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Economia

Crise em banco do Paraguai bloqueia dinheiro e ameaça paralisar comércio na fronteira com o Brasil

Intervenção no Ueno Bank deixa clientes sem acesso às contas e preocupa empresários de Ciudad del Este; reflexos podem atingir negócios de Foz do Iguaçu.

Crise em banco do Paraguai bloqueia dinheiro e ameaça paralisar comércio na fronteira com o Brasil

A crise financeira envolvendo o Ueno Bank, uma das maiores instituições bancárias do Paraguai, chegou à região de fronteira com o Paraná e acendeu um alerta entre comerciantes e trabalhadores de Ciudad del Este. A intervenção determinada pelo Banco Central paraguaio provocou a suspensão de operações bancárias e deixou clientes temporariamente sem acesso ao dinheiro, levantando preocupações sobre possíveis prejuízos ao comércio que movimenta a economia dos dois países.

A situação ganhou força nesta terça-feira (3), quando correntistas procuraram agências em busca de informações sobre suas economias. Em Ciudad del Este, cidade ligada a Foz do Iguaçu pela Ponte da Amizade, empresários passaram a avaliar os efeitos da interrupção dos serviços bancários sobre pagamentos, vendas e compromissos com fornecedores.

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O problema também preocupa brasileiros que trabalham, investem ou mantêm relações comerciais no Paraguai. Apesar do risco de impacto econômico na região, ainda não existe um levantamento oficial de perdas financeiras sofridas por empresas brasileiras em consequência da intervenção.

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Por que o Ueno Bank sofreu intervenção no Paraguai?

O Banco Central do Paraguai anunciou, em 3 de novembro, a abertura de um procedimento de resolução do Ueno Bank. A decisão havia sido aprovada por unanimidade no dia anterior, depois que a autoridade monetária identificou uma deterioração significativa da situação financeira da instituição.

Segundo o órgão regulador, ajustes realizados nas demonstrações financeiras do banco revelaram que seu índice de solvência havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação paraguaia.

O índice de solvência é um indicador utilizado para avaliar se uma instituição financeira possui capital suficiente para enfrentar perdas e manter suas obrigações. Quando esse indicador fica abaixo dos limites regulatórios, aumenta o risco para depositantes e para a continuidade das operações.

Com a decisão, operações como saques, transferências e movimentações de contas foram interrompidas, afetando clientes que dependem do banco para receber salários, pagar despesas e realizar transações comerciais.

O Banco Central informou que a medida tem como objetivo proteger os depositantes, preservar os ativos da instituição e evitar que a crise comprometa a estabilidade do sistema financeiro.

Clientes encontram agência fechada em Ciudad del Este

A crise provocou preocupação entre correntistas de Ciudad del Este, um dos principais centros comerciais do Paraguai e destino frequente de consumidores brasileiros.

Centenas de pessoas procuraram uma agência do Ueno Bank localizada na Avenida Julio César Riquelme, no bairro Ciudad Nueva, na região do quilômetro 7.

Os clientes encontraram a unidade fechada e buscaram esclarecimentos sobre a possibilidade de recuperar os valores depositados.

Entre os afetados estão trabalhadores que utilizam contas bancárias para receber salários e famílias que mantêm suas economias na instituição.

A suspensão dos serviços também dificulta o cumprimento de compromissos financeiros, especialmente para quem depende do dinheiro disponível em conta para despesas imediatas.

Comércio de Ciudad del Este teme paralisação das vendas

A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) manifestou preocupação com os impactos da crise sobre o comércio.

Segundo estimativa apresentada pela entidade, aproximadamente duas em cada três operações eletrônicas realizadas nas multiloja s paraguaias passam por contas do Ueno Bank.

O número foi apresentado pelo setor empresarial e não corresponde a um levantamento oficial de todas as transações financeiras do país.

A associação alerta que a interrupção dos serviços pode provocar uma semiparalisação de atividades comerciais, principalmente entre estabelecimentos que dependem da instituição para receber pagamentos.

O bloqueio de recursos pode dificultar a reposição de mercadorias, o pagamento de funcionários e a quitação de compromissos com fornecedores.

Para pequenos negócios, que geralmente trabalham com menor reserva financeira, a falta de acesso ao dinheiro pode representar um problema ainda mais imediato.

Crise pode atingir empresas e trabalhadores brasileiros

A proximidade entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu aumenta a preocupação com possíveis reflexos da crise bancária no Paraná.

A região possui uma intensa circulação de consumidores, trabalhadores, transportadores e empresários que mantêm relações comerciais entre os dois países.

Empresas brasileiras que fornecem produtos ou prestam serviços a estabelecimentos paraguaios podem enfrentar atrasos em pagamentos caso seus clientes dependam de recursos bloqueados no Ueno Bank.

Transportadores, distribuidores e pequenos comerciantes também podem sentir os efeitos de uma eventual redução das atividades econômicas.

Entretanto, até o momento, não há confirmação pública de prejuízos específicos registrados por fornecedores paranaenses em consequência direta da intervenção.

Clientes terão proteção para recuperar o dinheiro?

O Banco Central do Paraguai informou que os depósitos estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, conforme os limites previstos na legislação do país.

A cobertura é de até 75 salários mínimos paraguaios para atividades diversas não especificadas, equivalente a 228,3 milhões de guaranis por depositante e por instituição financeira.

Esse valor representa o limite da garantia legal, não uma promessa de liberação imediata de todos os recursos.

O órgão regulador também anunciou mecanismos para buscar a maior proteção possível dos valores que ultrapassarem o teto garantido.

A recuperação de quantias superiores ao limite dependerá dos procedimentos adotados durante a resolução do banco e da situação patrimonial identificada pelos interventores.

Próximos passos

O Banco Central paraguaio deverá continuar os procedimentos de resolução do Ueno Bank, com atuação de interventores responsáveis por verificar a situação financeira da instituição e preservar seus ativos.

A autoridade monetária afirmou que o problema é específico do banco e não representa, por si só, uma crise generalizada do sistema financeiro do Paraguai.

Enquanto isso, comerciantes de Ciudad del Este acompanham a possibilidade de normalização dos pagamentos e de recuperação dos valores bloqueados.

Para a economia da fronteira, o principal risco permanece ligado à duração das restrições bancárias e à capacidade das empresas de manter suas atividades enquanto os recursos estiverem indisponíveis.