Monique chora ao ouvir irmão falar de Henry em júri no Rio
Monique Medeiros chora ao ouvir, nesta 31ª de maio de 2026, o depoimento do irmão de Henry no júri que a julga ao lado do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, no Rio de Janeiro. A reação ocorre durante o sexto dia de julgamento, enquanto o ex-parlamentar anota, em silêncio, cada detalhe do relato sobre o menino morto em 2021.
Choro no plenário e tensão no sexto dia de julgamento
O plenário do Tribunal do Júri, no centro do Rio, fica em silêncio quando o irmão de Henry começa a descrever lembranças do menino e o impacto da morte na rotina da família. Monique, sentada ao lado de seus advogados, leva as mãos ao rosto e tenta conter o choro, mas desaba à medida que o depoimento avança. Jairinho não reage visivelmente. Mantém os olhos fixos em um bloco de notas e escreve sem parar, como faz desde o início da sessão, iniciada por volta das 10h.
A cena marca o momento mais carregado de emoção desde o começo do júri, há seis dias. O caso Henry, que choca o país desde março de 2021, volta a expor, dentro de um tribunal, o conflito entre a narrativa da acusação, que fala em agressões e omissões, e a defesa, que insiste em tese de acidente. No depoimento, o irmão evita termos jurídicos e fala como parente: relata aniversários, brincadeiras em casa, consultas médicas, e se dirige aos jurados em tom firme, mas com a voz embargada.
Relatos emocionais ampliam pressão sobre o tribunal
A emoção de Monique ocorre num momento em que o julgamento entra em fase decisiva, com o tribunal ouvindo os últimos depoimentos de familiares e testemunhas centrais. Cada palavra dita em plenário é registrada por taquígrafos, gravada em áudio e acompanhada em tempo real nas redes sociais, que desde o início do caso impulsionam a pressão por uma condenação exemplar. A reação da ré, visível para os sete jurados, alimenta debates fora do fórum sobre arrependimento, culpa e a capacidade de a Justiça se blindar da opinião pública.
O episódio reabre fissuras antigas. Em 2021, o inquérito leva 45 dias até a conclusão, com pedidos sucessivos de informação e perícias complementares. O Ministério Público denuncia o casal por homicídio qualificado, tortura e fraude processual, entre outros crimes. Desde então, o caso ocupa reportagens, programas de TV e audiências digitais, somando milhões de visualizações em plataformas de vídeo. O julgamento, que começa em 26 de maio deste ano, já soma mais de 40 horas de sessões, divididas em seis dias, com dezenas de perguntas, intervenções da juíza e embates entre acusação e defesa.
Sociedade acompanha cada gesto à espera da sentença
Dentro da sala, promotores exploram o efeito do depoimento sobre Monique para reforçar a imagem de uma mãe que, segundo a acusação, só reage tardiamente ao sofrimento do filho. Advogados da ré, por sua vez, sustentam que o choro revela a carga emocional acumulada em cinco anos de exposição pública e tentam afastar a interpretação de cálculo ou encenação. Fora do fórum, manifestantes exibem cartazes pedindo “justiça por Henry” e cobram uma sentença firme ainda nesta semana.
O resultado do júri pode sair nas próximas horas, caso não haja novos pedidos de diligência. Se condenados, Monique e Jairinho podem receber penas que, somadas, ultrapassam 30 anos de prisão, com início de cumprimento em regime fechado. A forma como jurados vão interpretar cenas como o choro de Monique, as anotações meticulosas de Jairinho e os depoimentos dos familiares deve ecoar além deste caso. A Justiça criminal brasileira ainda debate, em outros processos, até que ponto a exposição emocional em plenário ajuda a esclarecer a verdade ou só amplia a distância entre espetáculo e responsabilização efetiva.
