Wagner Moura e Chico César são cotados para substituir Margareth Menezes no governo Lula
Manifesto assinado por mais de 500 representantes da cultura cobra mudanças no ministério para 2027; Jandira Feghali e Juca Ferreira também aparecem entre os nomes defendidos pelo setor.

O ator Wagner Moura, o cantor Chico César, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e o ex-ministro Juca Ferreira estão entre os nomes defendidos por integrantes da classe artística para assumir o Ministério da Cultura a partir de 2027. As articulações ganharam força após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a divulgação de um manifesto que cobra mudanças na condução da pasta, atualmente comandada pela cantora Margareth Menezes.
Segundo reportagem publicada pela revista Veja nesta quarta-feira (4), os quatro nomes são lembrados por representantes do setor cultural que defendem uma renovação na gestão. O movimento ocorre em meio à circulação do documento chamado “Manifesto por mudanças na Cultura Lula 4”, que reúne mais de 500 assinaturas e questiona os resultados das políticas culturais desenvolvidas nos últimos quatro anos.
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Apesar das articulações, não existe confirmação de que Lula tenha convidado qualquer um dos nomes para assumir o ministério. A permanência de Margareth Menezes também continua sendo uma possibilidade, já que a escolha dos integrantes da equipe para o novo mandato depende exclusivamente do presidente.
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Wagner Moura aparece entre os cotados para o Ministério da Cultura
Wagner Moura é um dos nomes mencionados nas discussões sobre uma possível mudança no comando do Ministério da Cultura.
O ator baiano ganhou projeção internacional com produções como “Tropa de Elite”, “Narcos” e “O Agente Secreto”, filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator em 2026.
Durante a campanha presidencial, Moura participou de mobilizações políticas e manifestações de apoio à reeleição de Lula.
O artista também esteve entre os profissionais brasileiros do cinema que enviaram uma carta à Academia de Hollywood manifestando preocupação com uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Apesar de sua experiência no setor audiovisual, Wagner Moura nunca ocupou um cargo na administração pública.
Sua presença entre os nomes mencionados não significa que exista uma negociação formal para assumir o ministério.
Chico César e Juca Ferreira também são lembrados
O cantor e compositor Chico César aparece entre as alternativas discutidas por integrantes da classe artística.
Diferentemente de Wagner Moura, o músico já possui experiência na administração pública.
Em 2009, presidiu a Fundação Cultural de João Pessoa, na Paraíba. Posteriormente, comandou a Secretaria de Cultura do estado entre 2011 e 2014.
Outro nome mencionado é Juca Ferreira, que já esteve à frente do Ministério da Cultura em duas oportunidades.
O sociólogo baiano foi secretário-executivo da pasta durante a gestão de Gilberto Gil, iniciada em 2003, e assumiu o comando do ministério em 2008, durante o segundo mandato de Lula.
Ele voltou ao cargo em 2015, no governo de Dilma Rousseff.
Sua experiência na formulação e execução de políticas culturais é um dos aspectos destacados nas discussões sobre uma eventual volta ao ministério.
Jandira Feghali também está entre as alternativas
A deputada federal Jandira Feghali, reeleita pelo PCdoB do Rio de Janeiro, completa o grupo de nomes apontados pela Veja como preferidos de integrantes do setor cultural.
Jandira possui longa trajetória no Congresso Nacional e participou das discussões sobre mecanismos de financiamento e proteção aos trabalhadores da cultura.
Entre suas atuações estão as articulações relacionadas à Lei Aldir Blanc e à Política Nacional de Cultura Viva.
A parlamentar também exerceu o cargo de secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro entre 2009 e 2010.
Sua eventual indicação representaria a escolha de uma integrante do Congresso com experiência na elaboração de políticas públicas para o setor.
Até o momento, entretanto, não há anúncio oficial sobre uma possível participação de Jandira no próximo ministério.
Artistas cobram mudanças na gestão de Margareth Menezes
A discussão sobre os possíveis substitutos ocorre em meio à mobilização de artistas, escritores, cineastas e representantes de organizações culturais.
O “Manifesto por mudanças na Cultura Lula 4”, que começou a circular na terça-feira (3), reúne mais de 500 assinaturas e pede alterações na condução do Ministério da Cultura a partir de janeiro de 2027.
Entre os apoiadores estão Bruno Gagliasso, Johnny Massaro, Ruth Rocha, Anna Muylaert, Laís Bodanzky, Jefferson De e Fernando Morais.
O documento reconhece a importância da recriação do Ministério da Cultura, que voltou a funcionar como pasta ministerial em 2023, mas questiona os resultados da gestão atual.
Os signatários defendem que o governo desenvolva uma política cultural com planejamento de longo prazo, metas e maior participação dos profissionais do setor.
Uma das principais críticas é que a atuação do ministério estaria excessivamente concentrada na administração de editais e mecanismos de incentivo fiscal.
O manifesto não menciona diretamente Margareth Menezes, mas pede mudanças na direção e na orientação das políticas culturais.
Ministério da Cultura registra aumento de projetos e recursos
As críticas surgem em um momento em que o Ministério da Cultura apresenta crescimento nos indicadores de financiamento de projetos culturais.
Conforme o NC News publicou nesta quarta-feira (4), a Lei Rouanet registrou 25.650 propostas em 2026, o maior número desde a criação do mecanismo, em 1991.
O total representa crescimento de 11,6% em comparação com 2025.
Entre janeiro e outubro deste ano, os projetos culturais conseguiram captar R$ 1,67 bilhão por meio de patrocínios e doações incentivadas.
O Ministério da Cultura também destaca a expansão de programas destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, historicamente menos contempladas pelos mecanismos de financiamento.
Os resultados mostram aumento na participação e na captação de recursos, embora os representantes do manifesto defendam que o desempenho da política cultural seja avaliado também por critérios como acesso da população, formação de público e distribuição territorial dos investimentos.
A divergência, portanto, envolve não apenas o volume de recursos disponíveis, mas também as prioridades e os resultados esperados da atuação do ministério.
Margareth Menezes pode continuar no cargo?
Sim. Apesar dos nomes mencionados nas articulações, Margareth Menezes ainda pode permanecer no comando do Ministério da Cultura.
A cantora assumiu a pasta em janeiro de 2023, quando Lula iniciou seu terceiro mandato presidencial.
Em declarações recentes, a ministra afirmou que sua continuidade depende da decisão do presidente e se colocou à disposição para permanecer no governo.
Reportagens publicadas após o segundo turno também apontaram que Lula considera manter Margareth na função.
Não há, porém, anúncio oficial sobre a composição definitiva da equipe ministerial para 2027.
A escolha também poderá ser influenciada pelas negociações políticas envolvendo partidos aliados e pela definição das prioridades do próximo governo.
Próximos passos
A composição do Ministério da Cultura para o novo mandato deverá ser discutida ao longo de novembro e dezembro, antes da posse presidencial de 1º de janeiro de 2027.
Representantes da classe artística pretendem ampliar o debate sobre financiamento, acesso à cultura, direitos autorais e regulamentação das plataformas de streaming.
Enquanto isso, Wagner Moura, Chico César, Juca Ferreira e Jandira Feghali permanecem entre os nomes mencionados pelo setor para uma eventual substituição de Margareth Menezes.
A decisão final caberá a Lula, que ainda não confirmou qualquer mudança no comando do Ministério da Cultura.


