Cotação dólar hoje cai a R$4,99 e Ibovespa fecha em alta 0,47%
Dólar recua abaixo de R$5 e Ibovespa avança antes do segundo turno das eleições.

Na última sessão antes do segundo turno das eleições presidenciais, o Ibovespa virou para o positivo à tarde e fechou em alta de 0,47%, aos 205.082,56 pontos, enquanto o dólar comercial recuou 0,90%, para R$ 4,993, num pregão marcado por disputa eleitoral apertada, IPCA-15 abaixo do esperado e avanço do petróleo no exterior.
Bolsa reage a disputa voto a voto e IPCA-15 mais fraco
O dia começou com a Bolsa em leve queda, refletindo cautela com as pesquisas que apontam cenário praticamente de empate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ao longo da tarde, porém, o fluxo melhorou e o Ibovespa encerrou com ganho de 962,44 pontos.
Leia também: Pix é brasileiro: ataque hacker e startup mostram riscos e ganhos
Levantamento Indexa/Broadcast mostra Flávio Bolsonaro com 45,2% das intenções de voto e Lula com 44,1%, diferença dentro da margem de erro. Esse equilíbrio mantém o mercado em compasso de espera, com investidores ajustando posições de curto prazo e reforçando proteções.
Além da política, a prévia da inflação de outubro ajudou a dar algum suporte aos ativos de risco. O IPCA-15 subiu 0,32% no mês, abaixo da projeção de 0,43%, o que derrubou os juros futuros em toda a curva e reforçou apostas de manutenção ou até cortes da Selic à frente.
Para Basiliki Litvac, economista da XP, o dado não elimina preocupações com a inflação de serviços. “A combinação de demanda doméstica resiliente e condições ainda apertadas do mercado de trabalho segue pressionando os componentes mais inerciais da cesta, e esse continua sendo o principal ponto de atenção à frente”, afirmou.
Juros futuros caem e renda fixa melhora após dado de inflação
Com o IPCA-15 mais fraco, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) recuaram ao longo da curva, em sintonia com o movimento de queda das taxas no Tesouro Direto. O alívio na ponta longa indica menor prêmio de risco para a dívida brasileira e abre espaço para alongamento de prazos em renda fixa.
Na prática, papéis prefixados e atrelados à inflação passaram a oferecer retornos um pouco menores, mas ainda elevados em termos reais, atraindo parte dos investidores que reduziram exposição a ações na reta final do segundo turno.
cotação do dolar hoje: por que a moeda caiu abaixo de R$ 5?
O dólar comercial encerrou a sessão vendido a R$ 4,993, em queda de 0,90% no dia e de 1,64% na semana, em movimento contrário ao observado frente a outras moedas fortes. Lá fora, o índice DXY subiu, mas, no Brasil, a combinação de fluxo financeiro e aposta em desfecho eleitoral favorável ao ajuste fiscal deu fôlego ao real.
Operadores relatam ingresso seletivo de capital estrangeiro, inclusive via mercado de derivativos, e redução de posições defensivas em dólar, num ambiente ainda de volatilidade. Em outras sessões recentes, a cotação oscilou próxima de R$ 5,03, refletindo a alternância de humor com as pesquisas eleitorais.
No pano de fundo, pesam também dados dos Estados Unidos. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram para 194 mil, abaixo do esperado, mantendo a leitura de mercado de trabalho aquecido e de política monetária ainda restritiva pelo Federal Reserve, o que limita uma depreciação mais forte da moeda americana globalmente.
bolsa de valores agora: commodities e bancos em destaque
O desempenho do Ibovespa foi puxado por ações ligadas a commodities e por bancos, sensíveis tanto ao cenário externo quanto às apostas para a economia no pós-eleição.
A Vale (VALE3) subiu 0,67%, apoiada na recuperação do minério de ferro no mercado internacional. Em sessão anterior, porém, o humor havia sido oposto: o Ibovespa caiu 1,15%, aos 204.120,12 pontos, com a ação da mineradora recuando 3,97%, a R$ 61,49, após o minério cair 1,02%, para US$ 90,10 a tonelada na Bolsa de Singapura.
A Petrobras (PETR3, PETR4) avançou 1,47%, acompanhando a forte alta do petróleo tipo Brent, que chegou a US$ 113,17 o barril, em meio a novas tensões no Oriente Médio e risco de escalada envolvendo o Irã. A valorização da commodity beneficia a geração de caixa da estatal, mas também aumenta custos para setores intensivos em energia, como transporte e indústria.
Entre os bancos, o clima foi majoritariamente positivo, embalado pelo chamado “trade eleitoral” e pela queda dos juros futuros. Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e B3 tiveram ganhos, com exceção do Santander, que recuou em movimento mais pontual ligado a balanço e percepção de risco de crédito.
Entenda o contexto
Economistas e gestores avaliam que o principal vetor da Bolsa e do câmbio neste momento é a perspectiva de condução das contas públicas no próximo governo. A memória recente do chamado “rali Flávio” — movimento de forte alta dos ativos brasileiros após a vitória de Flávio Bolsonaro na eleição anterior — volta aos relatórios de estratégia, mas com mais ressalvas.
Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, alerta para as limitações fiscais. “Risco de deterioração das contas públicas e propostas de Lula e Flávio Bolsonaro ainda não enfrentam o crescimento das despesas obrigatórias”, diz. A avaliação é que, independentemente de quem vencer, será necessário detalhar cortes ou novas receitas para acomodar gastos já contratados.
Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, resume o momento: “O Ibovespa está reagindo ao noticiário político. Os investidores estão se posicionando de acordo com as probabilidades de ajuste das contas públicas brasileiras. Quanto mais provável o cenário de reeleição, mais cauteloso fica o mercado, que tende a buscar proteção ou alocações mais previsíveis, como a renda fixa. As pesquisas eleitorais influenciam o grau de exposição dos investidores à renda variável”.
No exterior, o ambiente também não ajuda muito o apetite ao risco. As bolsas em Nova York fecharam em queda, com o Dow Jones mais pressionado, diante da combinação de petróleo em alta, resultados corporativos mistos e uma correção recente nas ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial. Na Europa, os índices ficaram sem direção única.
A tensão geopolítica adiciona uma camada extra de incerteza. O avanço do petróleo acima de US$ 100 nos EUA e o Brent acima de US$ 110 reforçam o temor de impacto sobre inflação global e crescimento, fator monitorado de perto por gestores que operam ações brasileiras de empresas exportadoras e de setores intensivos em combustíveis.
Ibovespa futuro e estratégias para a semana pós-eleição
No mercado de derivativos, contratos de Ibovespa futuro e opções mostraram aumento de volume, em especial em estruturas de proteção montadas por investidores estrangeiros. Fundos que acompanham o índice brasileiro no exterior, como o ETF listado em Nova York que replica a carteira local, registraram alta na compra de seguros contra queda após o segundo turno.
O cenário traçado para os próximos dias é de continuidade da volatilidade. Se um novo “rali Flávio” se consolidará ou não na segunda-feira dependerá da leitura que o mercado fará do resultado das urnas e, principalmente, dos primeiros sinais sobre equipe econômica, arcabouço fiscal e agenda de reformas do governo eleito.
Até lá, a estratégia mais comum entre gestores tem sido manter carteiras diversificadas, com combinação de ações ligadas ao ciclo doméstico, exportadoras beneficiadas pelo dólar ainda perto de R$ 5, renda fixa atrelada à inflação e, para alguns, posições táticas em câmbio e commodities como forma de proteção adicional.


