Amapá lidera buscas por delivery de farmácia no Brasil, aponta pesquisa
Levantamento do iFood mostra que quatro estados do Norte ocupam as primeiras posições nacionais; compras a distância em grandes redes farmacêuticas movimentaram R$ 22,6 bilhões em 2025.

O Amapá é o estado brasileiro com o maior interesse proporcional por serviços de delivery de farmácia, segundo um levantamento realizado pelo iFood. A pesquisa analisou buscas feitas no Google entre setembro de 2025 e agosto de 2026 e colocou o estado à frente de Roraima, Rondônia e Acre, que completam as quatro primeiras posições do ranking nacional.
O estudo considerou a quantidade de pesquisas pelo termo “delivery de farmácia” para cada grupo de 100 mil habitantes. O resultado mostra que a procura por serviços de entrega de medicamentos, produtos de higiene e cuidados pessoais não está concentrada apenas nos grandes centros urbanos do Sudeste. Entre os dez primeiros colocados, sete estados pertencem às regiões Norte e Nordeste.
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Apesar da liderança do Amapá, o levantamento não significa que o estado tenha o maior número absoluto de pedidos ou de compras de medicamentos pela internet. Os dados medem exclusivamente o interesse demonstrado nas pesquisas do Google, sem identificar quantas dessas buscas se transformaram em compras efetivas.
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Região Norte ocupa as quatro primeiras posições do ranking
O levantamento elaborado pelo iFood identificou uma concentração de estados da Região Norte entre os brasileiros que mais pesquisam proporcionalmente por serviços de entrega de farmácia.
O Amapá aparece na primeira posição, seguido por Roraima, Rondônia e Acre.
Confira o ranking completo:
- Amapá;
- Roraima;
- Rondônia;
- Acre;
- Sergipe;
- Piauí;
- Alagoas;
- Distrito Federal;
- Mato Grosso do Sul;
- São Paulo.
A classificação considera exclusivamente o volume de buscas por 100 mil habitantes, permitindo comparar estados com populações de tamanhos diferentes.
O estudo não divulgou, nas informações apresentadas, a quantidade exata de pesquisas realizadas em cada unidade federativa.
Por isso, não é possível calcular a diferença percentual entre o Amapá e os demais estados.
Por que o interesse por delivery de farmácia é elevado no Norte?
A presença de quatro estados da Região Norte no topo do ranking evidencia o interesse dos consumidores dessa parte do país pela possibilidade de receber produtos farmacêuticos em casa.
Entre os fatores que podem contribuir para a procura estão a praticidade, as distâncias entre estabelecimentos comerciais e áreas residenciais e a necessidade de adquirir medicamentos sem deslocamentos.
Em cidades com menor oferta de farmácias próximas, a possibilidade de solicitar produtos por aplicativos ou sites pode representar uma alternativa para os consumidores.
Pessoas idosas, pacientes com dificuldades de locomoção e moradores que precisam adquirir medicamentos de uso contínuo também podem se beneficiar da modalidade.
Entretanto, o levantamento do iFood não investigou os motivos individuais que levaram os consumidores a realizar as pesquisas.
Assim, não é possível afirmar que as distâncias ou a disponibilidade de estabelecimentos sejam as principais causas da liderança do Amapá.
Delivery de farmácia movimentou R$ 22,6 bilhões em grandes redes
O crescimento dos serviços de entrega também aparece nos dados do mercado farmacêutico brasileiro.
Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), as vendas realizadas por canais a distância nas 29 redes associadas cresceram 57,7% em 2025.
Essas operações movimentaram aproximadamente R$ 22,6 bilhões ao longo do ano.
O levantamento da entidade também indica que cerca de duas em cada dez vendas das redes participantes foram realizadas por modalidades de entrega.
Os números refletem o crescimento do comércio digital no setor farmacêutico, impulsionado pela utilização de aplicativos, sites e outros canais de atendimento remoto.
Os dados da Abrafarma, entretanto, abrangem as redes associadas à entidade e não representam necessariamente todas as farmácias existentes no Brasil.
iFood amplia presença no mercado farmacêutico
A expansão do delivery de farmácia também acompanha o crescimento da atuação de plataformas digitais nesse segmento.
Segundo informações divulgadas pelo iFood, os pedidos de produtos farmacêuticos na plataforma cresceram mais de 70% durante o primeiro semestre de 2026.
No mesmo período, a quantidade de farmácias parceiras passou de aproximadamente 14 mil para 22 mil estabelecimentos.
A empresa também informou que a categoria está presente em mais de 900 cidades brasileiras.
Além de medicamentos, as plataformas podem disponibilizar produtos de higiene pessoal, itens de cuidados com a saúde e outros artigos comercializados pelas farmácias.
A disponibilidade depende da cobertura dos estabelecimentos, dos estoques e das condições de entrega em cada município.
O crescimento nacional do serviço não significa que todas as cidades do Amapá ou dos demais estados do ranking tenham acesso às mesmas opções.
Farmácia aparece entre as categorias de delivery mais pesquisadas
Outro levantamento do iFood analisou as buscas médias mensais realizadas no Google Brasil entre julho de 2025 e junho de 2026.
Nesse recorte, a expressão “farmácia delivery” apareceu na terceira posição entre as categorias pesquisadas.
O termo registrou uma média de 6.975 buscas mensais.
A categoria ficou atrás de pizza, com 11.017 pesquisas, e bebidas, com aproximadamente 8 mil.
Os números mostram a presença dos produtos farmacêuticos entre os serviços procurados pelos consumidores no ambiente digital.
Entretanto, assim como no ranking estadual, os dados representam pesquisas feitas na internet e não a quantidade de pedidos concluídos.
Venda de medicamentos pela internet exige regras sanitárias
Apesar da praticidade, a comercialização e a entrega de medicamentos precisam obedecer às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os produtos devem ser fornecidos por farmácias e drogarias devidamente licenciadas, com acompanhamento de profissionais habilitados e cumprimento das exigências relacionadas à dispensação.
Medicamentos que necessitam de receita médica continuam sujeitos à apresentação da documentação correspondente.
No caso de substâncias controladas, existem regras específicas para conferência das prescrições e retenção dos documentos exigidos pela legislação.
O transporte também precisa preservar as características dos medicamentos.
Alguns produtos exigem condições especiais de temperatura, umidade e armazenamento para garantir sua qualidade até a entrega ao consumidor.
A compra por aplicativo não elimina essas obrigações.
Anvisa discute regulamentação de plataformas digitais
Em agosto de 2026, a Anvisa revogou medidas que restringiam a comercialização e a publicidade de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi e Mercado Livre.
A decisão ocorreu após mudanças na legislação brasileira relacionadas à participação de empresas de comércio eletrônico na logística farmacêutica.
Entretanto, a retirada das proibições anteriores não significa autorização irrestrita para a venda de medicamentos por qualquer estabelecimento ou vendedor.
A agência iniciou um processo de regulamentação específica para definir as condições de atuação das plataformas digitais.
Entre os pontos que exigem atenção estão a identificação dos estabelecimentos responsáveis pela venda, a conservação dos medicamentos e o cumprimento das regras de prescrição.
A fiscalização continua sendo necessária para impedir a comercialização de produtos irregulares, falsificados ou armazenados inadequadamente.
O que o resultado representa para o Amapá?
A liderança do Amapá no levantamento mostra que existe interesse proporcionalmente elevado pela possibilidade de comprar produtos de farmácia sem precisar sair de casa.
O resultado pode servir como indicador para empresas interessadas em avaliar a procura por serviços digitais no estado.
Entretanto, não permite concluir que o Amapá tenha o maior mercado de delivery farmacêutico do país, nem que seus moradores realizem mais compras do que os consumidores de outros estados.
Para compreender o tamanho real desse mercado, seria necessário analisar informações adicionais, como número de pedidos, faturamento, quantidade de farmácias participantes e cobertura das entregas.
O levantamento também não apresenta dados suficientes para determinar se a procura está concentrada em Macapá e Santana ou distribuída por outros municípios amapaenses.
Próximos passos
O crescimento do delivery farmacêutico deve continuar acompanhado pelas empresas do setor e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização sanitária.
A ampliação da cobertura dependerá da presença de farmácias licenciadas, da infraestrutura de transporte e da capacidade de atender consumidores em diferentes localidades.
No Amapá, o resultado do levantamento indica uma oportunidade de acompanhar como o interesse digital se transforma em utilização efetiva dos serviços.
Para os consumidores, a recomendação é verificar se a farmácia está regularizada, conferir os prazos de entrega e observar as exigências de receita médica antes de concluir a compra.
A expansão do serviço poderá facilitar o acesso a determinados produtos, desde que seja acompanhada pelo cumprimento das normas de segurança e qualidade estabelecidas pela Anvisa.


