Atlético-MG vence Ceará, reage na crise e abre vantagem na Copa do Brasil
O Atlético-MG vence o Ceará por 2 a 1 nesta quinta-feira (23), na Arena MRV, e abre vantagem na 5ª fase da Copa do Brasil. O resultado interrompe a má fase recente e dá ao time mineiro o direito de jogar por um empate no duelo de volta, em 13 de maio, em Fortaleza.
Alívio na Arena MRV em noite de resposta
A noite em Belo Horizonte começa tensa. O Atlético chega pressionado por atuações irregulares, cobranças públicas e um ambiente que mistura desconfiança e impaciência. A Copa do Brasil de 2026 vira, de forma precoce, um divisor de águas na temporada. A vitória diante de mais de dezenas de milhares de torcedores na Arena MRV não resolve todos os problemas, mas muda o clima. Alivia a arquibancada, protege o vestiário e devolve ao time algum controle sobre a narrativa do ano.
O jogo mostra um Atlético dominante, mas ainda pouco eficiente nas primeiras meia hora. O time ocupa o campo de ataque, roda a bola, prende o Ceará perto da própria área, mas cria pouco. A primeira finalização perigosa sai dos pés de Maycon, em chute defendido por Richard, que sente o ombro e passa a atuar no limite. A cena expõe o desgaste físico do visitante, que aceita o papel de reagir e resiste como pode.
O relógio passa dos 20 minutos quando o roteiro muda de ritmo. Cassierra aparece pela direita, chuta cruzado e obriga Richard a nova defesa. O goleiro não aguenta e deixa o campo, dando lugar a Bruno Ferreira. O Atlético sente que o adversário balança. Em seguida, Cassierra volta a se projetar pelo lado, cruza para Bernard e quase encontra o gol em jogada rápida dentro da área. A arquibancada se levanta e percebe que o time enfim acelera.
O gol amadurece antes de sair. Aos 36 minutos, Cassierra recua, faz o pivô e encontra Maycon infiltrando pelo meio. O volante bate firme e testa Bruno Ferreira. O Ceará se segura como pode, afasta cruzamentos e tenta esfriar o jogo. A estratégia dura pouco. Em nova finalização de Maycon, o goleiro espalma para escanteio, o rebote termina nos pés de Victor Hugo dentro da área e, depois de duas defesas seguidas, a bola sobra para Cassierra completar. O 1 a 0, ainda que sofrido, premia a insistência atleticana.
O intervalo chega com sensação de controle para o Atlético e de sobrevivência para o Ceará. O time mineiro volta do vestiário com a missão de transformar a vantagem mínima em margem confortável para o jogo de volta, fora de casa. O Ceará, por sua vez, se agarra à ideia de sair vivo de Belo Horizonte para decidir em Fortaleza diante de seu público.
Pintura do Ceará, reação imediata e vantagem em aberto
O segundo tempo começa com o Atlético mantendo a bola e o Ceará ainda mais retraído. O visitante pouco passa do meio-campo, mas precisa de um lance para mudar a história da partida. Aos 19 minutos, Fernandinho recebe pelo meio e, de primeira, acerta um toque de letra que quebra a marcação mineira. Wendel Silva domina na entrada da área pela esquerda, ajeita o corpo e acerta o ângulo. A finalização tira qualquer chance de defesa e silencia a Arena MRV por alguns segundos.
O golaço devolve fantasmas recentes ao estádio. A sequência de resultados ruins volta à memória, e o torcedor pressente outro tropeço em casa. A resposta vem mais rápido que o medo. O Atlético reorganiza a pressão imediatamente, adianta a marcação e volta a explorar os lados do campo. Cuello recebe pela esquerda, prende o marcador, levanta a cabeça e encontra a passagem de Renan Lodi. O lateral entra em velocidade, bate forte e alto, sem permitir reação a Bruno Ferreira. O 2 a 1, aos 20 e poucos minutos da etapa final, recoloca o Galo em vantagem e reaquece o estádio.
O gol de Lodi funciona como ponto de virada emocional. O Atlético passa a administrar a posse com mais segurança, ainda que sem abdicar da busca pelo terceiro gol. A melhor chance de fechar a conta surge por volta dos 30 minutos, em contra-ataque rápido. Minda arranca em velocidade e serve Cuello, que entra livre, finaliza rasteiro e vê Bruno Ferreira salvar o Ceará. A cena resume o jogo: o time mineiro cria, mas ainda desperdiça oportunidades que poderiam transformar um bom resultado em cenário quase definitivo.
Nos minutos finais, Cuello volta a desequilibrar pela esquerda, limpa a marcação e chuta colocado. A bola vai em direção ao gol, mas desvia em um companheiro em posição irregular. O lance é anulado e alimenta a sensação de que o Atlético deixa escapar a chance de construir vantagem mais larga. Ainda assim, o apito final encontra um estádio que aplaude e, por ora, troca vaias por confiança moderada.
Impacto na temporada e pressão redistribuída
A vitória por 2 a 1 não resolve o futuro do Atlético na Copa do Brasil, mas muda o tabuleiro de curto prazo. O time mineiro leva para Fortaleza a vantagem do empate em 13 de maio, em jogo único que vale vaga nas oitavas de final e premiação milionária. Em um calendário que espremido até dezembro, com orçamento dependente de avanços em mata-matas, cada fase superada alivia o caixa e sustenta investimentos no elenco.
O resultado também redesenha a pressão sobre o elenco. Jogadores que vinham sob críticas, como Cassierra, ganham fôlego. O colombiano participa de quase todas as ações ofensivas relevantes e marca o gol que abre o placar. Renan Lodi, que convive com dúvidas sobre rendimento desde o retorno ao Brasil, assina o chute que garante a vitória. A atuação não é perfeita, mas dá ao torcedor concreto para se apoiar além de discursos de reação.
Do outro lado, o Ceará volta para casa com um gol fora e a sensação de que poderia sair com menos desvantagem. O time sofre a maior parte do tempo, mas encontra em Wendel Silva um ponto de desequilíbrio. A pintura do atacante mantém o clube vivo no confronto e alimenta a expectativa de casa cheia no Castelão, em maio. Em contexto de calendário apertado para a Série B e Copa do Brasil, o técnico precisa decidir até que ponto arrisca forças máximas no torneio nacional.
No vestiário mineiro, o discurso tenta equilibrar euforia e prudência. A comissão técnica sabe que o placar curto, em mata-mata, muda com um lance mal defendido em Fortaleza. A noite, porém, marca uma quebra de sequência negativa e permite ajustes com o ambiente menos inflamado. Para um elenco que entra em campo três vezes por semana, a diferença entre atuar sob vaias ou sob apoio faz impacto direto em desempenho.
Flamengo, Castelão e a próxima curva da temporada
O calendário não oferece tempo para contemplação. O Atlético volta a campo já no domingo, 26 de abril, às 20h30 (de Brasília), novamente na Arena MRV, para enfrentar o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. O duelo coloca frente a frente dois elencos caros, elogiados e cobrados por resultados imediatos. Uma vitória em casa pode consolidar a virada de chave iniciada nesta quinta; um tropeço reacende questionamentos.
O jogo de volta contra o Ceará, em 13 de maio, desenha-se como outro ponto de tensão. O time mineiro chegará ao Castelão carregando a vantagem e também a responsabilidade. O Ceará, empurrado por sua torcida e apoiado no gol de Wendel, tentará transformar a pintura individual em virada coletiva. Entre um compromisso e outro, o Atlético equilibra a disputa do Brasileirão e a gestão física de um elenco que ainda busca padrão e confiança. A noite de 2 a 1 na Arena MRV não fecha o enredo de 2026, mas marca um capítulo em que o Galo, enfim, escolhe reagir.
