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Brasília

Psicóloga diz ter recebido pedidos para barrar petistas em contratações

Mara Suassuna afirma que empresários solicitaram a exclusão de candidatos petistas de processos seletivos após a eleição presidencial. Conselho Regional de Psicologia repudiou a discriminação política e informou que o caso será apurado.

Psicóloga diz ter recebido pedidos para barrar petistas em contratações

A psicóloga goiana Mara Suassuna afirmou ter recebido pedidos de empresários para excluir candidatos que apoiam o Partido dos Trabalhadores (PT) de processos seletivos. O relato foi divulgado nas redes sociais na segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, e provocou repercussão sobre possíveis práticas de discriminação política no mercado de trabalho.

Segundo a profissional, que atua com recrutamento e seleção, clientes entraram em contato por telefone e mensagens solicitando que novos funcionários fossem escolhidos com base no critério de “não ser petista”. Mara afirmou que a exigência estaria relacionada aos valores das empresas, e não apenas à ideologia política. O Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09) repudiou a adoção de critérios político-partidários nas contratações e informou que o caso será encaminhado para apuração.

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Brasil registra quase 2 mil denúncias de assédio eleitoral no trabalho durante as eleições de 2026

Psicóloga afirma que empresários fizeram pedidos após as eleições

No vídeo publicado nas redes sociais, Mara Suassuna relatou ter recebido diversas mensagens de empresários interessados em contratar novos colaboradores, mas com a condição de que os candidatos não fossem petistas.

A profissional defendeu que empresas considerem os valores dos candidatos durante a seleção. Para sustentar seu argumento, mencionou a teoria dos valores humanos básicos, desenvolvida pelo psicólogo Shalom H. Schwartz, segundo a qual os valores influenciam escolhas e comportamentos.

Na manifestação, Mara também afirmou que pretende conduzir processos seletivos para clientes com esse perfil. Ao se referir a candidatos que considera incompatíveis com os princípios das empresas, utilizou a expressão “laranjas podres”, o que ampliou a repercussão do caso.

Conselho de Psicologia repudia discriminação política

Após a divulgação do vídeo, o Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região, responsável pela fiscalização profissional em Goiás, publicou uma manifestação contrária à utilização de critérios político-partidários nos processos de recrutamento e seleção.

O conselho destacou que a seleção de profissionais conduzida por psicólogos deve considerar critérios técnicos relacionados às exigências da vaga, sem excluir candidatos por sua orientação política, partidária ou ideológica.

A entidade informou que adotará as providências cabíveis e encaminhará o caso para apuração conforme as regras disciplinares da profissão. O procedimento deverá respeitar o contraditório e a ampla defesa, e eventuais conclusões dependerão da análise dos fatos.

Conselho de Psicologia repudia critérios político-partidários em processos seletivos após psicóloga relatar pedidos de empresários para excluir candidatos petistas.

O que diz a legislação sobre discriminação na contratação?

A legislação brasileira estabelece proteções contra práticas discriminatórias que restrinjam o acesso ao trabalho. A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias ou limitativas para efeito de acesso à relação de trabalho ou de sua manutenção, por motivos previstos na legislação.

O Conselho de Psicologia também citou a Constituição Federal e a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da discriminação em matéria de emprego e profissão.

O Código de Ética Profissional do Psicólogo determina que a atuação da categoria contribua para eliminar formas de discriminação e veda a indução de convicções políticas ou ideológicas no exercício profissional. A utilização de conhecimentos psicológicos para justificar a exclusão de pessoas por suas opiniões políticas também foi criticada pelo conselho.

Preferência política pode ser usada como critério de seleção?

Empresas podem definir requisitos profissionais compatíveis com as funções oferecidas, como experiência, formação, habilidades e competências necessárias ao cargo. A situação é diferente quando a preferência política do candidato passa a ser utilizada como motivo para excluí-lo de uma oportunidade de emprego.

A avaliação de uma possível irregularidade depende das circunstâncias concretas, das práticas adotadas e das provas disponíveis. No caso relatado, o Conselho Regional de Psicologia anunciou que encaminhará a situação para apuração, mas isso não equivale a uma conclusão definitiva sobre eventual infração ética.

Debate ocorre em meio a denúncias de assédio eleitoral

O episódio surge em um contexto de denúncias de pressão política no ambiente profissional durante as eleições de 2026. O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu relatos envolvendo ameaças de demissão, constrangimentos e tentativas de influenciar as escolhas políticas de trabalhadores.

O assédio eleitoral pode ocorrer quando uma relação de trabalho é utilizada para pressionar funcionários a apoiar candidatos, participar de atos políticos ou manifestar determinada preferência. A análise de cada caso depende dos fatos e das evidências reunidas pelos órgãos responsáveis.

A repercussão da declaração de Mara Suassuna amplia o debate sobre os limites entre os valores defendidos por uma organização e a liberdade de convicção dos profissionais. A apuração anunciada pelo Conselho Regional de Psicologia deverá avaliar a conduta à luz das normas éticas aplicáveis.