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Política

PSOL tenta evitar saída de Erika Hilton e estuda candidatura à Prefeitura de SP em meio a racha interno

Partido avalia apoiar a deputada na disputa de 2028 para conter a migração de aliados de Guilherme Boulos ao PT; decisão da Justiça Eleitoral também dificultou a troca de legenda.

PSOL tenta evitar saída de Erika Hilton e estuda candidatura à Prefeitura de SP em meio a racha interno

O PSOL avalia apoiar uma candidatura da deputada federal Erika Hilton à Prefeitura de São Paulo em 2028 como parte de uma tentativa de evitar sua saída do partido e conter uma possível debandada de parlamentares para o PT. A articulação ocorre em meio a uma crise interna que envolve a corrente Revolução Solidária, ligada à deputada e ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

A possibilidade ganhou força após Erika admitir publicamente que considera disputar a Prefeitura da capital paulista e que ainda não decidiu se permanecerá no PSOL. Segundo informações divulgadas neste domingo (8), integrantes da direção partidária enxergam na candidatura municipal uma alternativa para manter a parlamentar na legenda e reduzir as tensões com o grupo que pretende migrar para o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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O impasse se tornou mais complexo depois de uma decisão da Justiça Eleitoral que reconheceu o cumprimento da cláusula de barreira pelo PSOL. Com isso, deputados e vereadores que desejarem mudar de partido poderão precisar de autorização da legenda para evitar questionamentos judiciais sobre a manutenção de seus mandatos.

Erika Hilton confirma interesse em disputar Prefeitura de São Paulo em 2028 e avalia deixar o PSOL

Por que o PSOL quer manter Erika Hilton no partido?

A deputada federal se tornou uma das principais figuras nacionais do PSOL e ampliou sua influência política após as eleições de outubro de 2026.

Reeleita por São Paulo com aproximadamente 1,5 milhão de votos, Erika passou a ocupar uma posição central nas discussões sobre o futuro da legenda.

Sua eventual saída para o PT representaria não apenas a perda de uma parlamentar com votação expressiva, mas também um novo episódio da divisão entre grupos internos.

A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, já afirmou publicamente que deseja manter Erika na sigla e que a direção está aberta a discutir seus próximos projetos políticos.

A possibilidade de uma candidatura à Prefeitura de São Paulo passou a ser considerada por dirigentes como parte desse diálogo.

No entanto, ainda não existe uma oferta formal anunciada, uma pré-candidatura registrada ou uma decisão sobre quem representará o PSOL na eleição municipal de 2028.

Crise começou com divergência sobre aliança com o PT

A divisão interna ganhou força no início de 2026, quando a corrente Revolução Solidária defendeu a formação de uma federação partidária entre PSOL e PT.

A proposta foi rejeitada nas discussões internas, prevalecendo a posição de outros grupos da legenda.

Desde então, integrantes da corrente ligada a Guilherme Boulos passaram a demonstrar insatisfação com as decisões da direção nacional.

O grupo também questionou aspectos da estratégia eleitoral adotada pelo PSOL, incluindo a distribuição de recursos para campanhas.

Erika Hilton chegou a criticar publicamente o que considerou uma distribuição desigual de verbas eleitorais, especialmente em relação a candidaturas de pessoas trans e de outros grupos historicamente sub-representados.

Essas divergências contribuíram para o aumento das conversas sobre uma possível migração de parlamentares para o PT.

Grupo ligado a Boulos considera deixar a legenda em 2027

A possível saída não envolve apenas Erika Hilton.

Integrantes da corrente Revolução Solidária discutem uma mudança coletiva de partido, que poderia ocorrer em 2027, depois da posse dos parlamentares eleitos.

O grupo tem entre suas referências Guilherme Boulos, que disputou a Prefeitura de São Paulo pelo PSOL em 2020 e 2024 e atualmente integra o governo federal.

A corrente reúne parlamentares com mandatos na Câmara dos Deputados e em assembleias legislativas.

Segundo informações divulgadas sobre a crise, seis dos 14 deputados federais eleitos pela legenda e oito dos 27 parlamentares estaduais e distritais fazem parte do grupo dissidente.

Esses números indicam que a discussão ultrapassa uma decisão individual sobre o futuro político de Erika Hilton.

Uma eventual saída coletiva poderia alterar a composição das bancadas e a relação de forças dentro do partido.

Por enquanto, as negociações continuam e não há confirmação de uma transferência conjunta para o PT.

Decisão da Justiça Eleitoral dificulta mudança de partido

Um dos principais obstáculos à saída dos parlamentares está relacionado às regras de fidelidade partidária.

A Justiça Eleitoral reconheceu que o PSOL cumpriu a cláusula de barreira após uma decisão envolvendo o cálculo de votos no Espírito Santo.

A cláusula estabelece critérios de desempenho eleitoral para que os partidos tenham acesso a determinados recursos públicos e ao funcionamento parlamentar previsto na legislação.

O reconhecimento desse desempenho retirou uma possível justificativa que vinha sendo considerada para a troca de legenda.

Como deputados e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, a mudança de partido fora das hipóteses legais pode resultar em questionamentos judiciais e até na perda do mandato.

Uma das alternativas é obter uma carta de anuência da direção partidária, documento que autoriza a desfiliação sem a aplicação das consequências previstas para a infidelidade partidária.

Por isso, integrantes da Revolução Solidária deverão negociar as condições de uma eventual saída com a direção do PSOL.

Há divergências sobre acordo feito antes das eleições

Outro ponto de conflito envolve os entendimentos que teriam sido estabelecidos antes da eleição de outubro.

Integrantes do grupo dissidente sustentam que houve conversas sobre a permanência dos parlamentares no PSOL durante a disputa eleitoral, com a possibilidade de desfiliação posteriormente.

A direção partidária, por sua vez, não reconhece a existência de uma autorização automática para a saída dos eleitos.

As versões divergentes passaram a ter maior importância depois que o partido conseguiu cumprir a cláusula de barreira.

O resultado eleitoral também tornou mais delicada a discussão sobre a composição das bancadas e o futuro dos mandatos.

Sem um entendimento, uma eventual troca de legenda poderá acabar sendo discutida na Justiça Eleitoral.

Erika Hilton admite interesse na Prefeitura de São Paulo

A deputada confirmou nos últimos dias que passou a considerar a possibilidade de disputar a Prefeitura da capital paulista em 2028.

A manifestação ocorreu durante conversas sobre seu futuro político depois da reeleição para a Câmara.

Em entrevista divulgada anteriormente pelo NC News, Erika afirmou:

“Eu tenho pensado bastante sobre a disputa para a Prefeitura em São Paulo também. É uma coisa que eu tenho começado a olhar com certo interesse.”

A parlamentar também reconheceu a possibilidade de mudar de partido, mas destacou que ainda pretende conversar com a direção nacional do PSOL antes de tomar uma decisão.

Sua permanência na legenda continua sendo uma das alternativas em análise.

A presidente nacional Paula Coradi já demonstrou disposição para discutir uma candidatura da deputada a um cargo do Executivo.

A eventual participação de Erika na disputa municipal dependerá, porém, de negociações políticas e das definições partidárias previstas para 2028.

O que a candidatura representaria para a eleição de 2028?

A possibilidade de Erika Hilton disputar a Prefeitura de São Paulo coloca a eleição municipal no centro das negociações internas do PSOL.

A próxima votação para prefeito está prevista para outubro de 2028, quando os eleitores da capital escolherão o sucessor de Ricardo Nunes (MDB), reeleito em 2024.

Como Nunes já exerce seu segundo mandato consecutivo, não poderá disputar uma terceira eleição seguida para o mesmo cargo.

Para o PSOL, uma candidatura própria poderia representar a continuidade de sua presença nas disputas pelo Executivo paulistano.

O partido apoiou Guilherme Boulos nas duas eleições municipais anteriores. Em 2024, ele chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Ricardo Nunes.

Uma candidatura de Erika também dependeria das articulações da esquerda, incluindo a definição sobre possíveis alianças com o PT e outras legendas.

A votação expressiva conquistada pela deputada na eleição para a Câmara dos Deputados é um dado relevante de sua trajetória, mas não permite antecipar o resultado de uma disputa para a Prefeitura.

Próximos passos

A expectativa é que Erika Hilton converse com integrantes da direção nacional do PSOL para discutir sua permanência na legenda e seus projetos políticos.

A reunião poderá abordar as divergências internas, as condições de uma eventual desfiliação e a possibilidade de candidatura à Prefeitura de São Paulo.

Paralelamente, o grupo ligado a Guilherme Boulos deverá continuar avaliando as condições de uma possível migração ao PT em 2027.

Até o momento, não existe confirmação de que Erika deixará o PSOL ou de que será lançada candidata a prefeita.

A decisão dependerá das negociações entre os envolvidos e dos próximos passos da reorganização partidária.