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Morre Nilton Travesso: 5 feitos históricos do diretor que você talvez não conheça

Aos 92 anos, pioneiro da televisão brasileira deixa legado que vai da criação de programas com Eliana ao sucesso de Éramos Seis no SBT e à revolução da dramaturgia na Manchete.

Morre Nilton Travesso: 5 feitos históricos do diretor que você talvez não conheça

O diretor e produtor Nilton Travesso morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos, em São Paulo. Considerado um dos pioneiros da televisão brasileira, ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês e morreu em decorrência de uma infecção generalizada. Ao longo de mais de sete décadas de carreira, ajudou a criar programas, reinventou formatos e participou de produções que marcaram gerações.

Embora seu nome nem sempre aparecesse diante das câmeras, Travesso esteve por trás de alguns dos maiores sucessos da televisão nacional. Trabalhou com Silvio Santos, Hebe Camargo, Eliana, Mara Maravilha e outros grandes nomes do entretenimento, além de participar da criação de programas históricos da Globo e da Record.

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Sua trajetória também foi marcada pela capacidade de construir departamentos inteiros de televisão. Na Manchete e no SBT, teve papel fundamental na estruturação da teledramaturgia, ajudando a transformar projetos em produções de grande repercussão. Relembre cinco feitos que mostram por que Nilton Travesso foi tão importante para a TV brasileira.

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1. Ele ajudou a reconstruir a teledramaturgia do SBT e fez de Éramos Seis um sucesso

Em 1993, Nilton Travesso foi contratado pelo SBT para uma missão importante: reorganizar a produção de novelas da emissora de Silvio Santos.

O projeto ganhou força em 1994, com a estreia de Éramos Seis, adaptação do romance de Maria José Dupré, protagonizada por Irene Ravache e Othon Bastos.

A novela se tornou um dos maiores sucessos da dramaturgia do canal. A produção recriou a cidade de São Paulo das décadas de 1920, 1930 e 1940, contou com uma estrutura cenográfica ambiciosa e conquistou prêmios importantes, como o Troféu Imprensa e o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

O sucesso foi tão expressivo que Silvio Santos decidiu exibir a trama em dois horários, ampliando seu alcance.

Sob a direção e supervisão de Travesso, o núcleo também produziu As Pupilas do Senhor Reitor, Sangue do Meu Sangue, Razão de Viver e Os Ossos do Barão.

Sua atuação foi decisiva para demonstrar que o SBT poderia produzir novelas brasileiras de grande porte, com identidade própria e reconhecimento do público.

 

2. Nilton Travesso ajudou a transformar Eliana em estrela dos programas infantis

Muito antes de Eliana se consolidar como uma das principais apresentadoras do país, Travesso teve participação importante na construção de sua trajetória televisiva.

Na década de 1990, o diretor concebeu e estruturou o Bom Dia & Cia, programa que marcou a infância de milhões de brasileiros e ajudou a fortalecer a imagem da apresentadora no SBT.

A proposta apostava em uma linguagem mais dinâmica, aproximando Eliana das crianças por meio de brincadeiras, músicas, desenhos animados e interação com o público.

O formato ajudou a consolidar a apresentadora em uma fase de expansão de sua carreira, quando ela também se tornaria conhecida por sucessos musicais infantis, como Os Dedinhos.

Na mesma época, Travesso participou da reformulação de outras atrações destinadas às crianças. Entre elas estava o Show Maravilha, de Mara Maravilha, que ganhou um cenário de 360 graus, considerado uma inovação nos estúdios do SBT.

Também colaborou com a produção de Casa da Angélica e criou a Sessão Desenho no Sítio da Vovó, apresentada por Vovó Mafalda.

3. Ele ajudou a criar a estrutura que levou Pantanal ao sucesso na Manchete

Antes de revolucionar a dramaturgia do SBT, Nilton Travesso teve uma passagem fundamental pela extinta Rede Manchete.

Em 1987, ao lado do diretor Jayme Monjardim, participou da organização do departamento de teledramaturgia da emissora.

O trabalho ajudou a estabelecer as condições de produção para novelas que se tornariam referências, como Kananga do Japão, A História de Ana Raio e Zé Trovão e Pantanal.

Exibida originalmente em 1990, Pantanal, escrita por Benedito Ruy Barbosa, se transformou em um fenômeno de audiência e mostrou que uma emissora fora da Globo poderia conquistar grande repercussão com uma produção nacional.

Embora não tenha sido o único responsável pelo sucesso, Travesso teve participação importante na construção da estrutura de dramaturgia que tornou possível aquela fase da Manchete.

4. Foi um dos pioneiros dos videoclipes na televisão brasileira

A carreira de Nilton Travesso também ajudou a transformar a maneira como a música era apresentada na televisão.

Em 1953, aos 19 anos, ele participou da equipe de implantação da TV Record, iniciando uma trajetória que acompanharia a evolução tecnológica do meio.

Na década de 1960, integrou a chamada Equipe A, grupo de profissionais responsável por atrações como O Fino da Bossa, Família Trapo e Esta Noite se Improvisa.

Também participou da realização de festivais de música que ajudaram a projetar artistas brasileiros.

Em 1974, foi contratado pela Globo e participou da estruturação da versão em cores do Fantástico.

No ano seguinte, produziu um videoclipe da música América do Sul, interpretada por Ney Matogrosso. A gravação utilizou imagens externas, em meio à vegetação, rompendo com o modelo tradicional de apresentações musicais feitas exclusivamente em estúdio.

A experiência é lembrada como um dos marcos iniciais da linguagem dos videoclipes na televisão brasileira.

5. Ele participou da criação de programas que marcaram gerações na Globo

Outro aspecto importante da carreira de Travesso foi sua capacidade de desenvolver programas para públicos completamente diferentes.

Na Globo, esteve envolvido na criação e direção de atrações como TV Mulher, Som Brasil e Balão Mágico, além de trabalhar em produções como Chico Anysio Show, Vídeo Show e Mais Você.

O TV Mulher, lançado em 1980, tornou-se referência ao abordar temas relacionados ao cotidiano feminino, comportamento, saúde e direitos das mulheres.

Já o Balão Mágico conquistou crianças de diferentes gerações, enquanto Som Brasil abriu espaço para a valorização da música e da cultura nacional.

Travesso também dirigiu atrações como Saia Justa, no GNT, e Todo Seu, apresentado por Ronnie Von na TV Gazeta.

Em 2001, fundou a Nilton Travesso Oficina de Atores, em São Paulo, ampliando seu trabalho para a formação de profissionais da televisão, do teatro e do audiovisual.

Despedida de um dos grandes nomes da televisão

Nascido em São Paulo em 20 de maio de 1934, Nilton Travesso iniciou sua carreira quando a televisão brasileira ainda estava dando os primeiros passos.

Ao longo da trajetória, passou por emissoras como Record, Globo, Manchete, SBT, Bandeirantes e Gazeta, acumulando trabalhos na dramaturgia, no entretenimento, na música e na formação artística.

Em nota, o Grupo Silvio Santos lamentou a morte do diretor e destacou sua dedicação à qualidade dos programas e sua contribuição para novas gerações de profissionais.

O velório de Nilton Travesso está marcado para sábado (7), das 10h às 17h, no Funeral Home, na região central de São Paulo.

Ele deixa a esposa, Marilu Torres, os filhos Camila e Marcelo e cinco netos.

Mais do que dirigir atrações de sucesso, Nilton Travesso ajudou a construir a própria linguagem da televisão brasileira. Seu legado permanece nos programas, nas novelas e nos profissionais que tiveram a oportunidade de trabalhar ao seu lado.