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Política

Intelbras demite funcionário após publicação que sugeria fuzilar filhas de Flávio Bolsonaro

Caio Anjo Fernandes fez referência à execução da família imperial russa em comentário sobre as duas adolescentes, de 12 e 14 anos; empresa anunciou desligamento nesta quinta-feira (29).

Intelbras demite funcionário após publicação que sugeria fuzilar filhas de Flávio Bolsonaro

A empresa brasileira de tecnologia Intelbras anunciou nesta quinta-feira (29) a demissão de Caio Anjo Fernandes, após o funcionário publicar uma mensagem interpretada como uma ameaça de fuzilamento contra as duas filhas do senador Flávio Bolsonaro (PL), de 12 e 14 anos. O comentário foi feito na quarta-feira (28), na rede social X, antigo Twitter, e provocou críticas pela referência à execução de integrantes da família imperial russa.

A manifestação ocorreu em resposta a uma publicação de outro usuário sobre as adolescentes, que viajaram recentemente aos Estados Unidos com os pais. Depois da circulação da mensagem, a Intelbras, empresa sediada em Santa Catarina, informou publicamente que o profissional não fazia mais parte de seu quadro de colaboradores e reafirmou seus princípios de ética e respeito.

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O que funcionário escreveu sobre as filhas de Flávio Bolsonaro?

Caio Anjo Fernandes comentou uma publicação sobre as duas filhas do senador utilizando a expressão “Protocolo Romanov”, acompanhada de uma sugestão de que ela fosse aplicada às adolescentes.

A mensagem foi interpretada por usuários da rede social como uma referência ao assassinato da família imperial russa, ocorrido durante o período revolucionário no início do século XX.

A publicação provocou críticas por fazer alusão à violência contra duas menores de idade. A interpretação do comentário como uma sugestão de execução motivou a repercussão do episódio e a cobrança por providências.

Intelbras confirma desligamento e divulga nota

Após a repercussão, a Intelbras se manifestou por meio de seu perfil oficial no X e informou que Caio Anjo Fernandes não integrava mais a equipe da companhia.

“A Intelbras informa que o profissional envolvido em publicações recentes em redes sociais não integra mais o quadro de colaboradores da companhia. Reafirmamos nosso compromisso com a ética, o respeito e os princípios estabelecidos em nosso Código de Ética e Conduta.”

A manifestação confirma o desligamento do profissional e apresenta a posição institucional da empresa sobre o episódio.

Na declaração divulgada, a companhia não informou detalhes trabalhistas da demissão nem esclareceu se pretende adotar outras medidas relacionadas à publicação.

O que significa a referência à família Romanov?

A expressão utilizada pelo ex-funcionário faz referência à família Romanov, dinastia que governou a Rússia até a queda da monarquia em 1917.

Na madrugada de 17 de julho de 1918, o ex-czar Nicolau II, sua esposa Alexandra e os cinco filhos do casal foram executados por forças bolcheviques em Ecaterimburgo, na Rússia.

O episódio se tornou um dos acontecimentos mais conhecidos da Revolução Russa e do período que marcou o fim da monarquia no país.

Ao mencionar esse episódio histórico em uma publicação sobre as filhas de Flávio Bolsonaro, o ex-funcionário provocou uma associação direta com a execução de membros de uma família, incluindo crianças e adolescentes.

Filhas de Flávio Bolsonaro viajaram com a família para os Estados Unidos

As duas adolescentes acompanharam Flávio Bolsonaro e a esposa, Fernanda, durante a viagem que terminou em Miami, na quarta-feira (28).

O senador deixou o Brasil após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). O deslocamento passou pela Argentina e pelo Equador antes da chegada aos Estados Unidos.

Flávio afirmou que decidiu deixar o país por considerar que estaria sendo alvo de perseguição política. O parlamentar também divulgou uma carta questionando o resultado eleitoral, sem apresentar provas de fraude.

A publicação que levou à demissão do funcionário da Intelbras ocorreu no dia da chegada da família aos Estados Unidos.

Há investigação sobre a publicação?

Até a divulgação das informações nesta quinta-feira (29), não havia confirmação pública de abertura de investigação policial especificamente relacionada ao comentário de Caio Anjo Fernandes.

Também não havia informações confirmadas sobre eventual registro de ocorrência pela família ou manifestação pública do ex-funcionário após o desligamento.

A demissão anunciada pela Intelbras é uma medida trabalhista e não representa, por si só, uma decisão judicial sobre eventual responsabilidade criminal.

O caso poderá ter novos desdobramentos caso haja uma denúncia formal ou investigação pelas autoridades competentes.