Kassab cobra equilíbrio fiscal e Temer pede pacificação nacional a Lula após reeleição
Lideranças políticas apontam desafios econômicos e defendem diálogo institucional para o quarto mandato do petista, que começa em 2027.

Dois dias após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o ex-presidente Michel Temer (MDB) apresentaram mensagens que colocam a economia e a articulação política no centro dos desafios do próximo mandato. Enquanto Kassab cobrou equilíbrio fiscal e atenção à relação com o Congresso Nacional, Temer defendeu uma iniciativa ampla de pacificação, com participação dos Três Poderes e de representantes da sociedade civil.
As manifestações foram divulgadas nesta terça-feira (27) e tratam de questões que deverão influenciar o quarto mandato de Lula, previsto para começar em 2027. Os recados têm enfoques diferentes, mas convergem para temas como governabilidade, estabilidade econômica, diálogo entre instituições e redução das tensões políticas.
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Kassab alerta para relação com Congresso e cobra responsabilidade fiscal
Gilberto Kassab afirmou que Lula precisará manter o equilíbrio das contas públicas e escolher uma equipe econômica com capacidade técnica e de articulação política. Para o dirigente do PSD, o próximo governo enfrentará um ambiente legislativo potencialmente mais crítico, além da pressão da população para que as promessas feitas durante a campanha sejam cumpridas.
Durante o evento “Quadriênio 2027-2030: O que esperar dos eleitos?”, promovido pelo Dominium Group, Kassab alertou para o risco de frustração social acompanhado de resistência no Legislativo caso a nova gestão não apresente resultados.
“Se ele não fizer um bom governo, vai se associar a decepção da sociedade junto a uma hostilidade do Congresso Nacional. E não há outra saída a não ser um bom governo”, afirmou Kassab.
Na avaliação do presidente do PSD, a composição da equipe econômica será um fator importante para conciliar as políticas sociais com o controle das contas públicas. Ele defendeu que os responsáveis pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento tenham conhecimento técnico e habilidade para negociar as medidas necessárias com o Legislativo.
Kassab citou o primeiro mandato de Lula como referência para a condução econômica. Segundo ele, aquele período demonstrou a possibilidade de ampliar programas sociais sem abandonar o equilíbrio fiscal. A comparação foi apresentada pelo dirigente como uma referência para as decisões que o governo precisará tomar a partir de 2027.

Dívida pública entra no radar para o próximo mandato
O desafio fiscal também foi mencionado pelo economista-chefe da Galápagos Capital, Cláudio Ferraz. O especialista apontou o crescimento da dívida pública em um cenário de resultados primários negativos como uma das questões econômicas relevantes para os próximos anos.
O debate envolve a capacidade do governo de financiar suas políticas, administrar as despesas e transmitir previsibilidade aos agentes econômicos. As decisões fiscais também podem repercutir sobre as condições de crédito, os investimentos e o espaço disponível para novas medidas de governo.
A responsabilidade fiscal, nesse contexto, aparece não apenas como uma discussão contábil, mas também como parte da negociação política necessária para aprovar medidas no Congresso. A dificuldade será compatibilizar prioridades econômicas, compromissos sociais e apoio parlamentar em um cenário que Kassab considera mais exigente.
Articulação política será decisiva
O alerta de Kassab aponta para um desafio recorrente da política brasileira: a necessidade de construir maiorias no Legislativo para aprovar propostas do Executivo. A relação com deputados e senadores pode influenciar o andamento de medidas econômicas, a implementação de políticas públicas e a capacidade do governo de cumprir sua agenda.
O dirigente do PSD também relacionou o desempenho da gestão à reação da sociedade. Em sua avaliação, uma eventual decepção com os resultados do governo poderia ampliar o desgaste político e tornar a relação com o Congresso ainda mais difícil.

Temer propõe uma “grande conversação nacional”
Em manifestação divulgada nas redes sociais, Michel Temer defendeu que Lula trabalhe para reduzir a divisão política no país. O ex-presidente sugeriu a convocação de representantes dos Três Poderes, de diferentes setores do Estado e da sociedade civil, incluindo integrantes da oposição, para uma iniciativa de diálogo nacional.
Sem citar Lula nominalmente no trecho destacado pela CNN Brasil, Temer afirmou esperar que o presidente reeleito adote medidas para conter a agressividade no ambiente político e institucional.
“O presidente reeleito faça o possível para impedir a agressividade que tem resultado em divisão dos brasileiros e até das instituições”, declarou Temer.
O ex-presidente defendeu que a iniciativa reúna diferentes setores para buscar um ambiente de maior confiança. A proposta, segundo ele, teria como objetivo reduzir as tensões e criar condições mais favoráveis ao desenvolvimento do país.
“A harmonia entre todos os setores do país é fundamental e determinação da Constituição Federal”, afirmou Temer.

Apoio eleitoral de Temer foi para Flávio Bolsonaro
A manifestação de Temer ocorre após uma campanha em que o ex-presidente apoiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Lula. A posição dá contexto político ao pedido de pacificação feito depois da divulgação do resultado eleitoral.
Ao defender a participação de representantes da oposição em uma conversa nacional, Temer sinalizou a importância de manter canais de diálogo entre grupos que estiveram em lados opostos durante a disputa. A proposta, conforme relatada pela CNN Brasil, não detalha um formato de convocação, calendário ou compromissos específicos para os participantes.
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Diálogo institucional e economia aparecem entre os desafios de 2027
As manifestações de Kassab e Temer destacam dimensões distintas da governabilidade. O presidente do PSD concentrou sua fala nas contas públicas, na escolha da equipe econômica e no risco de atritos com um Congresso mais crítico. Temer, por sua vez, colocou em evidência a necessidade de reduzir a polarização e aproximar instituições e setores da sociedade.
Os temas se relacionam porque a aprovação de medidas econômicas depende, em parte, da capacidade de negociação política, enquanto a estabilidade institucional pode influenciar o ambiente em que o governo busca implementar suas propostas. Ainda assim, as declarações dos dois políticos representam avaliações e recomendações, e não garantem que haverá consenso entre governo, oposição e Congresso.
Com o início do novo mandato previsto para 2027, a condução da política fiscal, a formação da equipe ministerial e a relação com o Legislativo estarão entre os pontos acompanhados no cenário político nacional. As propostas de diálogo e pacificação defendidas por Temer e os alertas econômicos feitos por Kassab ajudam a dimensionar parte das questões colocadas para a próxima gestão.


