Após 27 anos, Rio Branco tem novo bispo e reúne multidão em cerimônia
Dom Antônio Fontinele de Melo tomou posse neste domingo (1º), na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, encerrando um ciclo de quase três décadas sob a liderança de Dom Joaquín Pertíñez Fernández.

A Diocese de Rio Branco, no Acre, iniciou uma nova etapa de sua história neste domingo (1º), com a posse de Dom Antônio Fontinele de Melo como novo bispo diocesano. A cerimônia aconteceu na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, no Centro da capital acreana, e reuniu uma multidão de fiéis, religiosos e autoridades. A mudança marca o fim de um período de mais de 27 anos sob a liderança de Dom Joaquín Pertíñez Fernández.

A celebração começou às 8h e contou com a participação de caravanas de diferentes municípios do Acre e de estados vizinhos. Com a catedral cheia, a organização preparou tendas e um telão na área externa para permitir que mais pessoas acompanhassem a solenidade. Dom Antônio entrou no templo acompanhado por Dom Joaquín, agora bispo emérito, em um gesto que simbolizou a transição na liderança da Igreja Católica local.
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Nomeado pelo papa Leão XIV em 18 de setembro de 2026, Dom Antônio Fontinele, de 58 anos, tornou-se o sexto bispo da história da Diocese de Rio Branco. Antes da nomeação definitiva, ele já atuava como administrador apostólico desde julho, após a renúncia do antecessor por motivos de saúde. A posse oficializa uma nova fase para uma instituição religiosa cuja trajetória acompanha o desenvolvimento social e histórico do Acre há mais de um século.
Catedral lotada marca chegada do novo bispo de Rio Branco
A posse canônica de Dom Antônio Fontinele movimentou a comunidade católica acreana desde as primeiras horas da manhã.
Fiéis chegaram à Catedral Nossa Senhora de Nazaré para acompanhar a celebração, que reuniu padres, diáconos, seminaristas, religiosas, lideranças pastorais e representantes de comunidades atendidas pela diocese.
A Arquidiocese de Porto Velho, em Rondônia, também organizou uma caravana para participar da cerimônia. O grupo saiu da capital rondoniense na noite de sábado (31), reforçando os vínculos entre as comunidades religiosas da Amazônia Ocidental.
A celebração seguiu os ritos da Igreja Católica para a posse de um bispo diocesano, que marcam oficialmente a transferência da responsabilidade pastoral e administrativa para o novo responsável pela diocese.
Durante a cerimônia, Dom Antônio agradeceu a acolhida dos fiéis e destacou a importância da fraternidade, da participação comunitária e do trabalho conjunto entre os integrantes da Igreja.
“Desejo caminhar na fraternidade, na corresponsabilidade, debaixo do amor.”
O religioso também defendeu uma Igreja aberta ao diálogo e comprometida com a assistência espiritual e social à população.
Quem é Dom Antônio Fontinele de Melo?
Nascido em 9 de maio de 1968, em Camocim, no Ceará, Dom Antônio Fontinele de Melo construiu grande parte de sua trajetória religiosa na Região Norte do Brasil.

Sua formação sacerdotal começou no Seminário São João XXIII, em Porto Velho, onde estudou Filosofia e Teologia entre 1993 e 1998.
O religioso é licenciado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília e bacharel em Teologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Também possui especializações em Metodologia do Ensino Superior e Sagradas Escrituras.
Foi ordenado diácono em 21 de novembro de 1998 e sacerdote em 18 de setembro de 1999.
Ao longo de sua atuação na Arquidiocese de Porto Velho, exerceu funções como pároco da Paróquia São Cristóvão, responsável pela Catedral Sagrado Coração de Jesus, coordenador de pastoral e professor de Teologia.
Em 2020, foi nomeado pelo então papa Francisco para comandar a Diocese de Humaitá, no Amazonas.
A experiência no território amazônico passou a integrar sua trajetória pastoral, marcada pelo contato com comunidades urbanas, rurais e populações que vivem em regiões de difícil acesso.
Em julho de 2026, Dom Antônio assumiu temporariamente a Diocese de Rio Branco como administrador apostólico.
Pouco mais de dois meses depois, em 18 de setembro, recebeu a nomeação definitiva do papa Leão XIV.
Dom Joaquín deixa liderança após mais de 27 anos
A chegada do novo bispo encerra um dos períodos mais longos de liderança religiosa na história recente do Acre.

Dom Joaquín Pertíñez Fernández esteve à frente da Diocese de Rio Branco por mais de 27 anos, desde 1999, acompanhando transformações sociais e religiosas na região.
Durante sua gestão, a instituição manteve atividades pastorais, projetos de assistência social e ações voltadas às comunidades atendidas pela Igreja Católica.
A renúncia foi aceita pelo papa Leão XIV em 1º de julho de 2026.
Dom Joaquín havia apresentado o pedido devido a problemas de saúde que dificultavam o desempenho de suas atividades, especialmente diante das limitações de locomoção.
Com a saída, ele passou à condição de bispo emérito, título concedido aos religiosos que deixam o comando de uma diocese após o encerramento do mandato episcopal.
A participação de Dom Joaquín na cerimônia deste domingo representou a continuidade institucional entre as duas lideranças.
História da Igreja Católica no Acre começou nos seringais
A presença da Igreja Católica no território acreano remonta ao período de expansão da atividade extrativista da borracha, no fim do século XIX.
A partir de 1877, trabalhadores nordestinos chegaram à região para atuar nos seringais, levando consigo tradições religiosas, devoções populares e práticas comunitárias.
Naquele período, o território ainda passava por disputas relacionadas à sua integração ao Brasil, e parte da assistência religiosa estava vinculada à Diocese de Manaus, por meio da paróquia de Lábrea, no Amazonas.
A organização eclesiástica ganhou uma estrutura própria em 1920, quando o papa Bento XV criou a Prelazia Acre-Purus.
A medida representou um passo importante para a presença institucional da Igreja Católica na região, permitindo a organização de missões, comunidades e atividades pastorais.
Desde então, a instituição passou por diferentes transformações, acompanhando o crescimento das cidades e as mudanças na organização social do Acre.
Quem foram os bispos que marcaram a história de Rio Branco?
Antes de Dom Antônio Fontinele, cinco religiosos conduziram a instituição católica regional em diferentes períodos.
Dom Próspero M. Bernardi foi o primeiro responsável pela Prelazia Acre-Purus, criada em 1920. Sua atuação está relacionada ao início da estruturação das missões religiosas na região.
Dom Júlio Mattioli deu continuidade ao processo de organização das comunidades e de expansão do trabalho religioso nos municípios acreanos.
Dom Giocondo M. Grotti assumiu a liderança em um período de transformações na Igreja Católica mundial, especialmente após o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965.
Durante sua atuação, foram estimuladas mudanças na organização pastoral, a realização de assembleias e a criação de novas comunidades religiosas.
Dom Moacyr Grechi esteve à frente da instituição entre 1973 e 1998. Sua gestão ficou marcada pela ampliação das pastorais sociais e pela transformação da Prelazia Acre-Purus em Diocese de Rio Branco.
Entre suas iniciativas estiveram a organização da Pastoral da Juventude, a atuação junto aos povos indígenas e a formação de agentes pastorais.
Dom Joaquín Pertíñez Fernández assumiu em 1999 e permaneceu no comando até julho de 2026.
Agora, Dom Antônio Fontinele passa a integrar essa sequência histórica como sexto bispo responsável pela Igreja Católica na região.
O que muda com a posse de um novo bispo?
Na estrutura da Igreja Católica, o bispo diocesano é responsável pela orientação espiritual, pastoral e administrativa das paróquias e comunidades vinculadas à diocese.

Ele acompanha o trabalho dos sacerdotes, participa da formação de novos religiosos e orienta iniciativas sociais e pastorais desenvolvidas pela instituição.
A posse canônica marca oficialmente o início desse exercício de autoridade.
Embora Dom Antônio já atuasse na administração da Diocese de Rio Branco desde julho, sua nomeação definitiva e a celebração deste domingo formalizaram sua condição de bispo diocesano.
Na prática, ele passa a conduzir os trabalhos religiosos e institucionais, além de estabelecer prioridades para a atuação pastoral nos próximos anos.
O novo bispo afirmou que pretende desenvolver uma gestão baseada na escuta, no acolhimento e na participação das comunidades.
“Que a nossa diocese seja cada vez mais uma Igreja sinodal, acolhedora, missionária e defensora da vida, na qual todos participem, sejam escutados e assumam sua responsabilidade e missão.”
A expressão Igreja sinodal, utilizada pelo religioso, refere-se à proposta de ampliar a participação dos diferentes integrantes da comunidade católica nos processos de diálogo e organização pastoral.
Prefeitura destaca parceria com ações sociais da Igreja
A cerimônia também contou com a presença do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, que destacou a importância da atuação das instituições religiosas em iniciativas de assistência social.
Durante a solenidade, o gestor municipal ressaltou a possibilidade de cooperação entre o poder público e organizações religiosas em ações voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade.
A Prefeitura de Rio Branco informou que a participação na cerimônia também representa o reconhecimento da atuação social desenvolvida pela Igreja Católica no município.
Além das atividades religiosas, a diocese participa de iniciativas de acolhimento, assistência e mobilização comunitária.
A administração municipal manifestou expectativa de continuidade do diálogo institucional com o novo bispo.
Próximos passos da Diocese de Rio Branco
Com a posse concluída, Dom Antônio Fontinele inicia oficialmente sua missão como bispo diocesano de Rio Branco.
Entre os desafios estarão o acompanhamento das comunidades religiosas, a organização das atividades pastorais e o fortalecimento de iniciativas voltadas às populações atendidas pela Igreja Católica no Acre.
O religioso também deverá dar continuidade ao trabalho desenvolvido durante o período em que atuou como administrador apostólico.
A solenidade deste domingo marca, assim, o encerramento de uma gestão de mais de 27 anos e o início de um novo capítulo para uma instituição que acompanha a história acreana desde a época dos seringais.


