S&P 500 7.624 ↓ -0,52%Nasdaq 25.955 ↓ -0,21%Dow Jones 52.215 ↓ -1,23%Ibovespa 205.083 ↑ +0,47%FTSE 100 10.740 ↑ +0,47%DAX 25.332 ↑ +0,60%Nikkei 62.190 ↓ -0,80%Dólar R$ 4,98 ↑ +0,20%Euro R$ 5,58 ↓ -0,11%Bitcoin R$ 399.338 ↑ +0,43%S&P 500 7.624 ↓ -0,52%Nasdaq 25.955 ↓ -0,21%Dow Jones 52.215 ↓ -1,23%Ibovespa 205.083 ↑ +0,47%FTSE 100 10.740 ↑ +0,47%DAX 25.332 ↑ +0,60%Nikkei 62.190 ↓ -0,80%Dólar R$ 4,98 ↑ +0,20%Euro R$ 5,58 ↓ -0,11%Bitcoin R$ 399.338 ↑ +0,43%
Economia

Ewz USD sobe 13,9% em outubro e revela tensão na eleição Brasil

O ETF EWZ destaca-se com alta significativa em outubro, refletindo a instabilidade política antes do segundo turno das eleições brasileiras.

Ewz USD sobe 13,9% em outubro e revela tensão na eleição Brasil

Ewz USD sobe O rali do iShares MSCI Brazil (EWZ) em outubro, com alta de 13,87% até o último pregão antes do segundo turno, vem acompanhado de uma disparada inédita no número de cotas e de uma corrida por proteção via opções em Nova York, num retrato da mistura de otimismo e medo do mercado com a eleição presidencial brasileira.

LEIA TAMBÉM

Leia também: Pix é brasileiro: ataque hacker e startup mostram riscos e ganhos

Ibovespa sobe 9,1% e dólar cai a R$ 4,95 após 1º turno hoje

Negociado em dólares na bolsa de Nova York e usado como atalho para investir no Brasil, o EWZ reflete a melhora de humor após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas a disputa apertada no segundo turno encarece os seguros contra oscilações bruscas, com volatilidade implícita próxima de 70% nos contratos de opções que vencem em novembro.

O que o ETF EWZ indica sobre a eleição no Brasil?

O salto de 13,87% do EWZ em outubro até a véspera do segundo turno indica que investidores passaram a precificar um cenário mais favorável ao Brasil após a surpresa do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.

Para gestores, a virada de sentimento está diretamente ligada à expectativa de mudança de governo e a uma possível melhora na política fiscal, o que reduziria a percepção de risco do país e atrairia mais capital estrangeiro. “Sem dúvida, o principal fator foi o resultado do primeiro turno. Ficou claro que não estava na expectativa do mercado esse cenário tão favorável para uma potencial troca de comando”, afirma Fernando Fontoura, sócio-fundador e gestor da Persevera.

O bom humor com o Brasil contrasta com o desempenho mais fraco de outros emergentes. Luis Castro da Fonseca, sócio-fundador e gestor da Nest Asset Management, diz que “a alta de 14% nesse mês pode ser atribuída praticamente em sua totalidade à repercussão do primeiro turno”. Ele lembra que bolsas como Coreia do Sul, China e Turquia caem no período, enquanto outros produtores de commodities sobem bem menos.

Além das ações, o câmbio reforça a leitura de melhora de risco: o real se valoriza frente ao dólar acima de outras moedas emergentes, o que ajuda o retorno do EWZ em dólares e sugere fluxo específico para ativos brasileiros, não apenas uma onda global de apetite por risco.

Entenda o contexto

Em setembro, o EWZ tinha subido 3,39%. Com a disparada de outubro, o fundo caminha para o melhor mês desde o ganho de 16,59% em janeiro, num movimento agora claramente associado ao choque eleitoral. O índice de small caps brasileiras, mais sensível ao investidor doméstico, sobe 20,39% no mês, a segunda maior alta mensal em mais de 17 anos, o que reforça o papel dos gestores locais no rali.

Apesar do avanço, Fontoura avalia que o grosso dos estrangeiros de longo prazo ainda está fora: “Os investidores estrangeiros estruturais, aqueles que ficam por anos e fazem investimentos geralmente até mais vultosos, ainda não entraram. Esses estão esperando o segundo turno para entrar, a consagração do cenário-base”.

Para a segunda etapa da eleição, o mercado vê mais risco de correção do que espaço para nova disparada imediata. Fonseca avalia que, depois de um mês tão forte, o potencial de queda no curto prazo é maior que o de alta, caso o resultado contrarie as expectativas ou não venha acompanhado de sinais claros de responsabilidade fiscal.

EWZ Brasil agora: fluxo recorde e criação de cotas

O apetite pelo “EWZ Brasil agora” aparece com força na base do fundo. Em apenas cinco pregões após o primeiro turno, o número de cotas em circulação aumentou 26,6%, com entrada estimada de US$ 2,7 bilhões. É um salto raro em tão pouco tempo e ajuda a explicar por que o ETF se consolidou como porta de entrada para quem quer exposição rápida ao país.

Esse fluxo é composto por investidores estrangeiros mais táticos, que se movimentam rápido diante de choques de preço, e por gestores locais que correram para recompor posição em bolsa — especialmente em ações de menor capitalização, beneficiadas pela onda compradora. O movimento mostra que, na prática, o “EWZ investing” virou um atalho para capturar o rali sem escolher papéis específicos.

Como o fundo replica o MSCI Brazil 25/50 e não o Ibovespa, sua carteira inclui nomes listados no exterior, como Nubank e XP, e distribui pesos de forma diferente. Isso faz do ETF um termômetro mais amplo do interesse por “Brasil em dólar”, com impacto também de movimentos cambiais.

Como os investidores estão usando o EWZ para se proteger na véspera do segundo turno?

O mercado usa opções de EWZ como principal ferramenta de proteção na véspera do segundo turno, ampliando o volume negociado e aceitando pagar mais caro pelos contratos diante da incerteza sobre o resultado.

Na véspera do primeiro turno, o volume de opções de EWZ chegou a US$ 39 bilhões, com forte predominância de calls (apostas ou proteções para alta). Antes da votação decisiva, esse montante salta para US$ 55 bilhões, com aumento relevante das puts (proteções para queda) e elevação da relação put/call de 0,29 para 0,34, sinal de maior cautela.

Paulo Abreu, gestor da Mantaro Capital, lembra que a surpresa foi grande: “No sábado (3) de manhã, o Itaú tinha feito uma pesquisa com 111 gestores, só 9% achavam que daria Flávio na frente, o que já ilustrava o grau de incerteza”. Segundo ele, o choque de resultado fez o mercado correr para calls antes do primeiro turno, muitas vezes com pouca proteção para o lado negativo. Agora, com pesquisas mais apertadas, o pêndulo se desloca para seguros contra queda.

A conta fica mais salgada. Gustavo Akamine, co-CIO e sócio da Constância Investimentos, diz que a volatilidade implícita — a expectativa de oscilação de preços embutida nas opções — está próxima de 70% nos contratos que vencem em 20 de novembro. “As opções de alta ficaram mais caras do que as opções de queda, as puts, os ativos se valorizaram muito em função de onde o mercado estava posicionado antes do primeiro turno. Agora, está o contrário com esse estreitamento, ficou bem mais caro para ficar protegido da queda”, afirma.

Para Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, a disparada da volatilidade implícita encarece todos os derivativos, inclusive para quem quer montar estratégias neutras em direção. “Naturalmente, o preço dos contratos de derivativos fica mais alto, tanto o de put quanto o de call. Quando falamos que a volatilidade implícita dispara, o preço de todos os derivativos no geral dispara”, diz.

EWZ em tempo real, futuro e reflexos na B3

O comportamento do “EWZ em tempo real” em Nova York virou referência para a abertura e o humor da B3 a cada nova pesquisa ou fala de campanha. Plataformas como “EWZ tradingview” e derivativos como o “EWZ hyperliquid” ajudam gestores e traders a monitorar e operar a visão internacional de Brasil praticamente sem pausa, inclusive quando o pregão local está fechado.

Na prática, o EWZ funciona como um “futuro de Brasil em dólar”: oscila com ações, câmbio e prêmio de risco político. Quando o fundo sobe, barateia o custo de capital das empresas brasileiras vistas lá fora e tende a melhorar o apetite por risco aqui dentro. Quando cai, o recado costuma ser de aversão ao país, o que encarece captações e pressiona ações e moeda.

Enquanto isso, o investidor mais avesso ao risco enfrenta um dilema na reta final da eleição: ou aceita pagar caro pelas proteções com opções de EWZ ou reduz exposição à bolsa e ao real antes da definição das urnas. Muitos gestores têm optado por combinações de calls e puts, abrindo mão de parte do ganho potencial em troca de uma travessia menos turbulenta pelo segundo turno.