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Ryan Wedding snowboard é preso no México por chefia da cocaína

Ex-atleta olímpico é detido no México por liderar rede de tráfico de drogas e envolvimento em corrupção judicial.

Ryan Wedding snowboard é preso no México por chefia da cocaína

O canadense Ryan Wedding, ex-snowboarder olímpico apontado como um dos maiores distribuidores de cocaína da América do Norte, foi preso no México após quase um ano foragido, em uma operação conjunta de autoridades mexicanas, americanas e colombianas. A captura, anunciada nesta sexta-feira (6), atinge o topo de uma organização que enviava toneladas de cocaína da Colômbia para Estados Unidos e Canadá e já levou também à prisão de um juiz mexicano acusado de corrupção.

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Quem é Ryan Wedding e qual sua ligação com o narcotráfico?

Ryan Wedding, de 44 anos, é um ex-snowboarder olímpico canadense que, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, transformou a frustração com o fim precoce da carreira esportiva em uma trajetória no crime até se tornar chefe de uma rede internacional de tráfico de cocaína.

Nascido em Thunder Bay, no Canadá, ele cresceu em ambiente ligado aos esportes de inverno e chegou à equipe olímpica canadense de snowboard. Depois de um erro decisivo em sua prova, viu a carreira desandar, abandonou os estudos, trabalhou como segurança de boate em Vancouver e se aproximou de criminosos locais.

Primeiro, Wedding passou a cultivar e distribuir maconha em grande escala, em parceria com grupos como os Hells Angels, financiando negócios como o mercado imobiliário. Em seguida, migrou para o tráfico de cocaína, usando a fronteira entre Estados Unidos e Canadá como rota de contrabando.

Em uma tentativa de enviar 24 kg de cocaína de San Diego para o Canadá, em 2008, foi flagrado porque um suposto parceiro era, na verdade, agente do FBI. Wedding foi preso, passou 17 meses em um centro de detenção em San Diego e acabou condenado a 48 meses de prisão em um presídio no Texas.

Investigadores afirmam que o período na cadeia funcionou como uma “escola do crime” para o ex-atleta. Ali, ele estreitou laços com outros traficantes, entre eles o colombiano-canadense Jonathan Acebedo Garcia, que mais tarde se tornaria peça-chave na logística da organização criminosa.

Do presídio ao cartel: como Wedding assumiu uma rota de cocaína

Após cumprir parte da pena e ser deportado para o Canadá, Wedding, segundo as autoridades americanas, retornou à rua mais perigoso e mais conectado. Ele buscou assumir o controle de uma rota que levava cocaína da Colômbia, passando pelo México, até o Canadá e cidades americanas.

Para isso, se aproximou do Cartel de Sinaloa, um dos grupos mais poderosos do narcotráfico mexicano. A rede montada por Wedding usava caminhoneiros canadenses como peça central da logística: os motoristas cruzavam a fronteira com cargas de até 350 kg de cocaína por viagem, escondidas em caminhões de carga legal.

De acordo com a Procuradoria-Geral dos Estados Unidos, Wedding se tornou o maior distribuidor de cocaína no Canadá, responsável, em parceria com o cartel, por cerca de 60 toneladas da droga destinadas à região de Los Angeles. A então procuradora-geral Pam Bondi afirmou que ele “colaborava estreitamente com o temido Cartel de Sinaloa”.

À medida que ganhava espaço, Wedding também se tornava mais violento. Promotores o acusam de ordenar assassinatos de associados suspeitos de colaborar com a polícia, inclusive um homicídio em Montreal, cometido a partir de ordens dadas do México. Documentos oficiais descrevem ainda tentativas de homicídio ligadas à disputa por dívidas e rota de fornecimento.

O crescimento da organização lhe rendeu apelidos entre policiais e rivais, como “El Jefe”, “Gigante” e “Inimigo Público”. Em relatórios internos, agentes do FBI chegaram a compará-lo a um “Pablo Escobar dos tempos modernos”, pela combinação de volume de drogas movimentadas, uso de violência e capacidade de corromper autoridades.

Da lista dos mais procurados à prisão no México

Com o avanço das investigações, Wedding entrou na lista dos dez fugitivos mais procurados do FBI. O governo americano elevou a recompensa por informações que levassem à sua captura de US$ 10 milhões para US$ 15 milhões, numa tentativa de quebrar as proteções que ele mantinha no México com apoio de aliados do cartel.

A operação que o derrubou começou a se desenhar em meados de 2024, quando o FBI conseguiu atingir o setor de transporte da organização em Los Angeles. Nessa fase, Jonathan Acebedo Garcia, responsável por coordenar o envio da cocaína em caminhões, foi preso e decidiu colaborar com a Justiça, tornando-se testemunha-chave contra o antigo comparsa.

Com depoimentos de Acebedo e outros integrantes, investigadores reconstruíram a estrutura da quadrilha, suas rotas e esconderijos. Wedding, que havia fugido para o México depois de uma remessa de drogas ser interceptada na costa leste do Canadá, passou a ser monitorado por equipes mexicanas com apoio de agentes americanos e colombianos.

A captura ocorreu em janeiro, em território mexicano, após quase um ano inteiro de fuga. Desde então, Wedding está sob custódia federal, à disposição da Justiça americana para responder às acusações de chefiar uma organização criminosa, homicídio e conspiração para distribuir cocaína.

Em postagem na rede social X, o diretor do FBI, Kash Patel, creditou o sucesso da operação à cooperação entre os países. “Este é o sexto fugitivo da lista dos dez mais procurados que o FBI captura em um ano – fugitivos que estavam foragidos há quase 40 anos, somando esses anos. Isso não é por acaso. O presidente [Donald] Trump está permitindo que bons policiais façam seu trabalho e os resultados falam por si”, escreveu.

Qual a relação entre o juiz mexicano preso e Ryan Wedding?

O juiz distrital mexicano Luis Benítez Alcántara, de 49 anos, é acusado de receber uma propina de US$ 2 milhões (cerca de R$ 11 milhões) para libertar Andrew Clark, braço direito de Ryan Wedding na organização criminosa.

Benítez Alcántara foi detido em Bogotá, na Colômbia, em operação que envolveu agentes colombianos e americanos. A denúncia federal inclui nove acusações, entre elas cumplicidade após o cometimento de crime, justamente por ter facilitado a soltura de Clark mediante pagamento.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o dinheiro foi transferido para uma conta ligada ao juiz, e Clark saiu da prisão no mesmo dia. À época, o canadense de 36 anos era descrito como o “número dois” na hierarquia de Wedding, responsável por coordenar partes da logística e dos pagamentos da rede.

Com o avanço das investigações, promotores americanos passaram a enxergar a atuação do juiz como parte de um esquema mais amplo de proteção judicial ao grupo de Wedding no México. A prisão de Benítez Alcántara é vista como recado direto a autoridades que, em troca de dinheiro, blindam organizações de tráfico.

“Autoridades públicas corruptas, onde quer que estejam, que auxiliam traficantes de drogas que operam aqui em nosso território, enfrentarão a justiça nos Estados Unidos”, afirmou o procurador Todd Blanche, encarregado do caso.

Entenda o contexto

A mesma cooperação internacional que permitiu a prisão do juiz mexicano foi decisiva para localizar Wedding no México e desmontar parte da rede que ele comandava. Agentes dos Estados Unidos, México, Canadá e Colômbia compartilharam dados sobre transações financeiras, deslocamento de caminhões, registros migratórios e escutas telefônicas.

Para as autoridades, a derrubada de um juiz envolvido com a quadrilha tem impacto que vai além desse caso específico: atinge um dos pilares que sustentam o crime organizado, a corrupção em setores do Judiciário e da segurança pública.

Impacto na rota Colômbia–México–EUA–Canadá

O grupo de Wedding era um dos eixos da rota que liga produtores de cocaína na Colômbia a consumidores em grandes centros da América do Norte. A cocaína saía da América do Sul, atravessava o México com proteção do Cartel de Sinaloa e chegava a cidades como Los Angeles em caminhões que, na maioria das vezes, cruzavam as fronteiras carregados também com mercadorias lícitas.

Segundo a Procuradoria-Geral dos EUA, a quadrilha de Wedding é responsável por aproximadamente 60 toneladas de cocaína colombiana direcionadas a Los Angeles, além de grandes quantidades para o Canadá. O volume o colocava no topo da distribuição de drogas em seu país de origem, com ramificações em diversas províncias canadenses.

Com a prisão do ex-atleta e de figuras-chave como Acebedo Garcia e Andrew Clark, essa cadeia foi parcialmente desmantelada. Autoridades estimam que, ao menos por um período, haverá redução no fluxo dessa rota específica, até que outros grupos tentem ocupar o espaço deixado por “El Jefe”.

Internamente, porém, o vácuo de poder pode gerar conflitos. Facções que orbitavam a rede de Wedding e aliados do Cartel de Sinaloa podem disputar rotas, fornecedores e caminhoneiros usados no transporte, elevando o risco de aumento da violência em cidades mexicanas e canadenses.

Cooperação internacional e próximos passos

A prisão de Wedding é celebrada pelos governos envolvidos como prova da eficácia da cooperação internacional contra o crime organizado transnacional. Ao anunciar a captura, o governo americano reforçou que seguirá investigando não apenas traficantes, mas também autoridades que ofereçam proteção a eles.

Além de Wedding e do juiz Luis Benítez Alcántara, o caso já produziu uma lista de presos e delatores em diferentes países, incluindo Jonathan Acebedo Garcia, hoje testemunha-chave nos Estados Unidos, e o canadense Andrew Clark. A expectativa é que os depoimentos alimentem novos processos e mandados de prisão.

A então procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, resumiu a importância de Wedding dentro do esquema ao dizer que ele “era o maior distribuidor de cocaína no Canadá e colaborava estreitamente com o temido Cartel de Sinaloa”. A avaliação dentro dos órgãos de segurança é que a queda de um líder com esse perfil tem efeito imediato na moral das forças policiais e reforça a pressão por integração entre países na repressão ao tráfico e à corrupção associada.

Nos próximos meses, Wedding deve enfrentar julgamentos por homicídio, tentativa de homicídio, conspiração e tráfico de drogas em tribunais americanos. A forma como ele será transferido do México para os Estados Unidos, bem como eventuais acordos de delação, ainda não foi detalhada publicamente.

Até o momento, autoridades não divulgaram a altura de Ryan Wedding, nem estimativa oficial de patrimônio ou lista detalhada de carros, bicicletas e outros bens de luxo ligados ao ex-atleta — tópicos que aparecem em buscas populares na internet, mas que seguem fora dos documentos divulgados sobre o caso.