Pink Floyd relança Animals com raridades e Sheep lyrics inéditas
Edição especial de 50 anos de Animals traz remixes, show histórico e faixas inéditas para fãs do Pink Floyd.

O Pink Floyd prepara para 22 de janeiro de 2027 um relançamento turbinado de Animals, com edição especial de 50 anos que combina remix em alta definição, gravações raras de estúdio, um show histórico de 1977 e um box de luxo com livro e fotografias inéditas, em lançamento global pela Sony Music.
Pink Floyd relança Animals com raridades e Sheep lyrics inéditas
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O que a edição de 50 anos de Animals traz de novo?
A edição de 50 anos de Animals chega como uma coleção multiformato em digital, LP, CD, Blu-ray e um box deluxe voltado a colecionadores, que reúne três LPs, cinco CDs e um Blu-ray, além de um livro de capa dura com 64 páginas.
Nos formatos padrão em LP duplo, CD duplo e digital, o pacote combina o álbum original gravado no estúdio próprio da banda, o Britannia Row, com uma seleção de raridades. Entre elas estão as primeiras mixagens aproximadas de “Dogs” e “Sheep”, uma jam de estúdio inédita batizada de “Young Nicholas Jon”, assinada por Roger Waters, e outras faixas de bastidor.
O Blu-ray concentra o material de áudio em alta resolução: o álbum estéreo original, o remix de 2018 conduzido por James Guthrie em estéreo, som surround 5.1 e Dolby Atmos, além das raridades e da apresentação ao vivo em Oakland. Segundo a gravadora, todo o conteúdo será disponibilizado também nas principais plataformas digitais.
O livro incluso no box deluxe traz textos inéditos do escritor Jonathan Lethem, uma entrevista com Reinhard Hohlwein — responsável pela gravação do show de 1977 — e um trecho das memórias de Aubrey ‘Po’ Powell, cofundador da agência Hipgnosis, sobre a criação da capa icônica com o porco inflável sobre a usina de Battersea. Fotografias nunca publicadas mostram as sessões de gravação no Britannia Row, a sessão de fotos na Battersea Power Station e cenas da turnê mundial que se seguiu.
Quais gravações inéditas estão incluídas na edição especial de Animals?
As principais inéditas da edição especial são a jam de estúdio “Young Nicholas Jon”, composta por Roger Waters, e a versão “Sheep (Original Radio Edit)”, um corte promocional de aproximadamente 4 minutos e meio preparado para as rádios em 1977 e que agora chega pela primeira vez ao mercado comercial.
O disco dedicado às raridades no box deluxe reúne ainda versões iniciais de “Dogs” e “Sheep” — registros de trabalho que mostram o desenvolvimento das faixas que se tornariam centrais no álbum — e uma “Studio Jam” resgatada das fitas do Britannia Row. Essas versões permitem acompanhar mudanças de arranjo, letras em construção e a busca por uma sonoridade mais crua e direta.
No campo ao vivo, o pacote inclui a gravação integral do show do Pink Floyd no Oakland Coliseum Arena, nos Estados Unidos, em 9 de maio de 1977, registrada por Reinhard Hohlwein quando tinha 19 anos. O concerto traz músicas de Animals e de outros discos, em registros até aqui circulando apenas em gravações não oficiais entre colecionadores.
Entenda o contexto
Lançado no auge das tensões internas da banda e sob o impacto do surgimento do punk, Animals consolidou a virada do Pink Floyd para um som mais direto e agressivo, com forte crítica social. Roger Waters estruturou o disco numa metáfora inspirada na divisão de uma sociedade em “cães”, “porcos” e “ovelhas”, com letras anticapitalistas e visão distópica da vida urbana.
O guitarrista e vocalista David Gilmour lembra que o ambiente musical da época mexeu com a forma de trabalhar do grupo. “O clima na música estava mudando em 1977. O Punk estava atingindo tudo, e suspeito que isso tenha influenciado um pouco a maneira como trabalhávamos no álbum ‘Animals’. Quero dizer, é um disco bastante agressivo, mais enxuto. Estava se afastando daquele tipo de paisagem sonora que tínhamos em ‘Wish You Were Here’. Este álbum é mais direto e mais cru. E, definitivamente, as letras de Roger são muito mais agressivas. Nós nos divertimos bastante fazendo esse disco”, afirma.
Gravado no Britannia Row, estúdio construído pela própria banda em Londres, o álbum gira em torno das longas “Dogs”, “Pigs (Three Different Ones)” e “Sheep”, apoiado em climas sombrios, guitarras afiadas e arranjos que misturam rock progressivo e tensão política. Nick Mason, baterista, costuma destacar a coesão do projeto e o papel do estúdio como ferramenta criativa, desenhado para que qualquer integrante pudesse operá-lo.
O show de Oakland e o reforço ao legado do álbum
A inclusão oficial do show do Oakland Coliseum Arena, de 9 de maio de 1977, é um dos trunfos do relançamento. Gravado por Reinhard Hohlwein, então com 19 anos, o concerto captura o Pink Floyd no auge da turnê de Animals, mesclando faixas do disco com clássicos de outros períodos.
Além de atender a uma demanda antiga dos fãs por um registro profissional daquela excursão, o show ajuda a contextualizar como as composições funcionavam ao vivo, com improvisos mais longos e climas ainda mais densos do que nas versões de estúdio. O áudio, agora remixado e masterizado para o Blu-ray e para o digital, também reforça a estratégia de oferecer uma experiência mais imersiva em som surround, voltada a sistemas de home theater.
Para a indústria fonográfica, o pacote de 50 anos de Animals reforça a tendência de relançamentos comemorativos de catálogo com alto valor agregado, combinando tecnologia atual, material de arquivo e curadoria cuidadosa. A Sony Music mira diretamente fãs de rock clássico e colecionadores, ao mesmo tempo em que reintroduz o disco a um público mais jovem, acostumado ao streaming.
O porco inflável e a força da capa
A capa de Animals, com o porco inflável sobre a usina de Battersea, em Londres, segue como uma das imagens mais reconhecidas do rock. O balão, batizado de Algie, tinha cerca de 12 metros de comprimento e virou protagonista de um dos episódios mais curiosos da história da banda ao se soltar durante a sessão de fotos e obrigar a mobilização da força aérea britânica.
Roger Waters explica sua fascinação pelo prédio industrial que acabou eternizado na arte do álbum. “Acho que simplesmente adorava o edifício. Gostava do simbolismo de ser uma usina de energia que solta fumaça, então havia algo ameaçador nele. Tinha quatro chaminés fálicas e parecia uma mesa virada de cabeça para baixo. E havia quatro pessoas na banda que tinham sido viradas de cabeça para baixo. Parecia um lugar muito legal para um porco voar”, conta o baixista e principal letrista.
No livro que acompanha o box deluxe, Aubrey ‘Po’ Powell detalha bastidores dessa produção, enquanto fotos inéditas recuperam tanto a sessão na Battersea quanto bastidores da turnê, ampliando o valor documental da edição.
‘Sheep’ em foco: da versão original à radio edit
“Sheep” volta ao centro das atenções com o lançamento de sua versão “Original Radio Edit”, preparada para divulgação em rádio nos anos 1970 e agora liberada comercialmente pela primeira vez. Com cerca de 4 minutos e meio, o corte condensa a longa faixa original sem abrir mão da tensão crescente que marca a música.
Na estrutura de Animals, “Sheep” representa a massa submissa que se rebela contra os opressores, numa metáfora direta à sociedade de consumo. A nova edição comemorativa destaca essa faixa não só pela radio edit, mas também pelas mixagens iniciais incluídas entre as raridades, permitindo comparar arranjos, letras e nuances vocais de Roger Waters e David Gilmour.
A disponibilização da radio edit nas plataformas digitais deve puxar a curiosidade de novos ouvintes, que tendem a chegar à letra de “Sheep”, às faixas irmãs “Dogs” e “Pigs (Three Different Ones)” e, a partir daí, ao conceito completo do disco.
Legado reforçado e efeito no mercado
O anúncio de Animals 50 movimenta o segmento de catálogos clássicos em um momento em que o mercado de música disputa atenção com lançamentos contemporâneos e relíquias revisitadas. Ao apostar em remixes de alta qualidade, gravações raras e um livro robusto, o Pink Floyd oferece uma experiência pensada para ser mais do que um simples relançamento, mirando tanto fãs veteranos quanto ouvintes em descoberta.
A expectativa é de que o box deluxe se torne item de colecionador, impulsionando também o mercado de memorabilia musical. A estratégia pode servir de modelo para outras bandas que planejam celebrar discos clássicos com pacotes que unam som restaurado, materiais de arquivo e narrativas curatoriais bem amarradas. Até janeiro de 2027, a banda e a gravadora devem intensificar a divulgação com prévias, entrevistas e ações especiais, mantendo Animals em circulação e debate para uma nova geração de fãs.


