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Árbitro admite erro em não expulsar Pottker em derrota do América

O zagueiro Nathan Pelae revela, nesta sexta-feira (24), que o árbitro Lucas Casagrande admite ter errado ao não expulsar William Pottker em América 0 x 1 Ponte Preta, pela Série B, no Moisés Lucarelli, em Campinas. A confissão ocorre após revisão do lance em que o atacante deixa o braço no rosto do defensor americano e segue em campo para marcar o gol da vitória da Macaca.

Erro admitido após o apito final

O vestiário do América ainda digere a sexta derrota em seis jogos quando, na zona mista do estádio, surge a informação que muda o tom da noite. Nathan Pelae conta que, já com o placar definido em 1 a 0 para a Ponte Preta, o árbitro Lucas Casagrande o procura e reconhece a falha no lance mais polêmico da partida.

O episódio ocorre em Campinas, pela 6ª rodada da Série B, em um contexto de pressão máxima sobre o clube mineiro, lanterna da competição com apenas dois pontos em 18 disputados. Aos olhos da arbitragem, a partida termina sem expulsões. Na avaliação posterior do próprio juiz, o jogo deveria ter seguido outro roteiro.

Na entrevista exclusiva à Itatiaia, ainda no corredor que liga o gramado ao vestiário, o zagueiro relata a conversa com o árbitro paranaense. “Falei com o árbitro depois. Ele assumiu o erro, falou que reviu o lance e viu que (o William Pottker) deveria ter sido expulso”, afirma Nathan, com expressão de incredulidade diante do microfone.

O lance em questão acontece no segundo tempo, quando William Pottker disputa a bola e acerta o rosto de Pelae com o braço. Em campo, Casagrande aplica apenas o cartão amarelo, decisão que o VAR não corrige. A súmula ainda não registra qualquer revisão formal, mas, para o elenco americano, a sensação é de que a tecnologia falha justamente quando mais se cobra precisão.

Lance decisivo e América afundado na lanterna

A reclamação do zagueiro não se limita ao gesto isolado do atacante, e sim às consequências diretas no placar. “Isso (a expulsão de Pottker) tinha que ter acontecido na hora, o VAR tinha que ter chamado ele (o árbitro principal). Agora, não adianta ele ter visto depois. No lance seguinte, quem deveria ter sido expulso fez o gol”, completa Nathan.

O gol que decide a partida nasce pouco depois do choque entre os dois jogadores, mantendo Pottker em campo em um momento chave do duelo no Moisés Lucarelli. A Ponte aproveita o desequilíbrio emocional do América após o cartão contestado e encontra espaço para construir a vitória mínima. Para um time que já entra em campo pressionado por cinco rodadas sem vencer, o detalhe pesa como uma tonelada.

O América chega a 18 pontos disputados e soma apenas dois, com quatro derrotas seguidas na Série B, sem conseguir reagir no segundo tempo em Campinas. O resultado o mantém isolado na lanterna, situação que amplia o clima de urgência já em abril, quando ainda restam 32 rodadas pela frente. A conta, porém, não é só matemática: é também psicológica.

O histórico recente da arbitragem com o clube mineiro alimenta a irritação interna, embora a diretoria, até o fim da noite, ainda não se manifeste oficialmente sobre o episódio. Jogadores, comissão técnica e torcedores recorrem às redes sociais e a vídeos do lance para reforçar a tese de erro grave em um campeonato que promete equilíbrio ponto a ponto na luta contra o rebaixamento.

VAR sob questionamento e confiança abalada

A admissão pública de falha pelo árbitro reacende um debate que atravessa estádios brasileiros desde a implantação do árbitro de vídeo. Se Casagrande revê o lance horas depois e conclui que o cartão vermelho é a decisão correta, a pergunta que ecoa no América é simples: por que o VAR não o chama à beira do campo no momento da jogada?

A ferramenta entra em ação justamente para corrigir erros claros em lances de agressão, disputa de bola violenta e gols irregulares. Quando a correção não acontece, a sensação é de que o protocolo falha na prática. No caso desta sexta-feira, o impacto é direto: Pottker permanece em campo, participa da jogada seguinte e sai como protagonista de uma vitória que empurra o adversário para o fundo da tabela.

Nathan sintetiza o sentimento no elenco. “Agora, não adianta”, repete, ao lembrar que o América segue sem vencer após seis rodadas e acumula quatro jogos seguidos sem marcar mais de um gol. O discurso traduz a frustração de um grupo que vê a margem de erro encolher enquanto decisões de arbitragem interferem em resultados apertados.

Especialistas lembram que pedidos de anulação de partidas por erro de interpretação raramente prosperam no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que só costuma rever jogos em casos excepcionais, como aplicação equivocada de regra. O mais provável é que o episódio se limite à esfera política, com pressão sobre a Comissão de Arbitragem da CBF e questionamentos sobre a capacitação de árbitros e assistentes de vídeo.

Reação urgente e sequência na Série B

O América tenta virar a página já no próximo domingo (3), quando recebe o CRB, às 20h30 (de Brasília), na Arena Independência, pela 7ª rodada da Série B. O jogo ganha contornos de decisão precoce para um elenco que soma dois pontos em 18 possíveis e precisa reagir para não transformar a luta contra o rebaixamento em rotina até novembro.

A comissão técnica trabalha para proteger o elenco da narrativa de vítima e evitar que a revolta com a arbitragem se torne muleta para o mau momento. Internamente, o discurso é de correção de falhas defensivas, maior eficiência ofensiva e controle emocional para não se perder em novas polêmicas na reta inicial do campeonato.

A revelação de que o árbitro admite erro, porém, dificilmente desaparece do ambiente tão cedo. O caso entra no repertório recente de decisões contestadas no futebol brasileiro e volta a pressionar federações e CBF por mais transparência na divulgação dos áudios do VAR e na avaliação pública do desempenho dos juízes.

O América segue em busca da primeira vitória, a torcida observa com desconfiança e a Série B expõe sua costumeira imprevisibilidade. Entre um lance não revisto e uma conversa de corredor, o que fica para o clube mineiro é a sensação de que, em uma competição longa e equilibrada, cada erro pesa como se valesse muito mais do que três pontos.

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