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NC Eleições 2026

Lula leva mãe de menina morta por tiro de PM ao debate contra Flávio Bolsonaro

Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, de 5 anos, acompanha o confronto na primeira fila; caso voltou à campanha após questionamentos sobre a atuação de Flávio na defesa do policial acusado

Lula leva mãe de menina morta por tiro de PM ao debate contra Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara Gomes Machado, para acompanhar o último debate presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesta sexta-feira (23), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A criança morreu aos 5 anos, em 2021, após ser atingida por um disparo de fuzil durante uma ação policial em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Cristiane está entre os 20 convidados do presidente na plateia e ocupa um lugar na primeira fila, ao lado do ex-deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ). A presença da mãe da criança ocorre em meio à repercussão do caso na campanha eleitoral, depois que Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua participação na defesa jurídica do policial acusado pela morte de Ana Clara.

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Por que a morte de Ana Clara entrou na disputa presidencial?

Ana Clara Gomes Machado morreu em 2 de fevereiro de 2021, quando brincava nas proximidades de sua residência, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. A menina estava com o irmão, de 2 anos, quando foi atingida durante uma operação policial.

O policial militar Bruno Dias Delaroli foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Segundo a acusação, o agente efetuou disparos de fuzil em direção a uma área residencial, assumindo o risco de atingir moradores.

A defesa do policial contesta essa versão e sustenta que ele reagiu a uma agressão de criminosos durante o patrulhamento. A responsabilidade criminal do agente depende de julgamento pela Justiça.

O episódio voltou ao debate público após a campanha de Lula destacar a participação de Flávio Bolsonaro na equipe de advogados que representou o policial.

Qual foi a participação de Flávio Bolsonaro no caso?

Em 2024, Flávio Bolsonaro integrou a defesa jurídica de Bruno Dias Delaroli e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O objetivo da medida era reverter a decisão que determinou que o policial fosse submetido ao Tribunal do Júri. O recurso foi negado, mantendo o encaminhamento do caso para julgamento por jurados.

A participação de Flávio na defesa passou a ser explorada politicamente por Lula, especialmente durante as discussões sobre segurança pública e atuação das forças policiais.

O candidato do PL, por sua vez, argumenta que o exercício da advocacia não deve ser confundido com concordância pessoal com os atos atribuídos a um cliente.

Lula e Flávio discutiram o episódio no debate da Band

A morte de Ana Clara foi mencionada durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado no domingo (18), pela Band.

Na ocasião, Lula questionou o adversário sobre sua atuação jurídica em favor do policial acusado. Flávio respondeu criticando o que considerou uma antecipação de julgamento e defendeu o direito de qualquer acusado à assistência de um advogado.

O confronto levou o episódio novamente ao centro da discussão eleitoral, a poucos dias da votação que definirá o próximo presidente da República.

Lula e Flávio Bolsonaro durante debate presidencial realizado pela Band, no domingo (18). O caso Ana Clara esteve entre os assuntos discutidos.

Mãe de Ana Clara acompanha último debate antes da eleição

A presença de Cristiane Gomes da Silva na plateia do debate da Globo acrescenta um componente pessoal a uma discussão que, até então, vinha sendo conduzida principalmente pelos candidatos.

O caso envolve tanto o sofrimento da família pela morte da criança quanto o debate sobre responsabilização de agentes de segurança pública e o direito de defesa dos acusados.

Até as informações disponíveis sobre o processo, não havia condenação definitiva do policial pela morte de Ana Clara. A denúncia e a decisão de submetê-lo ao Tribunal do Júri não equivalem a uma sentença condenatória.

O debate desta sexta-feira é o último confronto televisionado previsto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno, marcado para domingo (25).