Dois fiscais do PL são levados à PF por suspeita de boca de urna no Rio de Janeiro
Homem e mulher foram conduzidos para prestar esclarecimentos após denúncias de tentativa de influenciar eleitores em um colégio na Zona Sul carioca.

Dois fiscais do Partido Liberal (PL) foram conduzidos à Polícia Federal na manhã deste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, por suspeita de prática de boca de urna no Rio de Janeiro. As ocorrências foram registradas no Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, localizado no Catete, na Zona Sul da capital fluminense.
Os envolvidos, uma mulher e um homem, são suspeitos de tentar convencer eleitores a votar no candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, ambos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal, na Praça Mauá, para prestar esclarecimentos. A condução ocorreu por determinação do juiz da 16ª Zona Eleitoral.
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Fiscais do PL são suspeitos de boca de urna no Rio de Janeiro
O primeiro caso envolveu uma mulher identificada pela equipe do colégio eleitoral como fiscal do PL. De acordo com os relatos divulgados sobre a ocorrência, ela teria abordado eleitores para tentar influenciar seus votos em favor de Flávio Bolsonaro.
A situação teria provocado reclamações de pessoas presentes no local. Fiscais eleitorais foram acionados, e a mulher também teria discutido com outros profissionais responsáveis pelo acompanhamento da votação.
Ela é investigada por suspeitas relacionadas à captação ilícita de votos e injúria. As circunstâncias dos fatos deverão ser examinadas pelas autoridades competentes.
Outro detalhe registrado foi o uso de um crachá com a inscrição “delegado”, embora a mulher tenha sido identificada como fiscal partidária.
Segundo fiscal também foi conduzido à Polícia Federal
O segundo caso ocorreu no mesmo colégio eleitoral e envolveu um homem, também identificado como fiscal do PL.
Ele foi abordado sob suspeita de tentar direcionar votos de eleitores para o candidato presidencial do partido.
Em nota, a Polícia Militar informou que equipes do 2º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Botafogo, atuaram na ocorrência e conduziram os dois envolvidos à Polícia Federal, após determinação da Justiça Eleitoral.
As identidades dos suspeitos não foram divulgadas. Até a divulgação das informações, não havia confirmação de condenação ou responsabilização criminal dos envolvidos.
PL afirma desconhecer as ocorrências
Procurado para comentar os episódios, o Partido Liberal informou que não tinha conhecimento dos fatos.
A legenda também declarou que as práticas relatadas não correspondem ao perfil de atuação de seus militantes.
A manifestação do partido ocorre em meio à investigação das suspeitas registradas no local de votação. A responsabilidade individual dos envolvidos dependerá da apuração dos fatos.
Qual é a diferença entre fiscal e delegado de partido?
Durante as eleições, partidos políticos e federações podem indicar representantes para acompanhar o processo de votação e fiscalizar o cumprimento das regras eleitorais.
Os fiscais partidários acompanham diretamente os trabalhos nas seções eleitorais, enquanto os delegados partidários possuem atribuições de representação e podem circular por diferentes seções, conforme as normas da Justiça Eleitoral.
Esses representantes podem comunicar irregularidades às autoridades, mas não estão autorizados a fazer propaganda eleitoral ou tentar influenciar o voto dos eleitores durante a votação.
Boca de urna é proibida no dia da eleição
A legislação brasileira proíbe a prática de boca de urna no dia da votação. A infração pode ocorrer quando alguém tenta convencer eleitores a votar em determinado candidato ou partido por meio de abordagens, pedidos de voto ou distribuição de material de propaganda.
Por outro lado, a manifestação individual e silenciosa da preferência política é permitida, inclusive pelo uso de camisetas, adesivos, broches e bandeiras, desde que respeitadas as regras eleitorais.
As autoridades deverão avaliar se as condutas atribuídas aos dois fiscais configuram infrações à legislação. A condução para prestar esclarecimentos não representa, por si só, comprovação de crime.
Segundo turno tem fiscalização em todo o país
As ocorrências foram registradas durante o segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O Ministério da Justiça e Segurança Pública mantém um esquema nacional de acompanhamento das ocorrências eleitorais, com participação de órgãos federais e estaduais.
Em balanço divulgado na manhã deste domingo, a pasta informou o registro de 35 ocorrências relacionadas ao processo eleitoral em 12 estados, incluindo casos de propaganda irregular, desobediência a determinações da Justiça Eleitoral e desordem em locais de votação.
O levantamento corresponde às primeiras horas do pleito e pode sofrer atualizações. No Rio de Janeiro, os dois casos registrados no Catete seguem sujeitos à análise das autoridades responsáveis.


