S&P 500 7.720 ↓ -0,30%Nasdaq 26.185 ↓ -1,38%Dow Jones 52.343 ↓ -0,25%Ibovespa 169.555 ↓ -0,85%FTSE 100 10.722 ↑ +0,26%DAX 26.040 ↑ +1,31%Nikkei 64.659 ↑ +1,10%Dólar R$ 5,40 ↑ +1,07%Euro R$ 6,02 ↑ +0,93%Bitcoin R$ 435.791 ↑ +0,27%S&P 500 7.720 ↓ -0,30%Nasdaq 26.185 ↓ -1,38%Dow Jones 52.343 ↓ -0,25%Ibovespa 169.555 ↓ -0,85%FTSE 100 10.722 ↑ +0,26%DAX 26.040 ↑ +1,31%Nikkei 64.659 ↑ +1,10%Dólar R$ 5,40 ↑ +1,07%Euro R$ 6,02 ↑ +0,93%Bitcoin R$ 435.791 ↑ +0,27%
Política

Assessor de Trump teria providenciado jato para saída de Flávio do Brasil, diz NYT

Jornal americano aponta participação de Jason Miller na logística da viagem; Trump autorizou entrada temporária do senador e familiares nos Estados Unidos

Assessor de Trump teria providenciado jato para saída de Flávio do Brasil, diz NYT

Um assessor ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria providenciado o jato particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar o Brasil após a derrota na eleição presidencial. A informação foi publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal norte-americano The New York Times, que ouviu autoridades dos Estados Unidos e pessoas familiarizadas com a operação. Segundo a reportagem, Jason Miller, aliado da família Bolsonaro e integrante da estrutura de comunicação da Casa Branca, teria participado da organização do transporte.

A apuração também aponta que Trump autorizou a entrada temporária de Flávio, da esposa e das duas filhas nos Estados Unidos. O senador chegou a Miami na quarta-feira (28), após passar pela Argentina e pelo Equador, mesmo estando sujeito a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia sua saída do território brasileiro. A Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem e o possível descumprimento da ordem judicial.

Leia também: O que a perícia no celular de Vorcaro descobriu e por que isso pode afetar o Caso Master? Entenda

Aliado de Trump confirma que fuga de Flávio Bolsonaro foi arquitetada pelos EUA

Assessor de Trump teria organizado transporte do senador

Segundo o The New York Times, Jason Miller teria sido responsável por providenciar a aeronave particular utilizada por Flávio Bolsonaro para chegar aos Estados Unidos.

Miller é um aliado político da família Bolsonaro e possui vínculos com a estrutura de comunicação da administração Trump.

Uma pessoa familiarizada com a logística da viagem afirmou ao jornal que os preparativos começaram na segunda-feira (26), depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes do senador.

A informação sugere que a organização do deslocamento ocorreu quando Flávio já estava submetido a restrições judiciais relacionadas à possibilidade de deixar o país.

Entretanto, a participação de Miller foi atribuída a fontes ouvidas pelo jornal americano. Não foi apresentada confirmação pública independente de que a Casa Branca tenha financiado o transporte ou disponibilizado recursos oficiais para a viagem.

Também não foi esclarecido quem pagou pelo fretamento da aeronave e se outros integrantes do governo norte-americano participaram da organização.

Trump autorizou entrada temporária de Flávio nos Estados Unidos

Outra informação divulgada pelo jornal diz respeito à situação migratória do senador.

Segundo autoridades norte-americanas ouvidas pelo New York Times, Flávio e seus familiares receberam autorização para entrar no país por meio do mecanismo conhecido como parole.

Esse procedimento permite que determinadas pessoas ingressem e permaneçam temporariamente nos Estados Unidos por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo, mediante avaliação das autoridades competentes.

O parole não equivale à concessão automática de residência permanente nem representa necessariamente o reconhecimento de uma condição de refugiado.

Na quarta-feira (28), Donald Trump já havia confirmado publicamente que o governo americano autorizou a entrada do parlamentar.

O presidente, entretanto, evitou apoiar a declaração em que Flávio se apresentou como o verdadeiro vencedor da eleição brasileira e afirmou que não pretendia se envolver diretamente na controvérsia política.

Flávio poderá solicitar residência permanente

Uma autoridade americana também afirmou ao New York Times que Flávio Bolsonaro deverá solicitar futuramente o green card, documento que permite residência permanente nos Estados Unidos.

Segundo a fonte, o pedido poderá receber processamento acelerado, embora não exista confirmação de que a autorização definitiva tenha sido concedida.

O jornal mencionou como comparação o caso do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, que obteve residência permanente nos Estados Unidos em julho deste ano.

A possibilidade de um pedido de green card ainda depende de procedimentos migratórios e de decisões das autoridades responsáveis.

Portanto, a autorização temporária de entrada não deve ser confundida com a concessão de residência permanente.

Passaportes foram cancelados após ordem do STF

A viagem ocorreu depois que a Polícia Federal solicitou a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro, conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes.

A determinação foi tomada no contexto de investigações que envolvem o senador e o advogado Willer Tomaz, relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras.

Outra frente de investigação examina movimentações vinculadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As suspeitas ainda são objeto de apuração e não representam uma condenação dos investigados.

De acordo com a reportagem americana, Flávio não entregou os documentos dentro do prazo estabelecido, e as autoridades brasileiras providenciaram o cancelamento dos passaportes e a emissão de um alerta migratório.

O New York Times também relatou ter identificado indícios, por meio de registros públicos norte-americanos, de que o senador apresentou um passaporte diplomático brasileiro já cancelado ao chegar aos Estados Unidos.

Essa informação acrescenta uma nova questão à investigação sobre os documentos utilizados durante o deslocamento internacional.

Viagem passou pela Argentina e pelo Equador antes de Miami

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas.

Segundo informações atribuídas às autoridades migratórias argentinas, a família entrou no país vizinho por volta das 22h50, utilizando a Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina.

Cerca de 40 minutos depois, os integrantes da família embarcaram em uma aeronave da empresa privada Baires Fly.

O voo seguiu para Guayaquil, no Equador, onde realizou uma escala antes de continuar até Miami, na Flórida.

A chegada aos Estados Unidos ocorreu na manhã de quarta-feira (28).

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos confirmou ao jornal americano que Flávio e os familiares passaram por inspeção das autoridades de fronteira e receberam autorização para ingressar no país.

A Polícia Federal brasileira informou não ter localizado registros oficiais da saída do parlamentar pelos controles migratórios nacionais e investiga as circunstâncias da viagem.

Polícia Federal investiga possível descumprimento de decisão judicial

A investigação brasileira busca esclarecer como Flávio Bolsonaro deixou o território nacional, quais documentos foram utilizados e se houve participação de terceiros na organização do deslocamento.

A possível atuação de empresários, intermediários e pessoas ligadas ao governo americano também poderá ser relevante para reconstruir os acontecimentos.

A Polícia Federal ressaltou, porém, que o descumprimento de restrições de circulação e o cancelamento de documentos não significam automaticamente que uma pessoa deva ser considerada foragida, nem justificam, isoladamente, uma prisão.

Qualquer medida adicional depende da análise das circunstâncias específicas do caso e de decisão judicial.

A reportagem do New York Times acrescenta informações sobre a participação de pessoas ligadas à administração Trump, mas ainda não estabelece eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

Casa Branca não detalhou participação no transporte

Questionada sobre a operação, a Casa Branca remeteu às declarações públicas de Donald Trump, que já havia confirmado a autorização para a entrada do senador brasileiro nos Estados Unidos.

O governo americano não apresentou, nas informações divulgadas até o momento, detalhes sobre a contratação da aeronave ou sobre a possível participação de Jason Miller na logística da viagem.

O presidente argentino, Javier Milei, também não comentou o caso, segundo a reportagem.

Após chegar a Miami, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta em que afirmou ser alvo de perseguição política e agradeceu a Trump e Milei pelo apoio recebido.

Na primeira versão do documento, o senador se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de domingo (25).

Posteriormente, alterou parte da declaração, passando a se identificar como líder do Brasil. O senador também alegou fraude eleitoral, mas não apresentou provas que sustentassem a acusação.

Próximos passos

A Polícia Federal deverá continuar investigando as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e a possível participação de terceiros na organização do transporte.

As novas informações sobre Jason Miller e a autorização migratória concedida pelos Estados Unidos poderão ampliar os questionamentos sobre o envolvimento de pessoas ligadas à administração Trump.

Também permanecem sem esclarecimento público o financiamento do jato particular e a extensão da participação de integrantes do governo norte-americano na operação.

Enquanto isso, Flávio permanece nos Estados Unidos e poderá iniciar os procedimentos para solicitar residência permanente, conforme as informações atribuídas às autoridades americanas.

Até o momento, a autorização de entrada foi confirmada publicamente, mas a participação operacional da Casa Branca no fretamento da aeronave ainda depende de esclarecimentos adicionais.