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Luca Van Assche vence Musetti e avança no Masters

Van Assche supera Musetti e avança às quartas do Masters 1000 em Paris, enfrentando Rinky Hijikata.

Luca Van Assche vence Musetti e avança no Masters

Luca Van Assche transforma nesta sexta-feira (6) o Masters 1000 de Paris no palco da virada da própria carreira. Um ano depois de cogitar abandonar o tênis por causa de lesões e derrotas em sequência, o francês de 22 anos venceu Lorenzo Musetti nas oitavas, garantiu a entrada inédita no top 40 e agora encara o australiano Rinky Hijikata por uma vaga na semifinal.

Como Luca Van Assche conseguiu a vitória contra Lorenzo Musetti no Masters de Paris?

Van Assche venceu Musetti por 7/5, 3/6 e 6/4, em 2h38, impondo pressão constante nos momentos decisivos e aproveitando melhor as chances de quebra nos dois sets que ganhou. Diante de um rival mais experiente e ex-top 5, o francês soube alternar agressividade na devolução com paciência nos ralis para controlar o jogo na quadra central.

No primeiro set, o equilíbrio dominou até a reta final, quando Van Assche elevou o nível na devolução e fechou em 7/5. Musetti reagiu na segunda parcial, explorando mais as variações de efeito e abrindo vantagem para empatar em 6/3.

No terceiro set, o italiano parecia em ascensão, mas o francês recuperou o controle, ajustou o saque e encurtou pontos com mais iniciativa de forehand. A quebra no fim garantiu o 6/4 que o colocou pela primeira vez nas quartas de final de um Masters 1000, embalado pelo apoio da torcida em Paris.

Antes de Musetti, Van Assche já havia superado o cabeça de chave Learner Tien na chave principal, mantendo a sequência de bons resultados nesta temporada em que conquistou o primeiro título de ATP em Estoril e consolidou seu lugar entre os principais nomes emergentes do circuito.

Onde assistir ao jogo entre Luca Van Assche e Rinky Hijikata nas quartas de final do Masters de Paris?

O duelo Van Assche x Hijikata será exibido ao vivo pelo Tennis TV e pela ESPN 2 no Brasil, na sessão diurna da quadra central em Paris, logo depois de Ben Shelton x Tommy Paul, marcado para começar às 10h (horário de Brasília). Não há horário exato para o início do confronto francês-australiano, porque a programação depende da duração do primeiro jogo e do intervalo entre as partidas.

O Tennis TV transmite toda a rodada do torneio com acesso às partidas completas para assinantes. A ESPN 2 reserva uma faixa de programação a partir das 10h para as quartas; a permanência do jogo no canal depende do andamento da sessão em Paris, cidade que está quatro horas à frente de Brasília.

Entenda o contexto

Luca Van Assche chegou a Paris como número 47 do mundo e, com a campanha até as quartas, já assegura a estreia no top 40 do ranking. Em agosto, ele havia atingido o 40º lugar após levantar o troféu em Estoril, seu primeiro título de nível ATP em simples.

Campeão juvenil de Roland Garros em 2021 e ex-número 1 do mundo na base, o francês de 22 anos demorou a transferir o domínio do circuito juvenil para o profissional. As oscilações de desempenho e os problemas físicos quase o tiraram das quadras. “Quando você cai muito no ranking, começa a questionar muita coisa. Eu não estava acostumado a ter problemas. Aos 19 anos, eu já estava entre os cem melhores e, de repente, comecei a acumular derrotas difíceis de aceitar”, contou.

O pior período veio no ano passado, quando as lesões encurtaram séries de torneios e minaram a confiança. “O ano passado foi difícil. Sofri lesões frequentes e não consegui manter a consistência por um período prolongado. Cheguei a questionar o que eu queria fazer e, se quisesse continuar jogando, como deveria fazer para ter um bom desempenho”, revelou o francês.

A reação ganhou corpo nesta temporada, com vitórias sobre nomes do topo do ranking e presença constante em fases avançadas de ATPs em quadras rápidas e saibro. Em Paris, o desempenho em casa o coloca como novo símbolo da renovação do tênis francês em um Masters 1000.

Hijikata vive melhor campanha da carreira

Rinky Hijikata, 25 anos, chega ao confronto desta sexta também no melhor momento da carreira em torneios deste nível. Atual número 83 do mundo, o australiano veio do qualifying, já soma cinco vitórias em Paris – duas na fase prévia e três na chave principal – e eliminou Novak Djokovic pelo caminho.

Nas oitavas, Hijikata virou sobre o argentino Tomas Martin Etcheverry por 2/6, 6/3 e 7/5, em 2h06. A reação confirmou a solidez do quali, que se torna o primeiro jogador vindo do classificatório a alcançar as quartas em Paris desde 2021. Com essa campanha, ele se aproxima de superar o melhor ranking da carreira, o 62º lugar, e fortalece o tênis australiano entre a nova geração.

Campeão de duplas do Aberto da Austrália em 2023, Hijikata vinha de uma temporada irregular em simples, com apenas 17 vitórias até chegar à capital francesa. O desempenho em Paris muda o patamar do australiano, que disputa suas primeiras quartas de final em um Masters 1000, assim como Van Assche.

Impacto no ranking e efeito sobre Borges e Fonseca

A arrancada de Van Assche e Hijikata em Paris mexe com toda a zona intermediária do ranking. O francês, que já garante o top 40, pode subir ainda mais se avançar à semifinal. Cada rodada extra também aumenta a visibilidade para novos patrocínios e convites em torneios grandes.

O português Nuno Borges é outro que colhe os frutos da boa semana. Aos 29 anos e atual 49 do mundo, ele atropelou o peruano Ignacio Buse por 6/0 e 6/2, em 71 minutos, depois de eliminar Karen Khachanov, e também disputa suas primeiras quartas de Masters 1000.

Na outra ponta, o brasileiro João Fonseca, hoje número 41, corre risco de perder posições por não atuar desde a lesão abdominal sofrida no Masters 1000 de Cincinnati. A combinação de campanhas fortes de Van Assche e Borges em Paris pode empurrar o jovem carioca para baixo na lista.

Por que Luca Van Assche cogitou abandonar o tênis antes de sua ascensão?

Van Assche pensou em abandonar o tênis porque uma sequência de lesões e derrotas o derrubou no ranking e abalou sua confiança logo no início da carreira profissional. Depois de chegar ao top 100 ainda adolescente, ele viu o rendimento despencar e passou a duvidar se valia seguir no circuito.

O francês relata que a dificuldade maior não foi apenas física, mas mental. “Quando você cai muito no ranking, começa a questionar muita coisa. Eu não estava acostumado a ter problemas”, disse. Acostumado a ganhar quase tudo na base, o choque com o nível do profissional, somado a um corpo que não respondia, o fez reavaliar o futuro.

As lesões sucessivas tiravam ritmo, e as derrotas em sequência impediam que ele emendasse bons resultados. “Sofri lesões frequentes e não consegui manter a consistência por um período prolongado. Cheguei a questionar o que eu queria fazer”, contou. A reconstrução passou por ajustar o calendário, fortalecer o físico e aceitar um processo mais longo de maturação até, enfim, viver a grande semana na quadra central de Paris.