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Israel diz estar pronto para ofensiva decisiva contra regime iraniano

Israel declara nesta quinta-feira (23) estar pronto para retomar ataques militares contra o Irã com o objetivo declarado de destruir a liderança da dinastia Khamenei. A operação aguarda, segundo o ministro da Defesa, Benny Katz, um sinal verde dos Estados Unidos para avançar com uma ofensiva “diferente e mortal”.

Escalada planejada em meio a região à beira do abismo

Benny Katz fala em público o que há meses circula em gabinetes militares israelenses e americanos. Segundo ele, os principais alvos do regime iraniano já estão mapeados e prontos para serem atingidos em uma nova onda de bombardeios. “Os alvos estão marcados”, afirma. “Estamos aguardando sinal verde para completar a eliminação da dinastia Khamenei e levar o Irã de volta à Idade das Trevas.”

A declaração ocorre em 23 de abril de 2026, quando a região atravessa uma das fases mais tensas desde o início da guerra entre Israel e o Irã, em fevereiro. Em Teerã, o regime comandado pela família Khamenei resiste a sucessivos ataques que já eliminaram parte de sua cúpula militar e política. Em Jerusalém, o governo de Benjamin Netanyahu usa a retórica da “batalha final” para justificar a preparação de uma nova campanha.

A possibilidade de uma ofensiva de grande porte contra o território iraniano aumenta o risco de uma guerra aberta que atinja não apenas Israel e Irã, mas também Estados Unidos, Líbano e países do Golfo. O Estreito de Ormuz, por onde costuma passar cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, já opera sob controle rígido de Teerã. A rota está efetivamente fechada a navios que não sejam iranianos, o que pressiona preços internacionais de energia e amplia o peso político de cada movimento militar.

No terreno, a tensão se espalha. Ataques israelenses recentes matam cinco pessoas em Gaza e na Cisjordânia, em mais um lembrete de que o conflito com o Irã se mistura a frentes antigas e sangrentas. Em paralelo, o primeiro-ministro Netanyahu deve reunir nas próximas horas o gabinete de segurança para discutir a escalada no Líbano, segundo uma fonte ouvida pela CNN, enquanto o Hezbollah mantém tropas em prontidão ao norte de Israel.

Pressão sobre Washington e impasse diplomático com Teerã

Ao admitir que aguarda autorização dos Estados Unidos, Katz expõe o peso de Washington sobre o ritmo da guerra. A Casa Branca tenta, ao mesmo tempo, conter o avanço iraniano no Golfo e evitar ser arrastada para um confronto direto entre dois de seus principais adversários na região. Nos bastidores, autoridades americanas veem com preocupação qualquer ataque que tenha como objetivo explícito “desestabilizar o regime iraniano”, por temerem uma reação em cadeia.

Os sinais públicos vão na direção contrária à distensão. Os Estados Unidos apreendem navios que, segundo o governo americano, transportam petróleo iraniano em violação a sanções. O Irã responde fechando ainda mais o Estreito de Ormuz e mantém a ameaça de manter a rota bloqueada enquanto o bloqueio à sua própria frota não for suspenso. A mensagem, de lado a lado, é de confronto, não de negociação.

Em Teerã, a dinastia Khamenei tenta demonstrar resiliência após mais de dois meses de ataques. Israel já reivindica a morte de vários comandantes da Guarda Revolucionária e figuras próximas ao círculo do líder supremo, Ali Khamenei. Ainda assim, o núcleo do poder permanece no lugar. “Embora Israel tenha assassinado muitos dos principais líderes do Irã, o regime parece ter sobrevivido aos golpes mais duros até agora”, admite uma fonte de segurança israelense.

Uma nova rodada de negociações diretas entre Estados Unidos e Irã, cogitada no início de abril, parece agora distante. A escalada verbal de Katz, que promete “golpes devastadores nos locais mais dolorosos” do regime, reforça a percepção de que a janela diplomática se fecha rapidamente. Em Washington, diplomatas avaliam que um ataque que mire explicitamente a liderança política em Teerã torna mais difícil qualquer retorno à mesa de conversas.

Risco global, impacto econômico e incerteza sobre os próximos passos

Uma ofensiva israelense com o objetivo declarado de “derrubar os alicerces” do regime iraniano amplia o risco de um conflito de alcance global. O Irã dispõe de redes de aliados armados no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen. Um ataque direto à cúpula Khamenei pode acionar represálias coordenadas em diferentes frentes, atingindo bases americanas, navios comerciais e cidades israelenses, além de aprofundar o sofrimento civil em Gaza e na Cisjordânia.

No mercado de energia, o efeito é imediato. O fechamento de Ormuz já pressiona contratos futuros de petróleo e gás, em um cenário que mistura guerra, sanções e insegurança marítima. Um prolongamento da crise pode elevar preços de combustíveis em escala global nos próximos meses, afetando inflação, cadeias de produção e contas públicas de países dependentes de importação. O Brasil, que compra parte relevante do diesel e da gasolina no exterior, acompanha de perto cada avanço militar na região.

No campo político, governos do Oriente Médio calculam o custo de se posicionar. Monarquias do Golfo, que dependem da passagem segura por Ormuz para escoar sua produção, evitam condenar abertamente Teerã enquanto avaliam a postura americana. Países como Turquia, Catar e Egito tentam manter canais de diálogo abertos com iranianos e israelenses, de olho em uma possível mediação futura, mesmo sem sinais concretos de trégua.

Em Israel, a promessa de uma “ofensiva decisiva” alimenta debates internos sobre até onde o país está disposto a ir. Setores da sociedade civil alertam para o risco de isolamento internacional caso a operação seja percebida como tentativa de mudança de regime em Teerã, e não apenas resposta a ameaças de segurança. No Irã, o clima é de expectativa tensa, em uma rotina que mistura sirenes, desinformação e medo de um novo ataque aéreo em larga escala.

Os próximos dias devem ser decisivos. Netanyahu discute com os chefes militares e de inteligência o desenho da possível operação, enquanto Katz insiste em público que “desta vez, o ataque será diferente e mortal”. A Casa Branca, pressionada por aliados europeus e pelo Congresso, calcula o peso de um “sinal verde” que pode redesenhar o mapa de forças no Oriente Médio. Sem sinais de recuo de Israel e do Irã, a pergunta que permanece é se ainda há espaço para conter a escalada antes que a guerra atravesse um ponto sem retorno.

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