Ações de grandes bancos desabam na B3 após vitória de Lula; BTG cai 37%
Banco do Brasil recua 31,35% e Bradesco perde 24,55% durante o pregão; mercado monitora incertezas fiscais, juros e inflação após o resultado eleitoral.

As ações de grandes bancos brasileiros registraram fortes quedas no pregão desta segunda-feira (26), primeiro dia de negociação após o segundo turno das eleições presidenciais. O movimento ocorreu depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
Dados publicados durante a manhã apontaram perdas expressivas para Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil. As variações refletem as cotações em um momento específico do pregão e devem ser diferenciadas do resultado de fechamento da Bolsa.
LEIA TAMBÉM
Bolsa hoje: EWZ cai 26% após reeleição de Lula; veja níveis de BBAS3, PETR4, ITUB4 e VALE3
Bancos registram quedas expressivas na B3
Segundo levantamento divulgado durante o pregão, por volta do fim da manhã, as ações apresentavam as seguintes variações:
- Banco do Brasil (BBAS3): queda de 31,35%;
- BTG Pactual (BPAC11): queda de 37,36%;
- Bradesco (BBDC4): queda de 24,55%;
- Itaú Unibanco (ITUB4): queda de 15,63%;
- Santander Brasil (SANB11): queda de 4,5%.
Os percentuais representam um retrato das negociações durante a manhã e podem mudar ao longo do dia. Para avaliar o desempenho efetivo dos papéis na sessão, é necessário consultar os dados de fechamento da B3.
Eleição aumenta a atenção sobre o cenário econômico
A reação dos investidores ocorre em meio à reavaliação das perspectivas para a economia brasileira após o resultado eleitoral. Entre os fatores acompanhados pelo mercado estão a trajetória das contas públicas, a política fiscal, os juros, a inflação e o comportamento do real frente ao dólar.
Essas variáveis podem influenciar os bancos de diferentes maneiras, afetando o custo de captação, a demanda por crédito, a inadimplência e o volume de operações nos mercados de capitais. O impacto efetivo, porém, dependerá das condições econômicas e das decisões adotadas pelo governo ao longo do tempo.
A queda das ações em um único pregão não significa, por si só, que os resultados operacionais das instituições tenham mudado na mesma proporção. Os preços negociados na Bolsa também refletem expectativas, ajustes de carteira e percepção de risco dos investidores.
JPMorgan vê riscos para as estimativas dos bancos
O texto que motivou este levantamento atribui ao JPMorgan a avaliação de que ainda seria cedo para comprar ações após a queda. Segundo o relato, os analistas alertaram para a possibilidade de revisões nas estimativas de lucro dos grandes bancos diante de incertezas fiscais e macroeconômicas.
Entre os riscos citados estão a possibilidade de juros elevados por mais tempo, inflação pressionada, enfraquecimento do real, endividamento das famílias e desaceleração da atividade econômica. Esses fatores podem afetar o crescimento do crédito e os negócios ligados ao mercado de capitais.
O material também atribui ao banco preferência pelo Itaú entre as grandes instituições e cita o Santander como alternativa potencialmente mais defensiva. A avaliação sobre o BTG Pactual considera que múltiplos de negociação mais elevados poderiam ampliar a sensibilidade do papel a uma correção. As declarações e recomendações específicas devem ser confirmadas no relatório original do JPMorgan antes da publicação.
O que a queda significa para os investidores?
As perdas pressionam o valor de mercado das instituições e afetam investidores que mantêm ações do setor em carteiras individuais ou fundos. No caso do Bradesco, por exemplo, a variação de BBDC4 pode levar analistas a reavaliar premissas de lucro, preço-alvo e distribuição futura de dividendos.
Essas revisões não são automáticas nem significam que os dividendos serão necessariamente reduzidos. A distribuição depende dos resultados, da posição de capital, das decisões de cada instituição e das regras aplicáveis.
Em períodos de maior volatilidade, investidores costumam acompanhar de perto os próximos balanços, as sinalizações sobre a política econômica e os indicadores de juros, inflação e câmbio. Esses dados ajudam a avaliar se o movimento nas ações representa um ajuste pontual de expectativas ou uma mudança mais duradoura na perspectiva para o setor.
Mercado acompanha os próximos sinais econômicos
O desempenho dos bancos continuará no radar do mercado à medida que forem divulgadas novas informações sobre a agenda econômica do governo eleito e as perspectivas para a economia brasileira. Até lá, as oscilações das ações devem ser analisadas em conjunto com os fundamentos de cada instituição e os dados oficiais de negociação.


