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Tempestade de inverno coloca 160 milhões em alerta nos EUA

Uma extensa tempestade de inverno coloca mais de 160 milhões de pessoas em alerta nos Estados Unidos entre esta sexta-feira (23) e segunda (26). Neve acima de 30 centímetros, gelo intenso e frio extremo ameaçam transporte, energia elétrica e a rotina de dezenas de grandes cidades do Texas ao Nordeste do país.

Faixa de 2.400 km sob neve, gelo e frio extremo

O sistema se forma quando uma massa de ar úmido avança sobre o país e colide com ar ártico extremamente frio, criando uma faixa de cerca de 2.400 quilômetros de tempo severo. A tempestade se estende do Texas até o Nordeste, atravessa as Planícies, alcança o Meio-Oeste e chega à Nova Inglaterra, com impactos diferentes em cada região.

Entre esta sexta-feira (23) e a manhã de segunda-feira (26), meteorologistas projetam um episódio prolongado de neve e gelo. Em vários trechos, o acúmulo de neve pode superar 30 centímetros, enquanto a chuva congelante deposita camadas de gelo pesadas o suficiente para derrubar árvores e linhas de transmissão. Pelo menos dez estados já decretam estado de emergência e se preparam para interrupções que podem se arrastar para a próxima semana.

Grandes centros urbanos do Nordeste, como Nova York e Filadélfia, estão no corredor de neve mais intensa e podem registrar o maior volume em pelo menos quatro anos. Em Washington, DC, a previsão também indica neve volumosa, com momentos em que a queda ultrapassa 2,5 centímetros por hora. Em Tulsa, no nordeste de Oklahoma, meteorologistas apontam a possibilidade de 30 centímetros de neve pela primeira vez em quase 15 anos.

Mais ao sul, a ameaça mais grave não vem da neve, mas do gelo. Chuvas que congelam ao tocar o solo devem afetar áreas do norte e leste do Texas, vales do baixo Mississippi e Tennessee, norte da Geórgia e partes das Carolinas e da Virgínia. Nessas regiões, a principal preocupação é o colapso da rede elétrica, com moradores expostos a noites de frio intenso sem aquecimento.

Transportes em colapso e energia em risco

O impacto imediato surge no transporte aéreo e rodoviário. Mais de 1.300 voos previstos para sábado (24) já estão cancelados de forma preventiva, diante da expectativa de visibilidade quase nula, pistas escorregadias e rajadas de vento. Companhias como American, Delta, Southwest e United publicam alertas de viagem e oferecem remarcações sem custo adicional em dezenas de aeroportos.

Em terra, autoridades pedem que moradores fiquem em casa e liberem as estradas para equipes de emergência. Na Carolina do Norte, o governador Josh Stein faz um apelo direto. “Encorajo todos os moradores da Carolina do Norte a ficarem em casa e evitarem as estradas neste fim de semana, a menos que seja absolutamente necessário, para que os socorristas possam realizar seu trabalho com segurança e eficiência”, afirma em comunicado. O secretário de Transportes do estado, Daniel Johnson, resume a gravidade: “Algumas localidades podem enfrentar condições climáticas de inverno como não se viam há anos. A tempestade tem nossa atenção total”.

Governos estaduais correm para reforçar o aparato de resposta. A Geórgia decreta estado de emergência por sete dias e coloca 500 membros da Guarda Nacional de prontidão. “Aproveitem este momento para garantir alimentos, abastecer seus veículos e se preparar para possíveis quedas de energia”, alerta o governador Brian Kemp. O Departamento de Transportes do estado promete iniciar o tratamento das estradas ainda na madrugada de sábado (24), espalhando sal e produtos químicos para reduzir a formação de gelo.

No Texas, o governador Greg Abbott ativa recursos estaduais de emergência desde a terça-feira (20) para preparar rodovias, equipes e equipamentos. As agências estaduais também passam a monitorar em tempo real os sistemas de energia elétrica e gás natural. A memória do apagão de 2021, quando uma onda de frio extremo derrubou parte da rede no estado, ronda a preparação atual e torna qualquer sinal de falha de fornecimento um motivo de preocupação imediata.

As temperaturas reforçam o caráter excepcional da tempestade. Em boa parte das Planícies e do Meio-Oeste, os termômetros caem mais de 30 graus abaixo da média até esta sexta-feira (23). Em Chicago e Des Moines, capital de Iowa, as redes de ensino público suspendem aulas e atividades presenciais diante de sensações térmicas que podem chegar a -35 °C e -29 °C, respectivamente. No fim de semana, o ar polar avança para o Sul e o Nordeste, derrubando as temperaturas entre 20 e 40 graus abaixo dos padrões históricos em várias cidades.

Incerteza na trilha da tempestade e próximos dias

Meteorologistas apontam que a rota da tempestade se desloca um pouco mais ao norte nos últimos dias, o que amplia a faixa de neve intensa no Centro-Oeste e no Nordeste e, ao mesmo tempo, mantém o gelo destrutivo no Sul. O Centro de Previsão Meteorológica alerta que pequenas mudanças na trilha ainda podem alterar de forma significativa o tipo e a quantidade de precipitação em cidades específicas. “Até mesmo pequenas mudanças podem levar a grandes alterações nos impactos locais”, informa o órgão.

No cenário mais preocupante, o gelo acumulado em fios de energia e galhos pode provocar apagões prolongados, principalmente em regiões que não estão acostumadas a eventos tão severos. Mesmo no cenário mais provável, autoridades já trabalham com a perspectiva de interrupções de energia por várias horas ou dias em pontos isolados. O risco maior recai sobre famílias com aquecimento elétrico, idosos e moradores em áreas rurais, onde o acesso a abrigos aquecidos é mais difícil.

O país entra no fim de semana em modo de contenção de danos. Estados reforçam esquemas de abrigo para moradores em situação de rua e para quem vive em casas sem isolamento adequado. Hospitais e serviços de emergência revisam estoques de combustível para geradores, enquanto companhias de energia mobilizam equipes de reparo em múltiplas bases, prontas para deslocamentos rápidos logo após a passagem do gelo mais intenso.

A tempestade deve se afastar da Nova Inglaterra no fim da segunda-feira (26), depois de espalhar neve e ventos fortes pela região. Os transtornos, porém, não se dissipam tão rápido. Estradas bloqueadas, frotas aéreas desorganizadas e redes elétricas fragilizadas podem manter o cotidiano em modo de recuperação por vários dias. Em meio ao esforço de resposta, a sequência de extremos climáticos no país volta a colocar em debate o quanto as cidades estão preparadas para um inverno que já não se comporta como antes – e se os próximos anos trarão tempestades ainda mais difíceis de enfrentar.

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