofridas pela obra ao longo do tempo.

São Manuel

A terceira escultura pertence à Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Caeté, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A imagem representa São Manuel Mártir, com elementos associados ao seu martírio, incluindo marcas de ferimentos no corpo.

Entre as três peças, a escultura apresenta uma característica importante para os pesquisadores: ainda conserva a pintura original atribuída ao trabalho de Aleijadinho. A composição reúne elementos relacionados ao Rococó, linguagem artística presente em parte da produção do escultor mineiro.

Esculturas passaram por mais de 500 horas de restauração em BH

Antes da viagem ao Vaticano, as três imagens passaram por um trabalho de conservação e pesquisa realizado pela Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, em 2021.

O projeto Aleijadinho, arte revelada: o legado de um restauro reuniu especialistas em um processo que durou cinco meses e envolveu mais de 500 horas de trabalho.

A restauração foi conduzida pelo Grupo Oficina de Restauro, com acompanhamento técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Um dos diferenciais foi a instalação de um ateliê aberto ao público, no qual visitantes puderam acompanhar os procedimentos de limpeza, conservação e recuperação das esculturas.

Além de preservar as imagens, o trabalho permitiu identificar características originais e alterações realizadas em diferentes períodos, contribuindo para o estudo da trajetória das peças.

Exposição celebra 200 anos de relações entre Brasil e Vaticano

A mostra faz parte da programação do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, estabelecidas em 1826, durante o Império de Dom Pedro I.

O projeto também marca os 50 anos da Fiat no Brasil e os 20 anos da Casa Fiat de Cultura, instituição responsável pela restauração das esculturas.

Além das três imagens sacras, a exposição reunirá fotografias de Marcel Gautherot, pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles, com registros das obras de Aleijadinho em Congonhas.

Vídeos sobre a restauração das esculturas e manifestações religiosas ligadas às comunidades mineiras também integrarão a mostra.

A realização é da APPA – Cultura & Patrimônio, com participação do Ministério da Cultura, da Direção dos Museus e dos Bens Culturais, da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé, da Stellantis e da Casa Fiat de Cultura. O projeto conta com apoio de instituições como o Iphan, a Arquidiocese de Belo Horizonte e o Instituto Moreira Salles.

Quando será a exposição de Aleijadinho no Vaticano?

Segundo a programação divulgada pela APPA – Cultura & Patrimônio, a exposição será realizada de 18 de novembro de 2026 a 13 de fevereiro de 2027, nos Museus Vaticanos.

Outras divulgações da mostra indicam o dia 17 de novembro como data de início. A diferença entre os calendários ainda precisa ser esclarecida pela organização.

As esculturas ficarão expostas no complexo de museus, em um percurso que integra o circuito de visitação em direção à Capela Sistina.

O público poderá consultar informações sobre ingressos e horários diretamente nos canais oficiais dos Museus Vaticanos.

A exposição será a primeira apresentação dessas três esculturas fora do Brasil, levando ao público internacional peças que permaneceram por séculos vinculadas às comunidades religiosas de Minas Gerais.

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