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Botafogo busca virada, vence o Racing e reacende Sul-Americana

O Botafogo vence o Racing por 3 a 2, de virada, nesta quarta-feira (15), no El Cilindro, em Buenos Aires, e reage na Copa Sul-Americana. Em jogo tenso, com falha do goleiro Neto e reviravoltas no placar, o time de Franclim Carvalho cresce na reta final e volta vivo na briga pela classificação no grupo.

Viradas, falha no gol e um resultado que muda o clima

O confronto em Avellaneda reúne dois clubes de tradição no continente, pressionados por uma tabela que não permite tropeços na segunda rodada da fase de grupos. O Botafogo chega à Argentina com mudanças importantes na escalação e com a missão clara de somar pontos para evitar que a campanha desande logo em abril.

O time sofre cedo com a atmosfera do El Cilindro e comete o primeiro erro grave da noite. Neto, mantido como titular no gol após atuar contra o Flamengo, falha na saída de bola e entrega a vantagem ao Racing. O golpe expõe a fragilidade recente do setor defensivo e aumenta a tensão em torno do camisa 1, já questionado por parte da torcida.

A resposta vem ainda no primeiro tempo. Mais adiantado e agressivo, o time brasileiro passa a explorar os lados do campo com Alex Telles e Mateo Ponte, escalados como laterais titulares. Em uma das tentativas em profundidade, o lançamento encontra Junior Santos, que domina, invade a área e vira para o Botafogo, recolocando o time no jogo e silenciando parte do estádio argentino.

O equilíbrio no placar não acalma a partida. O Racing volta do intervalo mais intenso, adianta a marcação e volta a encontrar espaços entre os zagueiros Ferraresi e Alexander Barboza. A pressão resulta no empate argentino na segunda etapa, com bola rasteira que expõe novamente a insegurança defensiva do Botafogo.

O time brasileiro balança, e Neto volta ao centro das atenções. Minutos depois do gol sofrido, o goleiro é driblado em jogada rápida, e o Racing tem a bola do possível 3 a 2. A torcida local já se prepara para explodir, mas Ferraresi acompanha a jogada até o fim e salva em cima da linha, num dos lances decisivos da noite em Buenos Aires.

Franclim muda o time, Alex Telles cresce e a virada se consolida

A atuação não é brilhante, mas o Botafogo mostra uma faceta que faltou em outros momentos recentes da temporada: capacidade de competir até o fim. Franclim Carvalho arma o time com Allan, Edenilson e Cristian Medina no meio, uma formação mais técnica que física, que ganha corpo à medida que o relógio avança e o Racing perde intensidade.

Alex Telles, de volta à equipe titular, faz diferença nas duas metades do campo. O lateral participa da construção ofensiva com cruzamentos e inversões de jogo e se fecha bem ao lado de Barboza quando o Racing tenta explorar o corredor esquerdo. O retorno do experiente jogador reduz a instabilidade que vinha marcando o setor e ajuda a segurar o ímpeto argentino nos minutos finais.

Na frente, o trio formado por Matheus Martins, Junior Santos e Arthur Cabral alterna erros técnicos e boas decisões, mas insiste até encontrar brechas. A virada definitiva nasce de um lance que mistura oportunismo e nervosismo do adversário. O goleiro Cambeses se atrapalha em bola levantada na área, a defesa não consegue afastar e o Botafogo aproveita o rebote para marcar o terceiro, garantindo a vitória fora de casa.

O 3 a 2 consolida um resultado que vai além dos números. O triunfo em solo argentino interrompe o início de clima pesado em General Severiano e dá a Franclim algum respiro após críticas públicas à condução do projeto. Nos bastidores, o presidente do clube já havia considerado “extremamente desagradável” o anúncio de uma eventual venda em jornal inglês, o que ampliou a sensação de instabilidade política nos últimos dias.

A reação em campo contrasta com o ambiente externo. Torcedores usam redes sociais e faixas em jogos recentes para mandar recados diretos à diretoria e a Franclim Carvalho, cobrando transparência e resultados. A vitória em Buenos Aires não resolve o desgaste, mas oferece argumento esportivo concreto: o time ainda responde quando pressionado.

Confiança renovada, grupo embolado e pressão por regularidade

O cenário do grupo muda com o resultado. Vencer fora na segunda rodada vale mais do que três pontos isolados: impede que o Racing dispare e mantém o Botafogo na zona de disputa real pela vaga na fase seguinte. Em um torneio de tiro curto, cada tropeço pesa, e cada vitória longe de casa tende a ser decisiva em campanhas de classificação.

O desempenho em Buenos Aires reforça ainda a leitura de que a nova base titular tem potencial competitivo. Neto falha, mas se mantém respaldado por uma defesa que reage com Ferraresi e Barboza. No meio, Allan, Edenilson e Medina mostram mais controle de bola e capacidade de ditar ritmo, algo que faltou em jogos recentes. À frente, Arthur Cabral ganha minutos importantes, enquanto Junior Santos se consolida como peça decisiva em jogos grandes.

Para Franclim Carvalho, o jogo também funciona como teste tático aprovado. O time se comporta de maneira mais compacta, reduz espaços entre setores e suporta pressão intensa em um estádio historicamente hostil a brasileiros. A forma como a equipe segue atacando depois de sofrer o segundo gol indica uma mudança de mentalidade que a comissão técnica tenta implementar desde o início da temporada.

O desafio agora é transformar a reação pontual em sequência. A vitória por 3 a 2 aumenta a moral, mas também eleva a barra de cobrança para as próximas rodadas da Sul-Americana e para os compromissos no calendário doméstico. Qualquer novo tropeço em casa, por exemplo, voltará a colocar o time sob suspeita, especialmente se vier acompanhado de falhas individuais como a desta quarta.

O Botafogo deixa Buenos Aires com três pontos, confiança renovada e questões ainda em aberto. A resposta a uma delas, decisiva, só virá nas próximas semanas: o time aprendeu a sofrer para vencer ou apenas adiou a turbulência que o cerca desde o início do ano?

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