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Brasil

Lula busca primeira mulher para comandar Defesa; três nomes estão na disputa

Cinara Wagner Fredo, Maria Elizabeth Rocha e Simone Tebet são cotadas para substituir José Múcio; Janja defende indicação feminina para o ministério.

Lula busca primeira mulher para comandar Defesa; três nomes estão na disputa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um novo mandato, busca uma mulher civil para assumir o Ministério da Defesa a partir de 2027. A escolha seria inédita na história do Brasil, já que a pasta nunca foi comandada por uma mulher desde sua criação, em 1999. Três nomes são mencionados nos bastidores do Palácio do Planalto: Cinara Wagner Fredo, Maria Elizabeth Rocha e Simone Tebet.

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (29), o atual ministro da defesa José Múcio Monteiro, já manifestou ao presidente o desejo de deixar o cargo ao término do mandato. A possível sucessora deverá ter capacidade de diálogo com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, está entre as principais defensoras da indicação de uma mulher para a função.

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A movimentação faz parte das articulações para a formação da equipe do próximo governo. Apesar dos nomes em discussão, Lula ainda não anunciou uma decisão oficial. A escolha deverá considerar a experiência das candidatas, o relacionamento com a cúpula militar e as prioridades do governo para a área de Defesa.

Lula x Flávio Bolsonaro: quem são os nomes para comandar os ministérios a partir de 2027?

Quem são as três mulheres cotadas para assumir a Defesa?

A atual secretária-geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo, é o nome preferido de José Múcio Monteiro para sucedê-lo. Ela já trabalha diretamente na administração da pasta e, segundo interlocutores do ministro, mantém uma relação de diálogo com integrantes da cúpula das Forças Armadas.

Múcio considera que o conhecimento de Cinara sobre o funcionamento do ministério poderia facilitar a continuidade das atividades e a relação entre o governo federal e os comandos militares. A servidora também já participou de reuniões ministeriais, ampliando sua aproximação com o Palácio do Planalto.

Outra possibilidade é Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM). Ela se tornou a primeira mulher a presidir a Corte Militar e tem experiência em questões jurídicas relacionadas às Forças Armadas.

Maria Elizabeth também ganhou projeção por seus posicionamentos em processos envolvendo militares e por defender responsabilizações relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Seu nome já havia sido considerado por Lula para uma possível indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A terceira cotada é Simone Tebet, que comandou o Ministério do Planejamento e Orçamento durante o terceiro mandato de Lula. Com trajetória no Senado Federal e experiência na administração pública, Tebet é considerada uma opção de perfil moderado e com capacidade de diálogo com diferentes setores políticos.

Nos bastidores, há indicações de que a ex-ministra não teria interesse em retornar ao Planejamento, o que abre espaço para discussões sobre sua participação em outra área do governo. Até agora, entretanto, nenhuma das três foi oficialmente anunciada para o Ministério da Defesa.

Janja defende presença feminina no comando militar

A primeira-dama Janja está entre as principais defensoras da escolha de uma mulher para o Ministério da Defesa. A proposta também é discutida como uma forma de ampliar a participação feminina em posições de liderança relacionadas à segurança e à estrutura militar brasileira.

O debate ocorre em um momento de mudanças na participação das mulheres nas Forças Armadas. Em 2026, teve início o serviço militar inicial feminino voluntário, ampliando as possibilidades de ingresso de mulheres em funções militares.

Embora mulheres já ocupem diferentes cargos nas instituições militares, o comando político do Ministério da Defesa permanece exclusivamente masculino desde 1999.

Uma eventual nomeação feminina representaria, portanto, uma mudança histórica na direção da pasta, responsável pela coordenação política e administrativa das três Forças Armadas.

Saída de José Múcio abre espaço para reorganização

José Múcio Monteiro está à frente do Ministério da Defesa desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023. Sua gestão foi marcada pela necessidade de restabelecer o diálogo institucional entre o governo federal e as Forças Armadas após os ataques de 8 de janeiro daquele ano.

O ministro já havia manifestado anteriormente a intenção de deixar o cargo, mas permaneceu a pedido do presidente. Agora, com a preparação do novo mandato, a substituição voltou a ser discutida.

Além da mudança no ministério, Lula também avalia uma renovação nos comandos das três Forças Armadas. Atualmente, o Exército é comandado pelo general Tomás Paiva; a Marinha, pelo almirante Marcos Sampaio Olsen; e a Aeronáutica, pelo tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno.

As possíveis substituições fazem parte de uma reorganização mais ampla da estrutura de Defesa, mas os nomes dos futuros comandantes ainda não foram anunciados.

Investimentos militares também estão em discussão

A escolha do próximo ministro ou ministra ocorrerá em meio às discussões sobre o orçamento e a modernização das Forças Armadas.

Durante seu terceiro mandato, Lula sancionou uma legislação que abriu espaço fiscal para investimentos de R$ 30 bilhões em equipamentos militares até 2031. O presidente também defendeu, durante a campanha eleitoral, a necessidade de ampliar os recursos destinados ao reaparelhamento das Forças.

Entre os desafios da próxima gestão estarão a continuidade de projetos estratégicos, a modernização dos equipamentos e a manutenção do diálogo entre o Ministério da Defesa e os comandos militares.

Próximos passos

Antes de definir quem comandará o Ministério da Defesa a partir de janeiro de 2027, Lula deverá conversar com integrantes do Alto Comando das Forças Armadas.

Segundo informações de bastidores, o presidente pretende evitar uma indicação que provoque resistência significativa entre os militares.

A decisão também dependerá das negociações para a composição do restante da equipe ministerial do próximo mandato. Por enquanto, Cinara Wagner Fredo, Maria Elizabeth Rocha e Simone Tebet permanecem como possibilidades, sem confirmação oficial de nomeação.

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