Neymar marca, mas Santos só empata com Recoleta e segue na lanterna
Neymar marca logo aos 4 minutos, mas o Santos apenas empata em 1 a 1 com o Deportivo Recoleta, na Vila Belmiro, pela Copa Sul-Americana. O jogo desta terça-feira, 14 de abril de 2026, mantém o time paulista na lanterna do Grupo D e aumenta a pressão por reação imediata no torneio.
Neymar decide cedo, mas Santos perde o controle
A noite começa com o roteiro que o torcedor santista sonha. Aos 4 minutos, Gabigol recebe pela esquerda, acelera e acha Neymar livre na intermediária. O camisa 10 domina, finaliza com precisão no canto e abre o placar na primeira chegada clara do Santos.
O gol rápido muda o clima na Vila. A equipe de Cuca passa a controlar a posse de bola, troca passes com segurança e instala o jogo no campo de ataque. Neymar recua para construir, Gabigol se movimenta entre os zagueiros, e o Recoleta se fecha à espera de um contra-ataque que não vem. O Santos, porém, esbarra no próprio acabamento das jogadas.
Aos 30 minutos, Gabigol tem boa chance dentro da área, mas se atrapalha na hora de finalizar e chuta fraco, facilitando a defesa. Quatro minutos depois, Neymar tenta um toque de categoria, tenta encobrir o goleiro e exagera na força, mandando por cima. A vantagem mínima, que poderia ser confortável, começa a parecer perigosa.
O castigo chega aos 43 minutos do primeiro tempo. Luan Peres chega atrasado em Figueredo dentro da área, o árbitro marca pênalti sem hesitar, e o estádio silencia. Ortiz cobra com firmeza, desloca o goleiro e empata na única finalização certa do Recoleta antes do intervalo. O 1 a 1 expõe o descompasso entre o volume ofensivo santista e a eficiência paraguaia.
Pressão, chances perdidas e um empate que pesa
O segundo tempo recomeça com o Santos tentando retomar o controle que escapa no fim da etapa inicial. Neymar assume o protagonismo com mais intensidade. Em jogada individual, passa por três marcadores, atrai a marcação e abre para Bontempo, que chega batendo de primeira, mas manda para fora. O lance, logo nos primeiros minutos, reforça a sensação de que o time cria, mas não define.
O Recoleta se reorganiza com linhas mais compactas e praticamente abandona a ambição ofensiva. A equipe paraguaia espera um erro, recua os 11 jogadores atrás da linha da bola e transforma cada ataque santista em um exercício de paciência. Cuca se agita na área técnica, pede mais velocidade, orienta infiltrações, mas esbarra em um adversário disciplinado e num Santos ansioso.
Aos 20 minutos, Benjamín Rollheiser sobe bem na área após cruzamento de Miguelito e testa firme. A bola encontra a defesa do Recoleta, que alivia quase em cima da linha. O lance evidencia a dificuldade santista em transformar pressão territorial em finalizações limpas. Faltam precisão e frieza na última tomada de decisão.
Aos 29, Miguelito tenta resolver por conta própria. O atacante se infiltra pela esquerda, tabela com Neymar e aparece quase sem ângulo para finalizar. Chuta rasteiro, forte, mas facilita a defesa do goleiro. O relógio avança e a arquibancada passa da euforia inicial para a impaciência, com reclamações a cada ataque desperdiçado.
Nos acréscimos, o Santos ainda acumula duas chances em sequência dentro da área, mas se enrosca entre zagueiros, rebotes e travas. A bola insiste em não entrar. O apito final congela o 1 a 1 e deixa a sensação de que o time perde dois pontos em casa, mais do que conquista um.
Neymar em destaque, grupo embolado e pressão crescente
O empate tem peso maior do que o placar sugere. O Santos chega apenas a um ponto em duas rodadas e segue na quarta colocação do Grupo D, na lanterna da chave. O Deportivo Recoleta, com dois empates, soma dois pontos e assume o terceiro lugar, ganhando fôlego numa disputa em que cada ponto fora de casa pode ser decisivo.
Neymar volta a ser protagonista técnico, participa das principais ações ofensivas e marca o único gol santista. A atuação, no entanto, não basta para esconder as falhas coletivas. O time cria, mas falha na definição, sofre com a instabilidade defensiva e permite que um adversário com menos recursos escape da Vila Belmiro com um resultado precioso. “Não podemos tomar um gol assim depois de controlar o jogo”, admite um jogador santista na saída de campo, resumindo o incômodo no vestiário.
O ponto conquistado tem outro valor para o Recoleta. A equipe paraguaia constrói sua campanha com pragmatismo, suporta a pressão, aproveita a única grande chance e mostra capacidade de competir fora de casa. Para um clube que não entra na Sul-Americana entre os favoritos, sair da Vila Belmiro sem derrota representa um passo concreto na briga por vaga na próxima fase.
A situação do Santos, por outro lado, se complica. A combinação de resultado ruim em casa e início lento na competição aumenta a cobrança de torcida e direção. A margem para erro diminui, e os próximos jogos ganham contornos de mata-mata antecipado. Um novo tropeço pode transformar uma campanha irregular em ameaça real de eliminação precoce ainda na fase de grupos.
Calendário apertado e pouco espaço para tropeços
O calendário não oferece muito tempo para ajustes. O Santos volta a campo pela Sul-Americana nas próximas semanas, com a obrigação de somar pontos para não se afastar dos líderes do Grupo D. Cuca terá poucos dias de treino completo entre compromissos nacionais e continentais, o que reforça a necessidade de soluções rápidas e objetivas.
A presença de Neymar mantém o Santos no centro das atenções da torcida e da mídia, mas também amplia a cobrança por resultados imediatos. Cada partida vira um termômetro da capacidade do clube de aproveitar o talento do camisa 10 em um projeto esportivo mais consistente. A noite na Vila Belmiro deixa uma pergunta evidente: o time conseguirá transformar o brilho individual em uma campanha sólida ou continuará a desperdiçar pontos que fazem falta em abril, mas cobram um preço alto em junho?
