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Economia

Dólar agora sobe a R$ 5,04 com tensão das eleições de 2026

Dólar sobe com incertezas políticas e econômicas, impactando projeções para os próximos anos no Brasil.

Dólar agora sobe a R$ 5,04 com tensão das eleições de 2026

O dólar abriu o pregão de hoje cotado a R$ 5,04, num cenário em que a combinação de juros altos no Brasil, incerteza sobre a política monetária dos Estados Unidos e a corrida presidencial de 2026 aumenta a volatilidade no câmbio e deixa o mercado financeiro em alerta.

Qual é a cotação do dólar hoje em relação ao real?

O dólar hoje é negociado a R$ 5,04 na abertura dos negócios, com operações entre 9h e 17h (horário de Brasília) no mercado brasileiro. Ao longo do dia, a cotação tende a oscilar conforme chegam notícias sobre a economia global, pesquisas eleitorais no Brasil e sinais da política monetária americana.

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A moeda norte-americana é influenciada pelo fluxo de capital estrangeiro, que hoje encontra no Brasil uma taxa Selic de 15%. O juro elevado torna os títulos brasileiros mais atraentes para investidores internacionais, favorecendo o real e ajudando a segurar a cotação, mas também encarece o crédito e freia investimentos e consumo dentro do país.

Depois de uma queda acumulada de 11,2% em 2025, o Boletim Focus do Banco Central projeta que o dólar encerre 2026 em torno de R$ 5,50. Na prática, isso significa um ano potencialmente marcado por solavancos: a moeda pode passar longos períodos abaixo desse nível e ter disparadas pontuais em momentos de maior tensão política ou externa.

Entenda o contexto

O câmbio hoje reflete um equilíbrio frágil entre fatores internos e externos. De um lado, o Brasil oferece juros altos e um desempenho recente relativamente positivo entre mercados emergentes. De outro, o cenário global é de incerteza, com impacto direto sobre moedas de países como Brasil, México, África do Sul e Turquia.

O dólar é a principal moeda de reserva do mundo e costuma ser visto como porto seguro em momentos de turbulência. Assim, qualquer choque envolvendo Estados Unidos, China, Rússia ou União Europeia pode provocar movimentos bruscos de valorização da moeda americana e saída de capital de países emergentes, inclusive do Brasil.

Em anos recentes, o investidor brasileiro viu essa dinâmica na prática: em um dos momentos de maior estresse desde a pandemia, o dólar chegou a tocar R$ 6,00 em novembro de 2024. Em direção oposta, o fortalecimento de moedas emergentes e a Selic alta ajudaram o real a ganhar terreno ao longo de 2025.

Como as eleições no Brasil estão influenciando o dólar hoje?

As eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026 já entram no radar do câmbio agora, com o dólar reagindo a cada nova pesquisa de intenção de voto e às declarações dos principais candidatos. Em dias de pesquisas consideradas mais favoráveis a nomes vistos como comprometidos com ajuste fiscal e responsabilidade orçamentária, o real tende a se fortalecer; quando cresce o temor de mudanças bruscas na política econômica, a moeda americana costuma subir.

O comportamento não é novo, mas ganha força em um contexto em que o mercado avalia, ao mesmo tempo, o rumo dos gastos públicos, a relação entre Executivo e Congresso e o espaço para eventuais quedas da Selic à frente. Qualquer sinal de aumento de risco fiscal ou de conflito político prolongado tem potencial para pressionar o câmbio.

Para o investidor de bolsa e de renda fixa, isso significa dias mais voláteis. Empresas muito expostas ao mercado externo — como exportadoras de commodities e grandes multinacionais brasileiras — podem ganhar com a alta do dólar, enquanto companhias dependentes de insumos importados e do consumo interno sofrem quando a moeda dispara.

Fed sob pressão e Trump no radar

No front externo, dois elementos concentram a atenção dos mercados em 2026: a troca na presidência do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, prevista para maio, e a possibilidade de influência direta do ex-presidente Donald Trump sobre a condução da política monetária americana.

Mauricio Weiss, professor do Programa de Pós-graduação profissional em Economia da UFRGS, avalia que a sucessão no comando do Fed é um ponto central de incerteza. “A possibilidade de mudança no Fed e não só mudança, mas a ingerência de Trump sobre o Fed é um motivo de incerteza”, afirma. Em momentos assim, explica o economista, investidores tendem a correr para a moeda americana. “Quando há um aumento de incerteza global, mesmo quando o problema é nos Estados Unidos, acaba que as pessoas sem saber o que fazer fogem para o dólar porque é a moeda-chave do sistema financeiro internacional”, diz.

Se o novo comando do Fed sinalizar alta de juros ou mantiver taxas elevadas por mais tempo, o atrativo de investir em títulos americanos cresce, o que pode tirar recursos de países emergentes e pressionar o câmbio no Brasil. Já um Fed mais brando, que indique cortes de juros consistentes, tende a aliviar parte dessa pressão.

O que dizem as projeções para o câmbio em 2026

Apesar de o Boletim Focus apontar para um dólar em torno de R$ 5,50 no fim do ano, há divergência entre analistas sobre o rumo da moeda. Mauricio Weiss destaca a complexidade de qualquer projeção mais firme. Segundo ele, a taxa de câmbio responde a uma quantidade muito grande de variáveis — de decisões de bancos centrais a crises geopolíticas, passando por eleições e mudanças em termos de troca do comércio internacional.

Na avaliação do economista, porém, o cenário pode ser mais favorável ao real do que sugerem as projeções oficiais. “A tendência seria para uma manutenção ou apreciação do real frente ao dólar”, afirma. Isso dependeria de uma combinação de fatores: ausência de choques externos mais fortes, manutenção de uma política fiscal minimamente crível no Brasil, redução gradual da Selic sem perda de atratividade relativa frente a outros emergentes e uma transição ordenada no comando do Fed.

Ainda assim, a leitura predominante entre participantes do mercado é de um ano de sobe e desce intenso. A trajetória do dólar em 2026 tende a ser marcada por janelas de maior otimismo, com valorização do real, intercaladas com períodos de estresse, especialmente em torno de eventos como definições no Fed, divulgação de dados de inflação e emprego nos EUA e momentos decisivos da campanha presidencial brasileira.

Qual a relação entre o dólar hoje e o desempenho do Ibovespa?

O nível do dólar e a força do real têm impacto direto sobre o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores do Brasil. Em linhas gerais, a moeda a R$ 5,04 favorece setores dependentes de importações — como varejo, companhias aéreas e indústrias que compram insumos lá fora —, pois reduz custos em reais e ajuda a conter a inflação, o que, por sua vez, pode abrir espaço para quedas futuras da Selic.

Por outro lado, exportadoras de commodities agrícolas e minerais, além de empresas do setor de papel e celulose, costumam se beneficiar de um dólar mais alto, já que suas receitas em moeda estrangeira valem mais em reais. Quando o real se valoriza demais, a competitividade externa desses segmentos diminui, o que limita o fôlego das ações ligadas a exportação.

Em um ambiente em que a Selic está em 15% e o câmbio mostra sinais de instabilidade, a bolsa convive com dois vetores opostos: de um lado, juros altos tornam a renda fixa mais atraente e retiram parte do apelo da renda variável; de outro, empresas sólidas e descontadas podem se tornar oportunidade para quem tolera o risco da volatilidade cambial e eleitoral.

Com o dólar abrindo o dia em R$ 5,04 e projeções apontando para algo perto de R$ 5,50 no fim do ano, investidores e empresas acompanham de perto os próximos passos do Banco Central brasileiro, as sinalizações do Federal Reserve e o desenrolar da campanha presidencial para calibrar decisões de investimento, proteção cambial e planos de expansão.