Bancos de leite do DF ficam abaixo da meta e precisam de novas doações
Rede coletou cerca de 1,7 mil litros por mês entre julho e setembro, abaixo da meta de 2 mil litros. Estoques precisam ser reforçados para atender recém-nascidos prematuros e internados.

A Rede de Bancos de Leite Humano do Distrito Federal precisa de novas doações para reforçar os estoques e garantir o atendimento a bebês prematuros e recém-nascidos internados em unidades neonatais. Entre julho e setembro, a coleta mensal ficou abaixo da meta de 2 mil litros estabelecida para o período.
Dados da Secretaria de Saúde do DF mostram que foram arrecadados 1.775 litros em julho, 1.697 litros em agosto e 1.682 litros em setembro. A média dos três meses foi de aproximadamente 1.718 litros, volume inferior ao necessário para alcançar a meta mensal.
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Coleta de leite ficou abaixo da meta nos últimos meses
O volume arrecadado também apresenta oscilações nos últimos anos. De acordo com os dados informados, a rede ultrapassou a marca de 20 mil litros coletados em apenas dois dos últimos cinco anos.
- 2021: 19.145 litros
- 2022: 18.358 litros
- 2023: 22.254 litros
- 2024: 19.834 litros
- 2025: 21.040 litros
Com a proximidade do fim do ano, a preocupação aumenta. O período de férias escolares e viagens pode afetar a rotina das doadoras e exige atenção para que os estoques sejam reforçados antes da redução na coleta.
Leite doado ajuda a salvar bebês prematuros
O leite humano é especialmente importante para recém-nascidos prematuros, bebês com baixo peso e crianças internadas em unidades neonatais. Quando a mãe ainda não consegue amamentar ou não produz leite suficiente, a doação ajuda a garantir a alimentação dos pequenos.
A neonatologista Marta Rocha, responsável pelo Banco de Leite Humano do Hospital Santa Lúcia, explica que o alimento passa por etapas de seleção e controle antes de ser oferecido aos bebês.
“Para esses pequenos, cada mililitro é precioso. O leite doado passa por seleção, pasteurização e controle de qualidade antes de ser oferecido, garantindo segurança para quem mais precisa”, afirma.
A médica também destaca os benefícios para a saúde dos prematuros.
“O leite humano é o alimento mais precioso que podemos oferecer ao prematuro. Além de nutrir, ajuda a proteger o intestino e favorece sua maturação. Por isso, a doação faz parte do cuidado que protege a vida desses bebês, enquanto a equipe também apoia a mãe para estabelecer e manter sua produção de leite.”
DF é referência na doação de leite materno
O Distrito Federal é reconhecido pela estrutura da Rede de Bancos de Leite Humano, que reúne 14 unidades e pontos de coleta. O trabalho envolve o recebimento, o processamento, o armazenamento e a distribuição do alimento para recém-nascidos que precisam de assistência.
A rede é formada por bancos de leite nos hospitais da Asa Norte, Sobradinho, Brazlândia, Ceilândia, Materno Infantil, Taguatinga, Gama, Planaltina, Paranoá, Hospital Universitário de Brasília (HUB), Santa Maria e Samambaia. Também há postos de coleta em São Sebastião e no Riacho Fundo I.
O Brasil é referência internacional na área, com uma rede que combina apoio à amamentação, controle de qualidade e incentivo à doação de leite humano. A experiência brasileira também serve de base para iniciativas de cooperação com outros países.
Quem pode doar e como fazer?
Mulheres saudáveis que estejam amamentando e produzam leite em quantidade superior à necessidade do próprio bebê podem se tornar doadoras. Para isso, é possível entrar em contato pelo Disque Saúde 160, opção 4, acessar o site Amamenta Brasília ou o Portal Cidadão do GDF.
Após o cadastro, a equipe responsável orienta sobre a retirada, o armazenamento e o congelamento do leite. As doadoras também recebem instruções para higienizar e esterilizar os frascos de vidro utilizados para guardar o alimento. Quem tiver recipientes de vidro com boca larga e tampa de plástico sem uso pode doá-los aos bancos de leite.
A coleta também pode ser agendada em casa, com apoio do Corpo de Bombeiros, conforme a organização do serviço em cada região. Dessa forma, a doadora não precisa se deslocar até uma unidade para entregar o leite.
Não é necessário encher o recipiente para fazer a doação. Qualquer quantidade pode contribuir para alimentar os bebês internados e ajudar a reforçar os estoques da rede.


