Jason Miller: quem é o assessor de Trump que providenciou jato a Flávio Bolsonaro
Estrategista político americano, Miller trabalhou nas campanhas presidenciais de Donald Trump e mantém uma relação de anos com a família Bolsonaro. Ele foi apontado pelo The New York Times como responsável por providenciar a aeronave particular usada pelo senador brasileiro para viajar aos Estados Unidos.

Jason Miller, um dos nomes ligados à estratégia de comunicação do presidente americano Donald Trump, ganhou destaque no Brasil após ser associado à organização do voo que levou Flávio Bolsonaro (PL) e sua família aos Estados Unidos. Segundo reportagem do jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (29), Miller providenciou o jato particular utilizado pelo senador.
O episódio colocou novamente em evidência a relação entre o estrategista republicano e a família Bolsonaro, construída ao longo de anos de contatos políticos, participação em eventos conservadores e articulações entre aliados da direita brasileira e americana.
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De acordo com o jornal americano, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller durante a organização da viagem. O planejamento teria começado após Flávio receber uma determinação para entregar seus passaportes às autoridades brasileiras.
Miller não comentou o caso, segundo as informações publicadas pela imprensa. A Casa Branca também não esclareceu especificamente sua participação na organização do voo.
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Quem é Jason Miller?
Jason Miller é um estrategista político e especialista em comunicação que construiu sua carreira trabalhando para candidatos do Partido Republicano dos Estados Unidos. Ele ganhou projeção nacional ao integrar a equipe de Donald Trump durante a campanha presidencial de 2016, quando o empresário venceu a disputa contra Hillary Clinton.
Desde então, Miller permaneceu próximo do círculo político de Trump e participou de outras campanhas presidenciais do republicano, incluindo as disputas de 2020 e 2024. Sua atuação envolveu a estratégia de comunicação, a defesa pública do candidato e a divulgação de mensagens políticas para diferentes públicos.

Em 2016, após a vitória de Trump, Miller chegou a ser anunciado para ocupar o cargo de diretor de comunicação da Casa Branca durante a transição presidencial. Ele, porém, desistiu de assumir a função antes da posse.
O estrategista voltou a atuar diretamente na campanha de Trump em 2020 e, posteriormente, integrou a equipe política do republicano na eleição de 2024. Sua trajetória fez dele um dos interlocutores conhecidos do presidente americano entre profissionais de comunicação e operadores políticos conservadores.
Jason Miller trabalha na Casa Branca?
A posição de Miller no entorno de Trump mudou ao longo dos anos. Durante parte desse período, ele atuou principalmente como conselheiro de campanha e profissional do setor privado, sem ocupar um cargo permanente no governo americano.
Em 2021, Miller fundou a GETTR, uma rede social voltada ao público conservador que surgiu em meio às discussões sobre moderação de conteúdo nas grandes plataformas digitais. A iniciativa buscava atrair usuários e personalidades alinhados à direita política.
Em 2024, ele retornou à equipe de Trump como conselheiro sênior da campanha presidencial. Em 2026, reportagens voltaram a apontar sua aproximação com a estrutura de comunicação do governo americano.
Na reportagem sobre o voo de Flávio Bolsonaro, o The New York Times descreveu Miller como funcionário da área de comunicação da Casa Branca. O jornal informou que ele não quis comentar sua participação na organização da viagem.
Como Jason Miller se aproximou da família Bolsonaro?
A relação entre Miller e a família Bolsonaro ficou mais visível em setembro de 2021, quando o americano esteve no Brasil para participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC Brasil), evento que reúne lideranças e apoiadores da direita.
Durante a visita, Miller encontrou-se com Jair Bolsonaro, então presidente da República, e com Eduardo Bolsonaro. O encontro no Palácio da Alvorada reforçou a aproximação entre o estrategista americano e integrantes da família brasileira.

A passagem de Miller pelo país também teve um desdobramento com autoridades brasileiras. Em setembro daquele ano, ele foi conduzido para prestar esclarecimentos à Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto do inquérito das fake news.
Na ocasião, Miller afirmou que ele e integrantes de sua comitiva não haviam sido acusados de irregularidades e que foram liberados para deixar o Brasil após serem ouvidos.
A relação com a família Bolsonaro continuou nos anos seguintes. Miller manteve contato com Eduardo Bolsonaro, que passou a atuar nos Estados Unidos e buscou ampliar os vínculos políticos com aliados de Trump.
Miller já declarou apoio a Flávio Bolsonaro
Em maio de 2026, Jason Miller participou de uma entrevista coletiva de Flávio Bolsonaro após um encontro do senador com Donald Trump. Na ocasião, o americano fez declarações públicas de apoio à candidatura presidencial do brasileiro.

A atuação do estrategista ajuda a explicar por que seu nome aparece em episódios envolvendo os contatos entre a família brasileira e o círculo político de Trump. Ele não é apenas um profissional que trabalhou em campanhas republicanas: ao longo dos anos, tornou-se um interlocutor conhecido de aliados dos Bolsonaro nos Estados Unidos.
O que se sabe sobre o jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA?
Segundo o The New York Times, o jato particular utilizado por Flávio Bolsonaro e sua família foi providenciado por Jason Miller. A viagem ocorreu depois que o senador deixou o Brasil e seguiu para a Argentina.
De acordo com o relato publicado pelo jornal, a aeronave partiu da Argentina, fez uma parada para reabastecimento no Equador e seguiu para Miami, na Flórida. Eduardo Bolsonaro teria mantido contato com Miller durante a organização do deslocamento.
A reportagem também informou que o plano foi colocado em prática após Flávio receber uma determinação para entregar seus passaportes. O caso levantou questionamentos sobre a logística da viagem e o papel de aliados políticos americanos na chegada do senador aos Estados Unidos.
O jornal informou que Miller não quis comentar o episódio. A Casa Branca, por sua vez, não esclareceu especificamente a participação do estrategista na organização da aeronave.
Até o momento, as informações publicadas sobre a participação de Miller devem ser tratadas como relatos atribuídos aos veículos que investigaram o caso. A identidade de quem providenciou o avião não esclarece, por si só, quem arcou com os custos da viagem.
Por que Jason Miller é importante na relação entre Trump e Bolsonaro?
Ao longo de quase uma década, Miller trabalhou em campanhas de Trump, manteve contatos com lideranças republicanas e estabeleceu vínculos com integrantes da família Bolsonaro. Sua participação no episódio do jato, caso confirmada em todos os seus detalhes, representa mais um capítulo dessa relação.
O caso também chama a atenção para os contatos políticos que cercam a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e para a atuação de aliados internacionais em um momento de tensão na política brasileira.


