Irmã de Cristiano Ronaldo chama seleção de Portugal de “decepção total”
Katia Aveiro, irmã de Cristiano Ronaldo, chama a seleção de Portugal de “decepção total” após o empate com a República Democrática do Congo, nesta quinta-feira (18). De Gramado, na Serra Gaúcha, ela usa o Instagram para criticar o desempenho da equipe na Copa do Mundo e prevê que o irmão será o principal alvo das cobranças.
Desabafo em tempo real após empate frustrante
O jogo termina com um empate que soa como derrota para torcedores portugueses espalhados pelo mundo. Em Gramado, a 9,2 mil quilômetros do estádio da partida, a reação de Katia é imediata. Minutos depois do apito final, ela abre os stories do Instagram, onde reúne mais de centenas de milhares de seguidores, e transforma a frustração em texto.
“Seleção de Portugal foi decepção total. Que pena. É óbvio que vão culpar só um… sorte que as costas são largas… e quem entende de futebol percebe o óbvio. E que venham os próximos”, escreve. A crítica mira o desempenho coletivo, mas antecipa o que ela enxerga como roteiro repetido: a concentração da culpa em Cristiano Ronaldo, hoje com mais de 20 anos de carreira na seleção principal.
A mudança de tom contrasta com a mensagem publicada poucas horas antes da partida. Em um story anterior, Katia aparece em clima de otimismo. “Vamos, meninos. Deus abençoe a magia que é o futebol. Deus abençoe a nossa pátria. Deus abençoe o meu irmão”, registra, em letras brancas sobre fundo escuro. Entre a prece e o desabafo, há apenas 90 minutos de futebol e um resultado que reabre velhas desconfianças em relação ao time.
Ela mantém o tom crítico em outra mensagem. “Estranha essa Copa. Estranha. Mas vamos lá… inícios errados, finais certeiros. Até o fim”, afirma. O texto mistura crítica e fé na recuperação da equipe, num momento em que a seleção precisa pontuar nos próximos jogos para evitar um cenário de risco na fase de grupos.
Voz de dentro do círculo de Cristiano amplia repercussão
As publicações têm peso adicional por virem de alguém que acompanha de perto a rotina de Cristiano Ronaldo. Katia, hoje com mais de 40 anos, é a irmã mais velha do atacante e constrói, desde os anos 2000, uma carreira própria como cantora, empresária e influenciadora digital. Em Portugal, lança músicas de apelo popular e participa de programas de TV, o que a mantém no radar do público mesmo fora do universo esportivo.
Desde 2018, ela vive no Brasil. Muda-se após se casar com o empresário brasileiro Alexandre Bertolucci Júnior e escolhe Gramado, na Serra Gaúcha, como base. A cidade de cerca de 37 mil habitantes, conhecida pelo turismo e pela neve artificial, torna-se cenário dos comentários da irmã de um dos maiores artilheiros da história das Copas. O contraste entre a calmaria serrana e a tempestade nas redes alimenta a narrativa.
A fala de Katia chega a torcedores portugueses, brasileiros e a fãs de Cristiano em diferentes países. Em poucas horas, os prints dos stories circulam por perfis de futebol, páginas de torcida e veículos especializados. A repercussão se espalha em três frentes: quem concorda com a crítica ao desempenho coletivo, quem considera injusto qualquer comentário que aumente a pressão sobre o elenco e quem vê nas frases uma defesa antecipada de Cristiano.
A insatisfação não é isolada. O empate com a República Democrática do Congo, seleção que chega à Copa com menos tradição no torneio, acende um alerta interno. Portugal, que projeta ao menos uma vaga nas quartas de final e mira repetir o título da Euro de 2016, vê a margem de erro diminuir logo na estreia ou em um jogo chave da fase de grupos. Cada ponto perdido pesa em um torneio de sete partidas até a final.
Pressão sobre elenco e comissão técnica aumenta
O impacto das declarações de Katia chega ao vestiário e à comissão técnica, ainda que de forma indireta. Jogadores e dirigentes evitam responder publicamente a familiares de atletas, mas a discussão nas redes amplia o nível de cobrança. Analistas esportivos em Portugal já falam em revisão urgente de estratégias táticas, escalações e papel de Cristiano Ronaldo em campo, em especial se o time mostrar dependência excessiva do camisa 7 nas próximas rodadas.
A crítica de que “é óbvio que vão culpar só um” ecoa em debates de TV e rádio. Comentários questionam até que ponto a figura de Cristiano, com quase duas décadas de protagonismo na seleção, ofusca o rendimento do grupo. Outros analistas lembram que o futebol português vive um dos ciclos mais talentosos de sua história, com geração de meio-campistas e atacantes em grandes clubes europeus, e argumentam que o desempenho atual está aquém desse potencial.
Para torcedores, a fala de Katia funciona como síntese de uma sensação difusa. Parte da base de fãs de Cristiano sente que o atacante, mesmo aos quase 40 anos, ainda é o primeiro alvo quando o coletivo não responde. O desabafo, publicado em um perfil que mistura bastidores familiares e rotina no Brasil, reforça essa leitura emocional do momento.
A Federação Portuguesa de Futebol não comenta as declarações até o momento. Em cenário de Copa, cada postagem de personagens próximos ao elenco tem capacidade de gerar ruído. Assessores recomendam contenção, mas familiares e amigos mantêm autonomia em redes pessoais, o que torna o ambiente digital um termômetro menos controlável da crise.
Próximos jogos sob lupa e expectativa por reação
Portugal entra nos próximos compromissos da Copa mais exposto do que imaginava. O empate com a República Democrática do Congo transforma a partida seguinte, marcada para os próximos dias, em teste de maturidade. Um novo tropeço pode comprometer a classificação às oitavas de final e reforçar a impressão de que a seleção não consegue corresponder ao peso de seus nomes.
O desabafo de Katia, feito de uma casa em Gramado mas ouvido em Lisboa, Luanda e Doha, adiciona uma camada emocional à pressão esportiva. Se a seleção reage e vence com autoridade, as mensagens acabam absorvidas como expressão de paixão familiar em momento de nervos à flor da pele. Se o time volta a oscilar, as frases sobre “decepção total” e “inícios errados, finais certeiros” tendem a ser revisitadas como retrato de uma crise maior. A Copa segue, e a pergunta que paira sobre Portugal, dentro e fora de campo, é se o elenco consegue transformar frustração em combustível antes que seja tarde demais.
