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PF mira Banco Master e ligações políticas de Vorcaro

Polícia Federal

Investigação revela conexões suspeitas entre Banco Master e figuras políticas influentes em Brasília.

A Polícia Federal investiga desde 2025 um esquema de corrupção ligado ao Banco Master que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ofensiva mais recente ocorre em 18 de junho de 2026, com 18 mandados de busca e apreensão em três estados.

Operação em endereços de aliados do governo

Os alvos da Operação Compliance Zero se espalham por São Paulo, Brasília e Salvador. Equipes da PF vasculham imóveis ligados a Wagner, ao ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, e a operadores financeiros do grupo. Os agentes apreendem dinheiro em espécie, relógios de luxo e documentos que detalham negócios imobiliários e transferências suspeitas.

O foco é esclarecer se Vorcaro e Lima pagam vantagens indevidas a Wagner para que o líder do governo Lula no Senado atue em favor do Banco Master em pautas cruciais no Congresso. Os investigadores rastreiam uma trilha que inclui um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses que somam ao menos R$ 3,5 milhões.

Jaques Wagner nega qualquer irregularidade ou relação com o banqueiro. Em nota, afirma que “não existiu intermediação e não existe relação” com Vorcaro e diz não poder ser responsabilizado por “conversas de terceiros”. A defesa de Augusto Lima classifica as buscas como “desnecessárias”.

Mensagens, viagens e ingressos de luxo

A investigação ganha corpo a partir da quebra de sigilo de celulares e da análise de contratos e extratos bancários. No telefone de Daniel Vorcaro, a PF encontra mensagens que indicam proximidade com o núcleo político baiano e acesso direto ao senador petista.

Um diálogo de 17 de julho de 2024, entre Vorcaro e o diretor comercial do Banco Master, Fernando Mascarenhas Filho, chama a atenção dos investigadores. Mascarenhas celebra a imagem de proximidade com o Planalto: “Única coisa que falaram que somos próximos do governo, igual irmãos Batista são. O que é verdade rsrs”. Vorcaro responde: “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”.

Em seguida, Mascarenhas promete acionar interlocutores com trânsito no governo: “Vou mandar então pra tio Guiga e Jaques”, numa referência ao publicitário baiano Guilherme Sodré, descrito pela PF como amigo muito próximo de Wagner, e ao próprio senador. Procurado, Mascarenhas afirma que a leitura da PF é exagerada: “Única coisa que falaram que somos próximos do governo, igual irmãos Batista são. O que é verdade rsrs”.

Os investigadores ligam essas conversas a um conjunto de benefícios supostamente oferecidos ao entorno de Wagner. A lista inclui viagens em aviões particulares em 2023 e ingressos para um show em Los Angeles, comprados pela empresa Reag Investimentos, ligados ao círculo de Vorcaro, por mais de R$ 63 mil. Segundo a PF, parte dessas cortesias é direcionada a familiares do senador.

O núcleo de Augusto Lima surge como peça central no fluxo de dinheiro. Mensagens e contratos indicam repasses por meio de empresas associadas a parentes do empresário, como a prima Andrea Lima Novaes, e a negócios conectados ao próprio clã de Wagner. Uma das pontas é a BN Financeira, da qual é sócia Bonnie Toaldo Bonilha, esposa do enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, atual secretário de Meio Ambiente da Bahia.

Imóveis de alto padrão e atuação no Congresso

No coração do caso está a negociação do apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador. A PF vê o negócio como possível forma disfarçada de pagamento de propina. A compra envolve tratativas entre Wagner, Augusto Lima e operadores do grupo Master, como David Lopes Monteiro e Valério Marega Júnior.

Os investigadores cruzam essas operações com a atuação de Wagner em temas de interesse direto do Banco Master entre 2024 e 2025. Relatórios policiais apontam que o senador acompanha propostas de ampliação do crédito consignado, mudanças na cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a tentativa de venda do Banco Master ao BRB.

Para a PF, esse pacote regulatório é vital para as estratégias de Vorcaro no mercado financeiro. A ampliação do consignado aumentaria a carteira de crédito do banco. O reforço ao FGC significaria mais segurança para depositantes, mas também mais espaço para operações arriscadas. A venda ao banco de Brasília (BRB) poderia coroar a valorização do Master, que tenta se reposicionar após a liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central, em fevereiro de 2026.

Em um dos diálogos interceptados, Augusto Lima envia a Vorcaro supostos encaminhamentos de interesse do grupo no Congresso, com a mensagem: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs”. O conteúdo alimenta a suspeita de atuação coordenada entre banqueiros e parlamentares para moldar a legislação do setor.

Mansão em Brasília, Flávio Bolsonaro e o outro lado do balcão

Paralelamente ao eixo baiano, a PF mapeia a atuação de Vorcaro em Brasília. Entre o fim de 2024 e o primeiro semestre de 2025, o banqueiro aluga uma mansão na capital federal. O imóvel vira ponto de encontro de autoridades e empresários.

Ao menos uma reunião reservada ocorre ali, no primeiro semestre de 2025, entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. É um encontro a dois, segundo relatos colhidos pela investigação. A mesma casa recebe visitas de outras figuras do topo do poder, como o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, desafeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os investigadores ainda não apontam pagamentos ou contratos ligados diretamente a Flávio Bolsonaro. A linha de apuração, porém, mira o uso da estrutura da mansão para aproximar o banqueiro de parlamentares estratégicos em comissões e votações sobre temas bancários. O objetivo, segundo a PF, é ampliar o raio de influência do grupo Master em diferentes campos políticos, da base de Lula à oposição bolsonarista.

Pressão sobre o governo, sistema financeiro e partidos

O caso expõe, em detalhes, a zona cinzenta entre o lobby legítimo e a corrupção. As conversas sugerem que Vorcaro busca replicar, em menor escala, o modelo de influência que elevou os irmãos Batista ao centro do poder em Brasília. A diferença, agora, é o ambiente político mais sensível a escândalos e a memória recente da Lava Jato.

Se confirmadas as suspeitas, o episódio pode empurrar o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional a apertarem o cerco sobre a relação entre bancos médios e o Congresso. Propostas sobre crédito consignado e FGC, antes vistas como tecnicamente neutras, passam a ser lidas sob o filtro de quem ganha e quem perde com cada emenda, cada palavra.

Na política, o desgaste é imediato. Wagner, um dos principais articuladores de Lula, vê sua autoridade testada num momento em que o governo tenta organizar a base para a disputa municipal de 2026. O PT corre para conter danos na Bahia, seu principal reduto eleitoral. Do outro lado, Flávio Bolsonaro se torna alvo de questionamentos sobre sua relação com o banqueiro que circula com naturalidade tanto no entorno petista quanto no seu.

As defesas tentam enquadrar o caso como criminalização de relações políticas e empresariais. Vorcaro, em conversas reservadas, minimiza o impacto da investigação e trata as citações a Lula como narrativa de marketing: “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”.

Próximos passos da investigação

Os próximos meses serão decisivos para definir o alcance jurídico e político do caso Banco Master. A PF começa a periciar os materiais colhidos em 18 de junho de 2026, cruzando planilhas, registros de voo, conversas de WhatsApp e escrituras de imóveis de luxo em Salvador, São Paulo e Brasília.

Delegados e procuradores avaliam pedidos de quebra de sigilo bancário mais amplos, possíveis bloqueios de bens e novas oitivas de parlamentares e empresários. A depender do que surgir, o inquérito pode avançar para denúncias formais por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com risco real de ações penais e até perda de mandato.

No Congresso, a oposição promete convocar Wagner e Flávio Bolsonaro para prestar esclarecimentos em comissões. A base governista, por sua vez, tenta blindar o líder e argumenta que a investigação ainda está na fase de coleta de provas. O desfecho tende a influenciar a disputa presidencial de 2026 e pode abrir espaço para reformas que redefinam as fronteiras entre lobby, financiamento privado e poder político no sistema financeiro brasileiro.

Como Daniel Vorcaro ficou rico?

Daniel Vorcaro constrói sua fortuna atuando no mercado financeiro e no comando de bancos médios, como o Banco Master, além de operações de crédito e investimentos.


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