Esportes

Conselho da Ponte Preta aprova transformação do clube em SAF

O Conselho Deliberativo da Ponte Preta aprova nesta quinta-feira (18) a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A decisão, tomada em Campinas, abre uma nova fase na gestão do time mais tradicional da cidade.

Clube histórico entra na era das empresas

A votação encerra um debate que se arrasta há meses nos corredores do Moisés Lucarelli. A proposta de mudança de modelo passa com 108 votos favoráveis e 20 contrários, em sessão considerada decisiva para o futuro do clube. A partir de agora, a Ponte deixa de funcionar apenas como associação de torcedores e se prepara para operar também como empresa, sujeita a regras mais rígidas de governança e transparência.

O movimento segue uma tendência que ganha força no futebol brasileiro desde a sanção da lei das SAFs, em 2021. Para dirigentes e articuladores da proposta, o modelo atual se mostra insuficiente para enfrentar um ambiente em que a concorrência cresce, os custos disparam e a margem para erro é cada vez menor. A transformação em SAF surge como tentativa de garantir fôlego financeiro, atrair investidores e profissionalizar decisões que antes dependiam quase só da política interna.

O que muda na prática para a Ponte Preta

A criação da SAF permite a separação entre o patrimônio social do clube e a nova empresa responsável pelo futebol. Na prática, essa estrutura abre espaço para entrada de capital privado, emissão de ações e contratos mais rígidos de gestão. Investidores passam a assumir compromissos formais com metas esportivas e financeiras, enquanto o clube preserva parte da identidade e do controle, conforme o desenho final do acordo.

O processo aprovado pelo Conselho prevê participação ativa de cerca de 850 associados e conselheiros nas próximas etapas. Eles terão de analisar o modelo jurídico, o percentual de participação da associação na futura empresa e as garantias em relação ao estádio, à base e aos símbolos do clube. O desenho dessa arquitetura vai definir quem ganha mais poder na nova estrutura e até que ponto a torcida aceita dividir decisões históricas com o capital externo.

Desafios, riscos e próximos passos

A virada para SAF não resolve de imediato problemas acumulados ao longo de décadas. A Ponte chega a 2026 pressionada por dívidas, limitações de receita e uma instabilidade esportiva que afeta diretamente a relação com a torcida. A expectativa dos defensores da mudança é de que a nova estrutura permita renegociar compromissos, ampliar receitas com patrocínios e direitos de transmissão e criar um plano de investimentos de médio e longo prazo.

As próximas semanas serão marcadas por reuniões técnicas e consultas jurídicas. Conselheiros e associados vão discutir, ponto a ponto, o estatuto da futura empresa, o formato de governança e os mecanismos de proteção contra aventureiros. A diretoria projeta que o desenho final do modelo e eventuais propostas formais de investidores sejam apresentados ainda em 2026. Até lá, a Ponte vive uma travessia delicada: precisa modernizar a gestão sem perder a alma de clube de bairro que se transforma, há mais de um século, em símbolo da cidade de Campinas.

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