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Contagem de votos eleições 2026: Lula vira e lidera no TSE hoje

Apuração no TSE recomeça com Lula assumindo a liderança e disputa acirrada com Flávio Bolsonaro em diferentes regiões.

Contagem de votos eleições 2026: Lula vira e lidera no TSE hoje

Lula volta a liderar a contagem de votos da eleição presidencial às 20h24 deste domingo (25), após ter sido ultrapassado por Flávio Bolsonaro às 19h45, numa apuração marcada por atraso na divulgação dos dados e forte desigualdade entre regiões, segundo a dinâmica observada até agora pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apuração é retomada após decisão do STF e sobe em “degraus”

A contagem de votos do segundo turno começou depois do fechamento das urnas às 17h, mas foi suspensa em seguida por causa da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação em todo o país até as 19h. A retomada da apuração nacional ocorre apenas após esse horário, com atualizações liberadas pelo TSE a cada 15 minutos.

Leia também: Que horas começa a votação do segundo turno hoje 25/10 às 8h

Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral informou que “a apuração foi prorrogada até as 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF)”, o que adiou a divulgação dos primeiros números da disputa presidencial e das corridas aos governos de cinco estados e do Distrito Federal.

Desde então, a página de resultados (resultados.tse.jus.br 2026) passou a subir em “degraus” de porcentuais: com a entrada rápida dos boletins de urna do Sul, do Sudeste e do Distrito Federal, Flávio Bolsonaro abriu vantagem inicial, confirmando o padrão visto no primeiro turno, quando terminou à frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — uma diferença de 2,2 milhões de votos.

Diferença regional dita quem larga na frente

A disputa deste domingo volta a expor como a infraestrutura eleitoral e de telecomunicações do país influencia a ordem da contagem. Seções do Sul e do Sudeste, além do Distrito Federal, transmitem seus boletins com mais rapidez, enquanto muitas zonas do Norte e do Nordeste demoram mais para chegar ao sistema nacional do tribunal.

“Aquela apuração foi especialmente desigual em termos das regiões”, lembra o cientista político Rodrigo Mahlmeister ao falar sobre disputas passadas em que a virada veio quando os votos nordestinos e nortistas entraram no painel do TSE. Ele afirma que esse comportamento permanece: “Se tem uma certeza, é que Flávio Bolsonaro vai começar na frente no domingo”.

Os dados históricos ajudam a explicar. O Sul e o Sudeste se consolidaram como redutos competitivos para candidatos de direita nas últimas décadas. Em disputas anteriores, nomes desse campo político chegaram a obter mais da metade dos votos nessas duas regiões, como mostram percentuais de 58,9% no Sul e 56,1% no Sudeste em uma eleição, e de 68,2% e 65,3% em outra, empurrando-os para a liderança nas primeiras horas de totalização.

É o que se vê novamente agora: com a maior parte dos boletins iniciais vindo desses estados, Flávio Bolsonaro apareceu na frente nos primeiros boletins nacionais do TSE, antes de Lula reduzir a diferença e reassumir a liderança quando o fluxo de votos do Nordeste e de parte do Norte começou a ganhar peso.

Entenda o contexto

A apuração do TSE ocorre em três etapas. Primeiro, cada urna eletrônica, ao ser fechada, emite o Boletim de Urna (BU), um relatório impresso e gravado em mídia digital com a votação daquela seção. Em seguida, essa mídia é levada até o cartório eleitoral responsável, que faz a transmissão dos dados. Por fim, em Brasília, o tribunal soma os boletins e divulga os resultados pelo sistema nacional.

É na segunda etapa que surgem os principais gargalos. “Tem seções ali que estão a 50 km, 60 km de distância do local onde eles serão transmitidos ao TSE”, explica Marco Antonio Faganello, pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da FGV (FGV-CEPESP). “Alguns trechos têm muito trânsito, outros têm trajetos de barco para superar. Muitos lugares são remotos”.

Nas grandes cidades, a desigualdade se repete em menor escala: seções em áreas centrais, próximas aos cartórios, transmitem primeiro; periferias e zonas rurais demoram mais, especialmente quando há filas até perto do fechamento ou falhas técnicas ao copiar o BU para a mídia de transmissão.

Para Mahlmeister, por isso, a fotografia da apuração em um determinado minuto diz pouco sobre o resultado final. “É por isso que a porcentagem de votos que um candidato abre no início da apuração não significa nada”, afirma. A experiência de eleições anteriores mostra que as curvas dos candidatos podem se aproximar e se inverter quando regiões que atrasam entram no sistema.

Oscilações na liderança aumentam a tensão política

Neste domingo, a combinação entre a prorrogação da votação, a retomada tardia da apuração e o descompasso regional elevou a tensão entre campanhas e eleitores. O painel nacional do TSE registrou a ultrapassagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula às 19h45, no momento em que ainda predominavam urnas do Sul, do Sudeste e do Distrito Federal. Menos de uma hora depois, às 20h24, Lula voltou a aparecer à frente, com maior peso dos votos do Nordeste e do Norte na totalização parcial.

Cientistas políticos lembram que esse movimento de “gangorra” ocorre em todos os pleitos recentes e tem alimentado narrativas políticas em torno da contagem, em especial quando uma virada acontece com alta porcentagem de urnas já apuradas. Mesmo assim, os especialistas insistem que o processo segue um padrão técnico ligado à ordem de chegada dos boletins, não a intervenções na contagem.

Dentro do Judiciário e da Justiça Eleitoral, a preocupação central é comunicar esse funcionamento de forma clara para conter desconfianças. A decisão do STF de estender a votação, ainda que amparada por questões de garantia do direito ao voto, acabou também empurrando a emoção da noite eleitoral para um período mais curto, concentrando viradas e oscilações em menos tempo de apuração visível.

Governos estaduais definidos em cinco estados e no DF

Enquanto a disputa presidencial segue em aberto, cinco estados e o Distrito Federal já conhecem seus novos governadores eleitos neste segundo turno. No Distrito Federal, Celina Leão (PP) confirma a vitória e será a próxima chefe do Executivo local, em um colégio eleitoral que costuma ter seus boletins entre os primeiros a chegar ao TSE.

No Amazonas, Omar Aziz (PSD) é eleito em meio a uma apuração mais lenta em zonas ribeirinhas e de floresta, reforçando o impacto da logística amazônica na velocidade da totalização. No Acre, Mailza Assis (PP) sai vencedora em um estado em que parte das seções também depende de longos deslocamentos para transmissão dos BUs.

No Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB) é confirmado governador, enquanto no Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos) vence a disputa em um cenário de apuração mais rápida, típica do eixo Sudeste. O quadro consolida a renovação dos Executivos estaduais em áreas com perfis eleitorais bastante distintos, do centro administrativo do país à Amazônia Legal.

Próximos passos da totalização do TSE

A previsão, dentro da Justiça Eleitoral, é que a totalização se aproxime de 100% das seções nas próximas horas. O TSE mantém o compromisso de atualização a cada 15 minutos e reforça que a velocidade de exibição dos dados depende do ritmo de chegada dos boletins das localidades mais remotas.

As campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula monitoram, em tempo real, o mapa de quais estados já foram praticamente concluídos e quais ainda têm grande volume de seções a computar, sobretudo no interior do Nordeste e no Norte. É nesse trecho final que a correlação de forças pode se consolidar de vez, abrindo caminho para a definição oficial do próximo presidente da República.

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