Wall Street Journal acusa governo Lula de perseguição política a Flávio Bolsonaro
Em editorial, jornal americano critica apreensão de passaportes do senador, questiona atuação de Alexandre de Moraes e aponta risco de enfraquecimento das instituições brasileiras.

O jornal norte-americano The Wall Street Journal acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover uma perseguição política contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial de 2026. Em editorial publicado na quarta-feira (28), o veículo questionou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a apreensão dos passaportes do parlamentar, e afirmou que instituições judiciais brasileiras estariam sendo utilizadas contra adversários políticos.
O texto, intitulado “To Brazil’s Victor Goes Political Revenge”, que pode ser traduzido como “Ao vencedor do Brasil, a vingança política”, foi divulgado após Flávio deixar o país com a família e chegar aos Estados Unidos. O conselho editorial também questionou a imparcialidade do STF e considerou justificável a concessão de vistos norte-americanos ao senador. As acusações refletem a opinião do jornal e não representam uma conclusão judicial sobre perseguição política.
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Wall Street Journal fala em vingança política após eleição de Lula
O editorial relaciona a decisão de apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), quando Lula conquistou a reeleição.
Na avaliação do conselho editorial, o tratamento dispensado ao senador demonstra um possível uso político das instituições brasileiras contra candidatos derrotados.
O jornal argumenta que Flávio Bolsonaro ainda não foi formalmente acusado de crime nos procedimentos mencionados, mas já enfrenta medidas restritivas determinadas pela Justiça.
A publicação também levanta dúvidas sobre a possibilidade de o senador receber um julgamento imparcial caso seja denunciado criminalmente.
O pedido de apreensão dos documentos foi apresentado pela Polícia Federal após a identificação de risco de saída do país. A decisão judicial autorizou medidas cautelares, incluindo restrições relacionadas aos passaportes.
A existência dessas medidas, entretanto, não significa condenação criminal nem comprova, por si só, a ocorrência de perseguição política.
Jornal americano critica atuação de Alexandre de Moraes
Outra parte do editorial concentra críticas no ministro Alexandre de Moraes, responsável por autorizar as medidas solicitadas pela Polícia Federal.
O Wall Street Journal apresenta Moraes como um aliado político de Lula e questiona os limites de sua atuação nos procedimentos envolvendo adversários do presidente.
Segundo o entendimento defendido pelo jornal, cabe à Procuradoria-Geral da República avaliar a apresentação de acusações criminais contra autoridades com prerrogativa de foro, enquanto decisões judiciais devem respeitar os limites de competência previstos na legislação brasileira.
A publicação também menciona declarações de Lula durante a campanha eleitoral sobre a possibilidade de Flávio enfrentar investigações quando deixasse de contar com determinadas garantias parlamentares.
Essas considerações integram a interpretação política e jurídica do conselho editorial. O pedido de medidas cautelares, por sua vez, partiu da Polícia Federal e foi submetido à análise do Supremo Tribunal Federal.
Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos no STF
Apesar das críticas feitas pelo jornal americano, Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Uma das apurações envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios com o advogado Willer Tomaz.
Outra investigação examina suspeitas de evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades.
A existência dessas investigações não significa que os envolvidos sejam culpados. Eventuais acusações dependem da análise das provas reunidas e da atuação dos órgãos competentes.
O editorial do Wall Street Journal não apresentou essas investigações ao discutir as medidas adotadas contra o senador, ponto relevante para compreender o contexto judicial do caso.
Editorial também questiona condenação de Jair Bolsonaro
O conselho editorial ampliou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal ao abordar o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O jornal questionou a imparcialidade do processo e citou divergências entre integrantes da Corte, incluindo manifestações do ministro Luiz Fux.
A publicação também levantou preocupações sobre a independência do Judiciário brasileiro e o papel do Senado na análise de futuras indicações de ministros ao Supremo.
Na avaliação apresentada pelo jornal, a concentração de poder e a atuação das instituições judiciais merecem atenção diante de possíveis riscos ao equilíbrio democrático.
Essas afirmações são avaliações editoriais. O posicionamento do veículo não altera a validade das decisões judiciais brasileiras.
Saída de Flávio para os Estados Unidos amplia repercussão
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da mulher, Fernanda, e das duas filhas.
O senador atravessou a fronteira com a Argentina e embarcou em uma aeronave particular. Após uma escala em Guayaquil, no Equador, o grupo desembarcou em Miami, na Flórida, na manhã de quarta-feira (28).
A viagem aconteceu depois da determinação de entrega dos passaportes e da imposição de restrições à saída do território brasileiro.
O governo norte-americano autorizou a entrada da família. No editorial, o Wall Street Journal classificou a concessão de vistos como uma medida justificável de proteção política.
Flávio afirma ser alvo de perseguição no Brasil e declarou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos.
Em uma carta divulgada após sua chegada ao país, o senador contestou o resultado da eleição e se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Posteriormente, retirou essa expressão do documento.
O resultado oficial das eleições confirmou a vitória de Lula. As alegações de fraude apresentadas pelo senador não vieram acompanhadas de provas que demonstrassem irregularidades capazes de alterar o resultado.
Próximos passos
A Polícia Federal continua apurando as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e possíveis irregularidades relacionadas ao deslocamento.
As investigações financeiras que envolvem o senador também seguem em andamento, sem conclusão definitiva divulgada.
No campo político, o editorial do Wall Street Journal acrescenta uma manifestação internacional às discussões sobre a atuação do STF e as medidas adotadas contra o candidato derrotado.
Até o momento, as acusações de perseguição política apresentadas pelo jornal permanecem no campo da avaliação editorial, enquanto as investigações e decisões judiciais devem ser analisadas com base nos procedimentos legais e nas provas disponíveis.
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