PT mira mandato de Deltan Dallagnol após eleição ao Senado e provoca reação do ex-procurador
Diretório do partido no Paraná publicou mensagem dizendo que Dallagnol seria o próximo; senador eleito recebeu 2,9 milhões de votos, mas ainda aguarda decisão definitiva do TSE sobre sua candidatura.

O diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná provocou uma nova disputa política com Deltan Dallagnol (Novo) após publicar, nesta segunda-feira (26), uma mensagem direcionada ao senador eleito. A frase “Deltan, vc é o próximo…” gerou reações nas redes sociais e foi interpretada pelo ex-procurador da Lava Jato como uma ameaça aos votos recebidos nas eleições de 2026.
O PT paranaense afirmou que a publicação se refere à disputa judicial sobre o registro da candidatura de Dallagnol no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O partido defende que a Justiça Eleitoral conclua a análise do processo e confirme a inelegibilidade do ex-procurador, que perdeu o mandato de deputado federal em 2023.
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Dallagnol recebeu 2.904.594 votos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, e conquistou a segunda vaga do Paraná no Senado. Apesar do resultado nas urnas, sua situação jurídica ainda não está definitivamente resolvida, já que o registro da candidatura depende de julgamento no TSE.
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Publicação do PT provoca reação de Deltan Dallagnol
A mensagem divulgada pelo diretório estadual do PT foi publicada um dia após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Sem explicar inicialmente o contexto da frase, o partido escreveu:
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A publicação repercutiu entre apoiadores e adversários políticos do senador eleito. Parte dos comentários interpretou a mensagem como uma ameaça, enquanto outros relacionaram o conteúdo às ações judiciais que questionam sua elegibilidade.
Dallagnol reagiu por meio de seu perfil nas redes sociais e criticou o posicionamento do partido.
“Não deu nem 24 horas depois da eleição, o PT já ameaça os 3 milhões de votos que o Paraná confiou a mim.”
O ex-procurador também acusou adversários políticos de perseguição e afirmou que continuará defendendo o resultado obtido nas urnas.
As declarações representam a interpretação de Dallagnol sobre a publicação. O PT, por sua vez, negou que a mensagem representasse uma ameaça pessoal e afirmou que sua atuação está restrita aos instrumentos previstos na legislação eleitoral.
PT afirma que mensagem se refere ao processo no TSE
Após a repercussão, o diretório paranaense do Partido dos Trabalhadores esclareceu que a frase estava relacionada ao pedido de anulação do registro da candidatura de Dallagnol.
A legenda informou que pretende dar continuidade à contestação judicial apresentada à Justiça Eleitoral.
Em manifestação pública, o partido declarou que sua equipe jurídica espera uma decisão sobre o mérito do processo ainda em 2026.
O advogado Luiz Eduardo Peccinin, que atua na representação do PT paranaense, afirmou que a sigla pretende cobrar agilidade na análise do recurso.
Segundo a argumentação apresentada pelo partido, a cassação do mandato de Dallagnol em 2023 produziria consequências sobre sua elegibilidade na disputa de 2026.
Essa interpretação, entretanto, é contestada pela defesa do senador eleito, que busca o reconhecimento definitivo da validade da candidatura.
Dallagnol recebeu mais de 2,9 milhões de votos no Paraná
Deltan Dallagnol disputou uma vaga no Senado pelo partido Novo nas eleições de 2026.
O ex-procurador recebeu 2.904.594 votos e ficou com a segunda cadeira em disputa pelo Paraná.
A votação ocorreu em meio a questionamentos judiciais sobre sua elegibilidade, relacionados à decisão que provocou a perda de seu mandato na Câmara dos Deputados em 2023.
Embora tenha conquistado votos suficientes para ocupar uma das vagas, a situação do candidato permanece condicionada ao julgamento definitivo do Tribunal Superior Eleitoral.
A diplomação dos eleitos está prevista para 18 de dezembro, e a conclusão da análise judicial poderá definir os próximos passos em relação ao resultado.
Entenda por que a candidatura de Dallagnol está na Justiça
A disputa jurídica tem origem na cassação do mandato de deputado federal de Deltan Dallagnol, determinada pelo TSE em maio de 2023.
Na ocasião, os ministros entenderam que a saída do ex-procurador do Ministério Público Federal, enquanto ainda existiam procedimentos administrativos relacionados à sua atuação, configurou uma tentativa de contornar restrições previstas na Lei da Ficha Limpa.
A defesa de Dallagnol contesta esse entendimento e sustenta que não há impedimento legal para sua participação nas eleições de 2026.
Em setembro deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) autorizou o registro da candidatura por quatro votos a três.
A decisão, entretanto, foi questionada por partidos adversários e levada ao Tribunal Superior Eleitoral.
Em 3 de outubro, véspera do primeiro turno, o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu o registro da candidatura com fundamento na Lei da Ficha Limpa.
A defesa apresentou recurso, e Dallagnol participou da eleição enquanto a controvérsia jurídica permanecia em discussão.
Julgamento definitivo ainda não tem data confirmada
A análise final do recurso apresentado pela defesa de Dallagnol ainda depende de deliberação no Tribunal Superior Eleitoral.
O julgamento foi adiado a pedido da defesa e deverá ocorrer antes da diplomação dos eleitos, prevista para dezembro.
O resultado poderá definir se a candidatura será considerada válida e quais serão os efeitos jurídicos sobre os votos recebidos pelo ex-procurador.
Até que haja uma decisão definitiva, não é possível afirmar que Dallagnol perderá a vaga no Senado.
Partido e senador eleito apresentam versões diferentes sobre a mensagem
A repercussão da publicação evidencia a divergência entre o PT paranaense e Deltan Dallagnol sobre o processo eleitoral.
Para o partido, a continuidade das ações judiciais representa a busca pela aplicação da legislação sobre elegibilidade.
Já Dallagnol afirma que a iniciativa ameaça o resultado obtido nas urnas e contesta os fundamentos jurídicos utilizados contra sua candidatura.
A definição sobre a validade do registro cabe à Justiça Eleitoral, independentemente das manifestações políticas dos envolvidos.
Enquanto o processo permanece em análise, o ex-procurador segue como senador eleito, com sua diplomação condicionada ao desfecho da controvérsia judicial.


