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Brasil

Diária de R$ 532 salta para R$ 12,5 mil na posse de Lula e caso vai ao MP

Levantamento com 369 ofertas de hospedagem em Brasília aponta aumentos de até 23,5 vezes; deputado pede investigação sobre possíveis cobranças abusivas.

Diária de R$ 532 salta para R$ 12,5 mil na posse de Lula e caso vai ao MP

Os preços das hospedagens em Brasília para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 5 de janeiro de 2027, dispararam e agora são alvo de um pedido de investigação. Um levantamento identificou uma acomodação anunciada por R$ 12.516 na data da cerimônia, enquanto a diária para o mesmo local, uma semana depois, custava R$ 532. A diferença chega a 23,5 vezes e levantou suspeitas de cobrança abusiva.

Diante dos valores, o deputado distrital e deputado federal eleito Fábio Felix (PSOL-DF) apresentou uma representação ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e ao Procon-DF. O parlamentar quer que os órgãos apurem os critérios utilizados por hotéis e plataformas digitais para estabelecer os preços durante a posse presidencial.

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A pesquisa realizada pelo gabinete do deputado analisou 369 ofertas de hospedagem disponíveis nas plataformas Booking.com e Airbnb. Os resultados mostram que os aumentos não se limitaram a casos isolados: as médias das diárias também ficaram significativamente mais altas na semana da cerimônia.

Diárias de hotéis em Brasília chegam a R$ 25 mil na semana da posse de Lula

Hospedagens chegam a custar quase dez vezes mais, em média

No Booking.com, o levantamento encontrou uma diária média de R$ 4.578,59 para a noite da posse presidencial. Na semana seguinte, a média das mesmas ofertas caiu para R$ 467,39, uma diferença de aproximadamente 9,8 vezes.

No Airbnb, a variação foi ainda maior. A média encontrada para 5 de janeiro chegou a R$ 3.612,44, enquanto na semana seguinte o valor era de R$ 290,61. Nesse caso, a hospedagem ficou aproximadamente 12,4 vezes mais cara.

As diferenças chamaram a atenção porque a comparação foi feita entre ofertas de hospedagem para duas datas próximas, permitindo observar a influência do evento sobre os preços anunciados.

Em um dos exemplos mais expressivos, a acomodação que custava R$ 532 para 12 de janeiro apareceu anunciada por R$ 12.516 para o dia da posse.

O levantamento considera preços anunciados no momento da consulta. Isso não significa necessariamente que as reservas tenham sido efetivamente realizadas pelos valores apresentados.

Deputado pede investigação sobre possíveis abusos

Fábio Felix argumenta que a alta procura por hospedagem durante grandes eventos pode provocar reajustes, mas considera necessário verificar se os aumentos encontrados possuem justificativa.

O parlamentar pediu que o Ministério Público e os órgãos de defesa do consumidor examinem a formação dos preços, os históricos das tarifas e os critérios adotados por hotéis e plataformas digitais.

“Brasília vai receber pessoas de todo o país para um momento importante da nossa democracia. Não podemos permitir que elas sejam prejudicadas por preços injustificáveis”.

Na representação, o deputado reconhece que o aumento da demanda pode provocar elevação de preços, sem que isso represente automaticamente uma irregularidade.

A preocupação apresentada é com a possibilidade de reajustes desproporcionais, especialmente quando os consumidores não conseguem identificar os fatores que justificam diferenças tão expressivas.

O pedido de investigação não significa que os estabelecimentos tenham cometido uma infração. A eventual existência de prática abusiva dependerá da análise dos órgãos competentes.

O que diz a lei sobre aumentos de preços?

O Código de Defesa do Consumidor proíbe que fornecedores elevem os preços de produtos ou serviços sem justa causa.

No entanto, a legislação não estabelece que hotéis e plataformas sejam obrigados a manter as mesmas tarifas durante todos os períodos do ano.

A ocupação, a disponibilidade de quartos, os custos operacionais e o crescimento da procura podem influenciar os valores cobrados.

Em datas de grandes eventos, como shows, festivais e cerimônias oficiais, é comum que estabelecimentos adotem preços superiores aos praticados em períodos de menor movimento.

O que deverá ser analisado no caso de Brasília é se os reajustes respeitam os princípios de transparência, boa-fé e equilíbrio nas relações de consumo.

Se forem identificadas irregularidades, os órgãos competentes poderão adotar as medidas administrativas ou judiciais cabíveis, conforme a legislação.

Posse de Lula aumenta procura por hospedagem em Brasília

A cerimônia de posse de Lula está marcada para 5 de janeiro de 2027, quando o presidente deverá iniciar seu quarto mandato à frente do Executivo federal, sendo o segundo consecutivo.

A data representa uma mudança no calendário presidencial brasileiro. Até 2023, a posse ocorria tradicionalmente em 1º de janeiro, mas a Emenda Constitucional nº 111, promulgada em 2021, estabeleceu o dia 5 de janeiro para a posse do presidente e do vice-presidente da República.

A alteração também permite que governadores participem da cerimônia presidencial, já que a posse dos chefes dos Executivos estaduais ocorrerá em 6 de janeiro.

A expectativa de chegada de visitantes de diferentes regiões do país aumentou a procura por hotéis e imóveis de temporada na capital federal.

Levantamentos do setor de aluguel por temporada já indicavam ocupação próxima de 60% nos imóveis pesquisados para o período da cerimônia, ainda no início de novembro.

A movimentação também alcança cidades do Entorno do Distrito Federal, onde visitantes procuram alternativas de hospedagem.

Próximos passos

Com a representação apresentada por Fábio Felix, caberá ao MPDFT e ao Procon-DF avaliar as informações encaminhadas e decidir quais medidas de apuração serão adotadas.

Entre os pontos que poderão ser analisados estão os históricos de preços, a transparência dos anúncios e as justificativas para reajustes registrados durante a semana da posse.

Até o momento, os valores identificados pelo levantamento representam indícios que motivaram o pedido de investigação, e não uma conclusão sobre a existência de cobrança ilegal.

Para os consumidores que pretendem acompanhar a cerimônia em Brasília, a recomendação é comparar preços, verificar as condições de cancelamento e guardar os registros das ofertas antes de concluir uma reserva.

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