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Brasil

Aeroporto de Brasília é o segundo do país com mais colisões com aves em 2026

Terminal registrou 52 ocorrências no primeiro semestre, seis delas com danos às aeronaves; concessionária aposta em cães treinados e ações de monitoramento para afastar animais.

Aeroporto de Brasília é o segundo do país com mais colisões com aves em 2026

O Aeroporto Internacional de Brasília registrou 52 colisões com aves entre janeiro e junho de 2026 e ocupa a segunda posição entre os terminais brasileiros com mais ocorrências desse tipo no período. Seis dos impactos provocaram danos às aeronaves. Os dados constam em relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB).

No mesmo semestre, foram contabilizadas 25.639 decolagens no aeroporto da capital federal. Para tentar reduzir os riscos, a concessionária Inframerica realizou 893 ações de afugentamento de animais, que somaram 3.364 minutos de monitoramento.

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Cães treinados ajudam a afastar aves das pistas

Desde 2021, o aeroporto conta com o apoio de dois cães da raça Border Collie, chamados Zeca e Vida. Treinados para afugentar aves, os animais atuam acompanhados por profissionais especializados.

Segundo a Inframerica, o trabalho tem apresentado resultados mais eficazes do que métodos tradicionais, como sirenes e buzinas. A concessionária também utiliza veículos, alarmes sonoros e outros recursos para afastar animais das áreas operacionais.

O controle da fauna faz parte do Programa de Gerenciamento de Risco da Fauna (PGRF), que inclui monitoramento das áreas do aeroporto, estudo das espécies presentes na região, controle de resíduos e manejo da vegetação.

A concessionária também mantém uma comissão responsável por estudar e implementar medidas preventivas. O trabalho envolve ainda uma parceria com o Zoológico de Brasília para acompanhar as espécies e identificar situações que possam representar riscos às operações aéreas.

Colisões com aves aumentaram em 2025

Em 2025, o número de colisões com aves no Aeroporto de Brasília passou de 108 para 147, um aumento de 36%. As ocorrências que provocaram danos às aeronaves subiram de oito para 18, crescimento de 125%.

Apesar do aumento no balanço anual, a comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026 aponta uma redução de 29% na taxa de colisões por 10 mil ciclos de operação. A taxa de ocorrências com danos também caiu 50%.

A Inframerica ressalta que comparar apenas o número absoluto de colisões entre aeroportos não é suficiente para avaliar o desempenho ou o nível de risco de cada terminal. Segundo a empresa, aeroportos com maior movimentação tendem a registrar mais ocorrências.

Brasil registrou 989 colisões no primeiro semestre

Em todo o país, foram contabilizadas 989 colisões com aves envolvendo aeronaves de empresas brasileiras de transporte regular de passageiros entre janeiro e junho de 2026. Desse total, 14% provocaram danos.

As fases de pouso e aproximação concentraram 58% dos registros. Já os procedimentos de decolagem e subida responderam por 32% das ocorrências.

Um dos episódios recentes no Aeroporto de Brasília aconteceu em 29 de julho, quando um avião da Latam colidiu com aves durante a decolagem e precisou retornar ao terminal.

Zoológico, Ceasa e área de entulho estão entre os pontos de atenção

O relatório também identifica três áreas nas proximidades do aeroporto que podem atrair aves e aumentar o risco de colisões: o Zoológico de Brasília, a Unidade de Recebimento de Entulho (URE) e a Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF).

Os locais estão dentro da Área de Segurança Aeroportuária (ASA), que abrange um raio de 20 quilômetros a partir do centro da maior pista do aeroporto. Nessas áreas, o uso e a ocupação do solo estão sujeitos a restrições para evitar atividades que favoreçam a concentração de animais.

O Zoológico é apontado como um dos principais pontos de atenção por sua capacidade de atrair espécies de aves que oferecem riscos à aviação. De acordo com a Inframerica, entre os focos atrativos identificados e monitorados dentro da ASA, o local é o mais próximo do aeroporto. Por isso, as duas instituições mantêm ações conjuntas de prevenção.

A Lei nº 12.725/2012 estabelece regras para restringir atividades que possam atrair animais nas áreas de segurança aeroportuária. No entanto, segundo o Cenipa, a legislação ainda depende de regulamentação para definir procedimentos de fiscalização, avaliação de riscos e apuração de infrações.

As discussões para regulamentar a lei começaram em 2013, mas o decreto ainda não foi publicado. Conforme o relatório, a minuta aguardava a assinatura do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para dar continuidade aos trâmites.

A Inframerica afirma que, por estarem fora dos limites administrados pela concessionária, os locais identificados podem receber apenas ações educativas e de conscientização por parte da empresa. Intervenções nessas áreas dependem das autoridades públicas responsáveis.

O relatório também menciona a elaboração do Guia para Gerenciamento de Risco da Fauna nas Imediações de Aeródromos, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Aviação Civil em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O documento está em fase de ajustes finais e ainda será disponibilizado ao público.

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