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Lobo-guará é flagrado com três filhotes em área de preservação no interior de SP

Registro de uma fêmea acompanhada dos filhotes na região de Barreiro Rico reforça a importância da conservação de uma espécie ameaçada de extinção

Lobo-guará é flagrado com três filhotes em área de preservação no interior de SP

Uma fêmea de lobo-guará foi registrada acompanhada de três filhotes na região da Estação Ecológica de Barreiro Rico, no interior de São Paulo. As imagens, divulgadas pela Fundação Florestal, mostram os animais em uma área de vegetação nativa entre os rios Tietê e Piracicaba. O flagrante é considerado importante para a conservação da espécie, classificada como vulnerável à extinção no Brasil.

O registro ocorreu em uma região que reúne fragmentos de Mata Atlântica e Cerrado, além de plantações e pastagens. Nas imagens, os três filhotes aparecem próximos da mãe e apresentam pelagem mais escura, característica dos primeiros meses de vida. Conforme crescem, os animais desenvolvem a coloração avermelhada típica dos lobos-guarás adultos.

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Segundo a Fundação Florestal, a presença desses animais tem sido observada com frequência na região. Desde 2020, mais de dez lobos-guarás foram registrados em diferentes pontos de Barreiro Rico. A identificação de uma fêmea acompanhada dos filhotes indica que a área continua oferecendo condições para a reprodução da espécie.

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Registro de filhotes reforça importância da preservação ambiental

O lobo-guará, de nome científico Chrysocyon brachyurus, é o maior canídeo da América do Sul. Conhecido pelas pernas compridas, orelhas grandes e pelagem avermelhada, o animal costuma viver sozinho e apresenta hábitos predominantemente noturnos e crepusculares.

Apesar de ser associado principalmente ao Cerrado, o lobo-guará também pode ser encontrado em áreas rurais modificadas pela atividade humana, incluindo plantações de cana-de-açúcar, laranja e eucalipto, além de pastagens.

Essa capacidade de utilizar diferentes ambientes, porém, não elimina os riscos enfrentados pela espécie. A proximidade com rodovias, propriedades rurais e animais domésticos aumenta a exposição a atropelamentos, doenças e conflitos com atividades humanas.

Para a diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal, Andrea Pires, o registro demonstra a necessidade de proteger os ambientes naturais e garantir condições para que os animais continuem se reproduzindo.

“O registro de uma mãe lobo-guará com três filhotes na APA Barreiro Rico é um sinal importante de que a região ainda oferece condições para a reprodução da espécie. E os mais de 3.000 registros do MonitoraBioSP reforçam a importância do monitoramento científico para orientar ações de conservação. O desafio da Fundação Florestal é transformar esse conhecimento em proteção, garantindo ambientes conectados, reduzindo ameaças e promovendo a coexistência entre a fauna silvestre e as atividades humanas”, destacou Andrea Pires.

São Paulo registrou mais de 3 mil ocorrências de lobos-guarás

O monitoramento realizado pelo Governo de São Paulo também revela a presença da espécie em diferentes unidades de conservação do estado.

Entre 2022 e 2025, o programa Monitora BioSP contabilizou 3.062 registros de lobos-guarás nas áreas protegidas administradas pela Fundação Florestal.

As unidades de Itirapina concentraram 1.392 registros, enquanto a Estação Ecológica Jataí e a Estação Experimental de Luiz Antônio somaram 831. A Reserva Biológica de Mogi-Guaçu também apareceu no levantamento, com 168 registros.

Os números não representam a quantidade total de animais existentes no estado. Isso porque um mesmo lobo-guará pode ser identificado várias vezes durante o monitoramento.

Ainda assim, os dados permitem acompanhar a ocorrência da espécie, identificar áreas importantes para sua sobrevivência e orientar medidas de proteção.

Por que o lobo-guará está ameaçado de extinção?

A perda e a fragmentação dos habitats naturais estão entre as principais ameaças à sobrevivência do lobo-guará. Com a expansão das áreas agrícolas, das cidades e das rodovias, os animais precisam atravessar territórios cada vez mais modificados em busca de alimento e abrigo.

Os atropelamentos representam um risco significativo, especialmente nas estradas que cortam ou ficam próximas às unidades de conservação.

Outro problema é a transmissão de doenças por animais domésticos. Enfermidades como cinomose, parvovirose e sarna podem atingir lobos-guarás que entram em contato com cães infectados.

A prevenção inclui vacinação de animais domésticos, fiscalização ambiental e medidas para reduzir atropelamentos em regiões de circulação da fauna silvestre.

Além de sua importância para a biodiversidade, o lobo-guará também contribui para a regeneração da vegetação. Sua alimentação inclui frutos, pequenos mamíferos, aves e répteis. Ao consumir frutos e dispersar sementes pelas fezes, ajuda no crescimento de novas plantas e na manutenção dos ecossistemas.

Estação Ecológica de Barreiro Rico está há oito anos sem incêndios florestais

A região onde a família de lobos-guarás foi registrada abriga duas unidades de conservação: a Estação Ecológica Barreiro Rico, criada em 2006, e a Área de Proteção Ambiental (APA) Barreiro Rico, estabelecida em 2018.

A Estação Ecológica possui aproximadamente 293 hectares e tem como objetivo preservar remanescentes de vegetação nativa e espécies da fauna regional.

Segundo João Marcelo, gestor da unidade, a área não registra incêndios florestais desde 2018. O resultado é atribuído ao trabalho conjunto entre equipes de prevenção, brigadas, órgãos públicos e proprietários rurais.

A ausência de incêndios nos últimos anos contribui para preservar ambientes utilizados por diferentes espécies, incluindo mamíferos ameaçados de extinção.

Próximos passos para proteger a espécie

A Fundação Florestal mantém ações de monitoramento da fauna e preservação dos ambientes naturais no interior paulista. Entre as prioridades estão a identificação de áreas de circulação dos animais, a prevenção de atropelamentos e o controle de ameaças à biodiversidade.

A orientação para quem encontrar um lobo-guará na natureza é manter distância, não oferecer alimentos e evitar qualquer tentativa de aproximação ou captura. Em situações envolvendo animais feridos ou em risco, os órgãos ambientais devem ser acionados.

O registro da mãe acompanhada dos três filhotes representa uma evidência importante da reprodução da espécie em Barreiro Rico. A continuidade das ações de conservação será fundamental para garantir que esses animais encontrem condições de sobreviver e se reproduzir na região.

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