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NC Sports

Neymar pai assume CEO do Santos com poder total até 2026

Neymar da Silva Santos assume comando do Santos com foco em gestão e desenvolvimento até o fim de 2026.

Neymar pai assume CEO do Santos com poder total até 2026

Neymar da Silva Santos, o Neymar pai, assumiu nesta sexta-feira (6) o cargo de CEO do Santos e a presidência do Instituto Meninos da Vila, passando a comandar o planejamento estratégico do clube e da base, com poder direto sobre futebol, marketing e captação de recursos para infraestrutura e pagamento de dívidas.

O que aconteceu para o pai de Neymar assumir como CEO do Santos?

Neymar pai foi escolhido CEO do Santos em um acordo entre o presidente Marcelo Teixeira e a NR Sports, empresa da qual é presidente, para preencher um cargo que estava vago desde maio de 2025 e dar fôlego ao planejamento esportivo e financeiro do clube até o fim do ano.

O contrato é válido até 31 de dezembro de 2026 e a permanência a partir de janeiro dependerá do resultado das eleições presidenciais marcadas para 12 de dezembro, nas quais Marcelo Teixeira é candidato à reeleição. Se ele seguir no comando, o plano é manter Neymar pai na função.

Além de CEO do Santos, o empresário passa a presidir o Instituto Meninos da Vila, responsável pela gestão das carreiras de jogadores da base e dos Ídolos Eternos do clube. Na prática, ele concentrará a articulação entre formação de atletas, elenco profissional, ações de marketing e gestão de receitas ligadas às grandes figuras do Santos.

Em comunicado oficial, o clube resumiu a missão do novo executivo: “O empresário terá como principais missões conduzir dos departamentos de marketing e de futebol”. Profissionais considerados estratégicos, como o executivo de futebol Alexandre Mattos e o diretor de marketing Caio Lacerda, serão mantidos para garantir continuidade.

Em vídeo divulgado nas redes sociais do Santos, Neymar pai destacou que a prioridade é blindar o planejamento de interferências políticas internas. “Essa posição está sendo formada para que a gente possa ajudar o Santos nessa reta final de final de ano. Para que a gente possa planejar o Santos para o ano que vem já com as possibilidades que nós temos hoje. Hoje a gente conseguiu formar um clube, formar um elenco bem possível para estar disputando todos os campeonatos que o Santos tem para o ano seguinte. Então, se você não planejar agora e ficar esperando decisões políticas, nós não vamos estar pensando no Santos Futebol Clube”, afirmou o novo CEO.

Gestão, dinheiro novo e base no centro do projeto

A chegada de Neymar pai marca uma tentativa de profissionalizar a gestão do Santos, com foco em decisões técnicas e financeiras e menos espaço para acordos de bastidor típicos da política interna do clube. O movimento não é um passo para transformação em SAF nem sinaliza compra de participação acionária: ele foi contratado como executivo remunerado.

Mesmo antes da nomeação oficial, o empresário já vinha atuando nos bastidores por meio da NR Sports. Ele liderou a negociação que resultou no pagamento de R$ 12 milhões para quitar um transfer ban imposto pela entidade máxima do futebol, em troca da cessão de seis espaços no uniforme alvinegro para a empresa. A operação permitiu ao Santos regularizar inscrições e reduzir pressões esportivas e jurídicas.

Na base, Neymar pai coordenou a captação de R$ 8 milhões para a construção de uma nova estrutura no CT Rei Pelé, voltada às categorias de formação. O próprio Santos reconheceu, em nota, que “Neymar pai já vinha participado ativamente da gestão do Santos de diferentes maneiras. Ele foi o responsável por uma reforma ampla na estrutura das categorias de base do clube”.

Na Vila Belmiro, o executivo articulou reformas em vestiários, pintura de arquibancadas e a criação de um lounge temático nas arquibancadas da Rua José de Alencar, ocupado pela NR Sports, aproximando ainda mais a marca Neymar do ambiente do clube.

Outro trunfo é o controle de ativos de imagem. Além da marca do filho, camisa 10 e ídolo santista, Neymar pai administra a Pelé Brand, ligada ao maior nome da história do clube, adquirida por seu grupo no ano passado. A expectativa na diretoria é que essas duas marcas funcionem como alavancas para novos contratos de patrocínio, ações de marketing e produtos licenciados.

Neymar Jr. também tem sido peça importante no projeto ao atuar diretamente na atração de reforços – participando, por exemplo, da missão de convencer jogadores como Arthur e Philippe Coutinho a defenderem o Santos.

Como a nomeação do pai de Neymar impacta a disputa presidencial no Santos?

O futuro de Neymar pai no cargo está atrelado à eleição presidencial de 12 de dezembro; a continuidade do acordo é condicionada à eventual reeleição de Marcelo Teixeira.

No aspecto político, a nomeação mexe com o tabuleiro interno. Aliados de Teixeira veem na presença de Neymar pai um reforço de peso para o discurso de profissionalização, responsabilidade financeira e fortalecimento da base, em contraste com períodos recentes marcados por instabilidade e vaivém de executivos.

Desde que o último CEO, Pedro Martins, deixou o cargo em maio de 2025, decisões estratégicas vinham sendo tomadas diretamente por Teixeira, ao lado de Alexandre Mattos. A criação da função de CEO, ainda no início da atual gestão, tinha justamente o objetivo de separar a política do dia a dia do futebol – algo que agora ganha nova tentativa de consolidação com um nome de grande apelo público.

Para as chapas de oposição, a presença de Neymar pai aumenta a pressão sobre eventuais futuros presidentes: caso Teixeira não seja eleito, o novo mandatário terá de decidir se mantém o modelo com um CEO forte e ligado à marca Neymar ou se redesenha toda a estrutura executiva. Nos bastidores, a avaliação é que qualquer mudança brusca pode afetar negociações em curso, captação de patrocínios e até o humor de atletas alinhados ao projeto atual.

O próprio clube vive um momento em que precisa de previsibilidade para montar o elenco de 2027, renegociar dívidas e concluir projetos de infraestrutura na base. A leitura entre conselheiros é que o desempenho de Neymar pai nos próximos dois meses – na busca por receitas e na estabilidade do futebol – pode pesar não apenas no resultado das urnas, mas também na aceitação de seu nome por diferentes grupos políticos caso haja alternância no poder.

Entenda o contexto

O cargo de CEO do Santos foi criado na gestão atual de Marcelo Teixeira para colocar um profissional à frente da operação do clube, em paralelo à presidência, especialmente num cenário de forte pressão esportiva e financeira. Dois executivos passaram pela função até aqui, e desde maio de 2025 o posto estava vago.

Nesse intervalo, o Santos atravessou períodos de oscilação dentro de campo e enfrentou dificuldades para equalizar dívidas e investimentos. A entrada de Neymar pai no vácuo de gestão executiva atende a uma demanda antiga de conselheiros e torcedores por um comando mais técnico do futebol e do marketing, com metas claras de aumento de receita, corte de custos e maior transparência.

Se o plano der certo, a diretoria acredita que o clube poderá entrar em 2027 com elenco definido com antecedência, base fortalecida, parte das dívidas renegociada e nova carteira de patrocínios atrelada à marca Neymar e à Pelé Brand. Caso contrário, o Santos seguirá lidando com mudanças frequentes de rumo e forte dependência de decisões políticas a cada ciclo eleitoral.