Morre homem que tocou violão e cantou Legião Urbana durante cirurgia no cérebro em SP
Fábio Reis, de 51 anos, enfrentava um câncer cerebral agressivo; apaixonado por música, ele emocionou médicos ao cantar durante procedimento para retirada de tumor. Fábio

Fábio Aparecido Pereira dos Reis, de 51 anos, que emocionou uma equipe médica ao tocar violão e cantar uma música da banda Legião Urbana durante uma cirurgia no cérebro, morreu nesta segunda-feira (2), em Pompeia, no interior de São Paulo. O supervisor de engenharia enfrentava um glioma, tipo de tumor cerebral que pode apresentar comportamento agressivo, diagnosticado em setembro deste ano.
O paciente ganhou destaque depois que imagens registradas durante uma cirurgia na Santa Casa de Marília mostraram o momento em que ele interpretava a música “Tempo Perdido”, enquanto os médicos realizavam testes para preservar suas funções neurológicas. A operação ocorreu em 8 de setembro e durou aproximadamente 12 horas. Apesar de ter apresentado boa recuperação inicial, Fábio morreu durante o período pós-operatório, enquanto enfrentava o tratamento contra o câncer.
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A música era uma das maiores paixões de Fábio, que costumava tocar violão e guitarra em bares, festas de aniversário e encontros familiares. O sepultamento ocorreu na manhã desta terça-feira (3), no Cemitério Municipal de Pompeia, cidade onde ele morava com a família.
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Música fazia parte da vida de Fábio antes do diagnóstico
Fábio trabalhava como supervisor de engenharia e tinha na música uma de suas principais atividades de lazer.
Segundo a esposa, Edineuza Reis, de 55 anos, ele gostava de tocar instrumentos e cantar em diferentes ocasiões, principalmente quando estava acompanhado de familiares e amigos.
“Ele sempre gostou muito de tocar violão, guitarra e cantar. Já fez shows em barzinhos, festas de aniversário e churrascos de família e amigos”, contou Edineuza em entrevista ao g1.
A relação com a música acabou tendo uma importância inesperada durante o tratamento contra o câncer.
Quando os médicos descobriram que Fábio sabia tocar violão e cantar, decidiram incorporar essas atividades aos testes neurológicos realizados durante a operação.
A escolha permitiu que os profissionais acompanhassem funções cerebrais importantes enquanto trabalhavam na retirada do tumor.
Dores de cabeça e confusão mental foram os primeiros sintomas
O problema de saúde começou a se manifestar pouco antes da descoberta do tumor.
De acordo com Edineuza, o marido passou a apresentar dores de cabeça frequentes, episódios de confusão mental, alterações na fala e falhas de memória.
Fábio procurou atendimento de diferentes especialistas, incluindo cardiologista, gastroenterologista e neurologista.
Com o agravamento dos sintomas, precisou se afastar temporariamente do trabalho.
A esposa percebeu que o estado de confusão mental estava piorando e decidiu levá-lo à Santa Casa de Marília.
No hospital, uma tomografia identificou a presença de um tumor cerebral.
Fábio foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde recebeu cuidados para reduzir o inchaço no cérebro antes da intervenção cirúrgica.
O diagnóstico de glioma foi confirmado em 2 de setembro.
Paciente cantou Legião Urbana enquanto médicos operavam seu cérebro
A cirurgia foi realizada em 8 de setembro, na Santa Casa de Marília, sob responsabilidade do neurocirurgião Ruy Okaji.
O procedimento utilizou uma técnica conhecida como craniotomia com paciente acordado, indicada em determinadas situações em que os médicos precisam identificar e preservar áreas cerebrais responsáveis por funções essenciais.
Inicialmente, Fábio foi anestesiado para a abertura do crânio.
Em seguida, a equipe médica o despertou para realizar uma série de avaliações enquanto o tumor era localizado e retirado.
O paciente respondeu a perguntas, fez cálculos simples, participou de testes de memória e linguagem e, por fim, pegou o violão para cantar “Tempo Perdido”, sucesso da Legião Urbana.
A apresentação emocionou os profissionais presentes na sala cirúrgica, entre médicos, enfermeiros, anestesistas, fonoaudiólogas e outros integrantes da equipe.
O momento foi registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais do hospital.
Por que Fábio precisava ficar acordado durante a cirurgia?
A técnica utilizada pelos médicos permite acompanhar, em tempo real, determinadas funções neurológicas enquanto o cérebro é operado.
Isso é especialmente importante quando o tumor está próximo de regiões relacionadas à fala, aos movimentos, à memória ou a outras habilidades essenciais.
Durante a operação, os profissionais estimulam o paciente a realizar tarefas que ajudam a identificar as áreas cerebrais que precisam ser preservadas.
No caso de Fábio, a familiaridade com o violão e o canto permitiu utilizar a música como parte dos testes.
O neurocirurgião Ruy Okaji explicou que o procedimento ajuda a reduzir o risco de sequelas.
“A importância do paciente estar acordado em algumas cirurgias neurológicas é a possibilidade de mapear as áreas eloquentes do cérebro. Assim, é possível retirar a maior quantidade possível do tumor com o menor risco de sequelas”, explicou o médico.
Segundo Okaji, a equipe da Santa Casa de Marília utiliza essa técnica há mais de 20 anos em casos específicos.
Apesar da complexidade da operação, Fábio apresentou resposta inicial positiva e despertou com a fala e os movimentos preservados.
Família viveu momentos de tensão durante operação de 12 horas
Enquanto Fábio passava pelo procedimento, os familiares aguardavam notícias sobre seu estado de saúde.
A cirurgia durou aproximadamente 12 horas, período marcado pela apreensão de Edineuza e de outras pessoas próximas ao paciente.
Após a operação, Fábio estava consciente e conseguia conversar, o que trouxe alívio à família.
A equipe médica também destacou a preservação das funções neurológicas observadas naquele momento.
O paciente chegou a se lembrar da música interpretada durante a cirurgia e voltou a cantar após despertar.
A recuperação inicial positiva, entretanto, não significava que a doença estivesse controlada.
Fábio ainda precisava enfrentar o tratamento oncológico e os riscos associados ao glioma.
O que é glioma, tumor cerebral enfrentado por Fábio?
O glioma é um tipo de tumor que se desenvolve a partir de células relacionadas à sustentação e ao funcionamento do sistema nervoso.
Esses tumores podem apresentar diferentes graus de agressividade, dependendo de suas características.
Em casos mais graves, o crescimento pode ser rápido e comprometer regiões importantes do cérebro.
Os sintomas variam conforme a localização e o tamanho da lesão.
Entre as manifestações possíveis estão dores de cabeça persistentes, convulsões, alterações de comportamento, dificuldades de memória, problemas na fala e perda de força ou coordenação.
O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, de acordo com o tipo de tumor, suas características e as condições clínicas do paciente.
A retirada cirúrgica busca remover a maior quantidade possível da lesão sem comprometer funções neurológicas importantes.
Mesmo quando o procedimento ocorre conforme o planejamento médico, alguns tipos de glioma podem continuar representando um risco elevado à saúde.
Fábio morreu durante tratamento contra o câncer
Após a cirurgia, Fábio continuou o acompanhamento médico para tratar o tumor cerebral.
Apesar da recuperação inicial, seu quadro clínico se agravou nas semanas seguintes.
Ele morreu na segunda-feira (2), durante o período pós-operatório e de tratamento oncológico.
A causa médica exata da morte não foi detalhada publicamente.
O corpo foi velado em Pompeia, onde Fábio morava, e sepultado na manhã de terça-feira (3), no cemitério municipal.
A história do supervisor de engenharia ganhou repercussão pela maneira como ele levou uma de suas maiores paixões para um momento delicado da própria vida.
O registro de Fábio cantando Legião Urbana durante a cirurgia permanece como uma lembrança de sua ligação com a música e de um procedimento médico que buscava preservar justamente as habilidades que ele tanto gostava de exercer.


