Cinegrafista da Band morre e repórter fica grave em acidente na BR-381
Um acidente com o carro de reportagem da TV Band Minas mata o cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49 anos, e deixa a repórter Alice Ribeiro, 35, em estado grave. A colisão frontal com um caminhão ocorre no início da tarde desta quarta-feira (15/4), no km 438 da BR-381, em Ravena, distrito de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Choque na redação e trânsito travado na BR-381
O impacto interrompe a rotina da emissora e também a circulação em uma das rodovias mais movimentadas do estado. O carro da Band seguia pela BR-381 quando bate de frente em um caminhão em um trecho administrado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A dinâmica da colisão ainda não está clara para os investigadores, mas relatos iniciais apontam para um choque de grande intensidade.
O veículo de imprensa tem a parte dianteira completamente destruída. Equipes da concessionária que atua no trecho chegam primeiro ao local e iniciam o socorro, logo reforçado por viaturas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e por uma aeronave de resgate. O trânsito na altura do quilômetro 438 entra em sistema pare e siga no sentido Belo Horizonte e forma filas enquanto as equipes atendem a ocorrência e removem o carro retorcido.
Rodrigo Lapa morre ainda na pista. Alice Ribeiro é retirada das ferragens em estado grave e levada de helicóptero Arcanjo para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, referência no atendimento a vítimas politraumatizadas. No hospital, médicos avaliam o quadro clínico e realizam exames para mapear a extensão das lesões.
Redações em luto e alerta sobre riscos na rua
Na sede da Band Minas, em Belo Horizonte, a notícia chega quase em tempo real. Produção, jornalistas e técnicos interrompem tarefas, tentam confirmar informações e acompanham o resgate pelas imagens que começam a circular nas redes sociais. A emissora divulga nota em que manifesta pesar pela morte do cinegrafista e informa que oferece apoio às famílias das vítimas. “A Band Minas lamenta profundamente o ocorrido com esses nossos companheiros queridos e está já prestando toda assistência aos familiares das vítimas”, afirma o comunicado.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais também se pronuncia e destaca o abalo entre colegas. Em nota, a entidade diz lamentar a morte de Rodrigo Lapa e desejar “pleno restabelecimento para Alice Ribeiro”. O sindicato afirma ainda que “se coloca à disposição das famílias e manifesta toda sua solidariedade aos familiares e colegas de trabalho da dupla, e segue na torcida para que Alice se recupere”.
A repercussão ultrapassa o ambiente das redações. A Secretaria de Estado de Comunicação Social de Minas Gerais manifesta “profundo pesar” e exalta a atuação dos bombeiros e da Polícia Militar no atendimento. O governo mineiro diz se solidarizar com familiares, amigos e colegas das vítimas e deseja pronta recuperação à repórter ferida. Em redes sociais, o governador Mateus Simões, do Novo, afirma receber a notícia com tristeza e liga o episódio à própria experiência pessoal. “Meus sentimentos à Band e à família do cinegrafista Rodrigo Lapa. Sigo em oração pela recuperação da repórter e mãe Alice Ribeiro, que está em estado grave”, escreve.
O senador Rodrigo Pacheco, do PSD, também se manifesta e publica mensagem de solidariedade. “Transmito meus sentimentos aos familiares e aos amigos das vítimas”, registra. Nas redações de outros veículos da capital e do interior, o choque é imediato. Colegas resgatam imagens de reportagens assinadas pela dupla e lembram jornadas em coberturas em estradas, cidades do interior e periferias da Grande BH, em condições muitas vezes precárias de segurança viária.
BR-381 volta ao centro do debate sobre segurança
A morte de um cinegrafista em serviço e o estado grave de uma repórter reacendem o alerta para os riscos de quem trabalha na rua em Minas. Carros de reportagem circulam diariamente por rodovias como a BR-381, conhecida historicamente pela alta incidência de acidentes e apelidada por motoristas como “rodovia da morte”. O trecho onde ocorre a batida passa por obras e ajustes, mas continua concentrando colisões frontais e engavetamentos.
Na prática, o acidente expõe uma dupla vulnerabilidade. De um lado, a infraestrutura da rodovia, com trechos sinuosos, tráfego intenso de caminhões e pistas nem sempre compatíveis com o fluxo atual. De outro, a pressão por agilidade que marca a rotina de equipes de reportagem em deslocamento constante para coberturas ao vivo, muitas vezes em horários de pico e em condições climáticas adversas.
Não há, até o momento, qualquer indicação oficial de excesso de velocidade ou imprudência por parte dos envolvidos. Peritos da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal coletam marcas de frenagem, destroços e depoimentos de testemunhas para tentar reconstituir o que antecede o choque. O laudo deve apontar se houve invasão de pista, falha mecânica ou alguma manobra brusca que tenha levado à colisão frontal.
O Sindicato dos Jornalistas reforça que acompanha o caso e que pretende usar o episódio para fortalecer o debate sobre condições de trabalho, especialmente em deslocamentos por rodovias federais. Representantes da categoria lembram que acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte de profissionais de comunicação em serviço no país, ao lado de casos de violência em coberturas policiais e manifestações de rua.
Investigações em curso e pressão por respostas
A Polícia Civil abre inquérito para apurar as circunstâncias da batida. A expectativa é de que, nas próximas semanas, os investigadores cruzem depoimentos, imagens de câmeras de segurança da rodovia, dados dos veículos e laudos periciais. A PRF também elabora relatório sobre o atendimento à ocorrência e o comportamento do tráfego no momento do acidente.
O Dnit, responsável pelo trecho, deve ser pressionado a detalhar o cenário da via no instante da colisão e a apresentar dados atualizados de acidentes na região de Ravena. Entidades ligadas ao transporte rodoviário e à segurança no trânsito cobram há anos a conclusão de obras de duplicação, ajustes em curvas e melhorias na sinalização ao longo dos cerca de 100 quilômetros que ligam Belo Horizonte a cidades do leste do estado.
Na Band Minas, a prioridade imediata é acompanhar a evolução clínica de Alice Ribeiro e amparar os familiares de Rodrigo Lapa. A emissora discute internamente se promove homenagens especiais ao cinegrafista, que acumula décadas de atuação em coberturas de rua. Colegas relatam, em reservado, o peso emocional de seguir para novas pautas em rodovias depois de uma perda dessa dimensão.
O episódio volta a colocar a segurança no trânsito no centro da discussão pública em Minas e levanta perguntas que ainda aguardam resposta. Quem responde pelas condições da BR-381 no trecho de Ravena? Que protocolos de segurança as equipes de reportagem precisam adotar, e quem garante que sejam cumpridos? As investigações sobre a colisão vão apontar responsabilidades concretas, mas a pressão por mudanças na rodovia e na rotina de deslocamentos de profissionais de imprensa já começa a crescer.
